===== OBJETO ADEQUADO DA INTELIGÊNCIA ===== Se nossa [[lexico:i:inteligencia|inteligência]] se encontrasse estritamente limitada a seu [[lexico:o:objeto|objeto]] [[lexico:p:proprio|próprio]], [[lexico:n:nada|nada]] poderia conhecer [[lexico:a:alem|além]] da [[lexico:e:essencia|essência]] das [[lexico:c:coisas|coisas]] materiais, assim como a vista só pode perceber a [[lexico:e:extensao|extensão]] colorida. Mas, fundamentalmente, nossa [[lexico:a:alma|alma]], que é espiritual, tem uma abertura ilimitada. A [[lexico:e:experiencia|experiência]], aliás, testemunha que temos um certo [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] de coisas que estão fora do objeto em [[lexico:q:questao|questão]]: atingimos assim o [[lexico:s:singular|singular]] e, em uma [[lexico:o:ordem|ordem]] [[lexico:s:superior|superior]], especulamos sobre as [[lexico:s:substancias|substâncias]] separadas. Nem todas as possibilidades de nossa inteligência encontram-se, portanto, determinadas por seu objeto próprio e deve levar-se em consideração, para ela, um objeto mais compreensivo, objeto [[lexico:a:adequado|adequado]], isto é, que corresponda à abertura total da [[lexico:p:potencia|potência]]. **O [[lexico:o:objeto-adequado-da-inteligencia|objeto adequado da inteligência]] humana é o [[lexico:s:ser|ser]] considerado em toda a sua amplitude.** Esta [[lexico:t:tese|tese]] já foi demonstrada em [[lexico:m:metafisica|Metafísica]]. Basta-nos aqui lembrar que sua conclusão deriva principalmente da [[lexico:a:analise|análise]] do [[lexico:j:juizo|juízo]], que nos manifesta que o ser é o que, por primeiro, se atinge nas coisas; "esta [[lexico:c:coisa|coisa]] que [[lexico:e:eu|eu]] percebo é": tal é a primeira constatação da inteligência. Ora, somos levados a reconhecer que o ser assim atingido [[lexico:n:nao|não]] é limitativamente tal ser ou tal [[lexico:g:genero|gênero]] de ser; não importa qual, fala-se simplesmente do ser, de tudo o que pode ser compreendido nesta [[lexico:n:nocao|noção]]. Por isso, o ser [[lexico:r:real|real]] ou o ser de [[lexico:r:razao|razão]], o ser [[lexico:a:atual|atual]] ou o ser [[lexico:p:possivel|possível]], o ser [[lexico:n:natural|natural]] ou o ser [[lexico:s:sobrenatural|sobrenatural]] estão, de si, incluídos no [[lexico:c:campo|campo]] de nossa inteligência, como também de qualquer outra inteligência, porque a inteligência manifesta-se como a [[lexico:f:faculdade|faculdade]] do ser. **Entretanto a inteligência humana não atinge da mesma maneira o que pertence e o que não pertence a seu objeto próprio.** Uma dificuldade aqui se coloca: para que, com [[lexico:e:efeito|efeito]], reconhecer um objeto especial à nossa inteligência, se esta faculdade é efetivamente capaz de se estender além do mesmo? É preciso responder que só a "[[lexico:q:quididade|quididade]]" das coisas sensíveis, isto é, o objeto próprio, é apreendida diretamente em sua [[lexico:n:natureza|natureza]] específica. As outras coisas são atingidas só mediatamente ou por intermédio do objeto próprio, ou então de [[lexico:m:modo|modo]] [[lexico:r:relativo|relativo]], ou por [[lexico:a:analogia|analogia]], quando se trata de realidades transcendentes. Segue-se que, sempre aberta a [[lexico:t:todo|todo]] o ser, nossa inteligência é especificada, em seu modo de [[lexico:a:atividade|atividade]], pelo conhecimento das [[lexico:e:essencias|essências]] materiais. O imaterial só pode assim ser representado a partir da concepção que formamos dos corpos, [[lexico:c:condicao|condição]] evidentemente muito inferior para um [[lexico:e:espirito|espírito]] e que nos situa, gosta [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]] de o repetir, no [[lexico:u:ultimo|último]] degrau da escala das inteligências. **[[lexico:c:corolario|Corolário]]: [[lexico:u:unidade|unidade]] da faculdade intelectual.** Em razão de sua amplitude ilimitada, a inteligência não precisará, como o [[lexico:s:sentido|sentido]], ser dividida em várias potências: a [[lexico:n:nocao-de-ser|noção de ser]] envolve e domina todas as distinções de objetos. Certas diversidades nas denominações não devem portanto nos enganar. Assim: - A razão (inteligência discursiva) não é realmente distinta da inteligência (inteligência [[lexico:i:intuitiva|intuitiva]]), comparando-se o [[lexico:a:ato|ato]] da razão com o ato da inteligência como o [[lexico:m:movimento|movimento]] ao repouso, os quais devem ser relacionados a uma mesma potência (Ia Pa, q. 79, a. 8). - O [[lexico:i:intelecto|intelecto]] [[lexico:p:pratico|prático]] (faculdade diretora da [[lexico:a:acao|ação]]) não é realmente distinto do intelecto especulativo (faculdade do conhecimento [[lexico:p:puro|puro]]) pois o que se relaciona apenas acidentalmente ao objeto de uma potência não é [[lexico:p:principio|princípio]] de [[lexico:d:diversidade|diversidade]] para esta potência; ora, é acidental ao [[lexico:o:objeto-da-inteligencia|objeto da inteligência]] o [[lexico:f:fato|fato]] de ser ordenado à [[lexico:o:operacao|operação]] (Ia Pa, q. 79, a. 2) . - Pelo mesmo [[lexico:m:motivo|motivo]] não se admitirá, com Tomás de Aquino, a [[lexico:e:existencia|existência]] de uma [[lexico:m:memoria|memória]] intelectual realmente distinta da inteligência, pois a "razão do passado", que caracteriza a memória, é acidental com [[lexico:r:relacao|relação]] ao objeto da inteligência; esta faculdade, como [[lexico:s:simples|simples]] potência, basta portanto à conservação e à [[lexico:r:reproducao|reprodução]] das "[[lexico:s:species|species]]" (Ia Pa, q. 79, a. 6). Só subsistirá, como realmente separada, a dupla [[lexico:i:intelecto-agente|intelecto agente]] - [[lexico:i:intelecto-passivo|intelecto passivo]], não estando aqui a [[lexico:d:distincao|distinção]] em dependência do próprio objeto, mas do [[lexico:c:comportamento|comportamento]] ativo ou [[lexico:p:passivo|passivo]] da potência (Ia Pa, q. 79, a. 7).