===== NOÇÃO ===== (gr. [[lexico:e:ennoia|ennoia]], [[lexico:p:prolepsis|prolepsis]]; lat. [[lexico:n:notio|notio]]; in. Notion; fr. Notion; al. Notion; it. Nozioné). Dois significados fundamentais: um muito [[lexico:g:geral|geral]], em que noção é qualquer [[lexico:a:ato|ato]] de [[lexico:o:operacao|operação]] cognitiva, e [[lexico:o:outro|outro]] específico, em que é uma [[lexico:c:classe|classe]] especial de atos ou operações cognitivas. Para Cícero, que introduziu [[lexico:e:esse|esse]] [[lexico:t:termo|termo]], ele corresponde a ennoia, que tem [[lexico:s:significado|significado]] muito geral, e a prolepsis, que é a [[lexico:a:antecipacao|antecipação]], uma [[lexico:e:especie|espécie]] [[lexico:p:particular|particular]] e privilegiada de [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] (Top., 7, 31). Na Idade Média, João de Salisbury empregou esse termo no [[lexico:s:sentido|sentido]] geral, referindo-se precisamente ao [[lexico:g:grego|grego]] ennoia (Metal., II, 20, ‘); em sentido geral também era empregado por Jungius, que entendia a noção como "a primeira operação de nosso [[lexico:i:intelecto|intelecto]], pela qual exprimimos uma [[lexico:c:coisa|coisa]] com uma [[lexico:i:imagem|imagem]]" (Log. hamburgensis, 1638, Prol., 3). [[lexico:l:locke|Locke]], ao contrário, pretendia restringir esse termo às [[lexico:i:ideias|ideias]] complexas "que parecem [[lexico:t:ter|ter]] [[lexico:o:origem|origem]] e [[lexico:e:existencia|existência]] constante mais no [[lexico:p:pensamento|pensamento]] dos homens que na [[lexico:r:realidade|realidade]] das [[lexico:c:coisas|coisas]]" (Ensaio, II, 22, 2), enquanto [[lexico:l:leibniz|Leibniz]] observava que "muitos aplicam a [[lexico:p:palavra|palavra]] noção a qual quer espécie de ideias ou concepções, tanto às originais quanto às derivadas" (Nouv. ess., II, 22, 2). [[lexico:b:berkeley|Berkeley]], por sua vez, restringia esse termo ao conhecimento que o [[lexico:e:espirito|espírito]] tem de [[lexico:s:si-mesmo|si mesmo]] e da [[lexico:r:relacao|relação]] entre as ideias: conhecimento que, por sua vez, [[lexico:n:nao|não]] é uma [[lexico:i:ideia|ideia]] (Princ. of Human Knowledge, I, §§ 27, 89, 140, etc.; cf. a [[lexico:n:nota|nota]] ao § 27 da edição dos Principles, em Works, ed. T. E. Jessop, II, p. 53). [[lexico:k:kant|Kant]] também atribuía significado restrito a esse termo, entendendo por noção "o [[lexico:c:conceito|conceito]] [[lexico:p:puro|puro]], porquanto tem origem unicamente no intelecto", reservando o termo "[[lexico:r:representacao|representação]]" para o significado geral de noção (Crít. R. Pura, Dial. transc., I, seção 1). [[lexico:w:wolff|Wolff]], inversamente, afirmara: "A representação das coisas na [[lexico:m:mente|mente]] é noção, por outros chamada de ideia" (Log., § 34). Nenhum dos significados específicos propostos para esse termo teve grande aceitação; hoje resta quase exclusivamente o significado genérico de operação, ato ou [[lexico:e:elemento|elemento]] cognitivo em geral. O conceito é uma noção, quer dizer aquilo que é conhecido (gnosis), ou aquilo por qual a [[lexico:i:inteligencia|inteligência]] conhece. O [[lexico:p:principio|princípio]] do adaequatio, da [[lexico:a:adequacao|adequação]] do [[lexico:o:objeto|objeto]] à inteligência é determinante na [[lexico:f:formacao|formação]] deste conhecido, da noção.