===== NIRVANA ===== Extinção das paixões e do [[lexico:d:desejo|desejo]] de [[lexico:v:viver|viver]], portanto da corrente dos nascimentos, na doutrina budista. "Essa ilha incomparável em que tudo desaparece e [[lexico:t:todo|todo]] apego cessa, chamo de nirvana, [[lexico:d:destruicao|destruição]] da [[lexico:v:velhice|velhice]] e da [[lexico:m:morte|morte]]" (Suttanipata, V, 11). Na [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] ocidental, [[lexico:s:schopenhauer|Schopenhauer]] adotou essa [[lexico:n:nocao|noção]], vendo nela a [[lexico:n:negacao|negação]] da [[lexico:v:vontade-de-viver|vontade de viver]], cuja exigência brota do [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] da [[lexico:n:natureza|natureza]] dolorosa e trágica da [[lexico:v:vida|vida]] (Die Welt, I, § 71; II, cap. 41). (sânsc., apagar). (pal. sânscr. que signif. evasão da [[lexico:d:dor|dor]]), [[lexico:e:estado|Estado]] supremo do [[lexico:e:espirito|espírito]], no [[lexico:b:budismo|budismo]]. — Definido pela cessação da dor, cuja [[lexico:f:forma|forma]] mais corrente é o "desejo" de possuir [[lexico:a:alguma-coisa|alguma coisa]] de que se tem [[lexico:f:falta|falta]], o nirvana é um estado de [[lexico:a:ausencia|ausência]], [[lexico:n:nao|não]] um [[lexico:p:puro|puro]] [[lexico:n:nada|nada]]. Quando a [[lexico:a:alma|alma]] o atinge, está então libertada do que a [[lexico:r:religiao|religião]] búdica chama "[[lexico:t:transmigracao|transmigração]]", do perpétuo ciclo das reencarnações a que está presa toda alma imperfeita. Alcança-se o nirvana por [[lexico:s:sistematico|sistemático]] treino do [[lexico:c:corpo|corpo]] e do espírito ([[lexico:i:ioga|ioga]]). [[lexico:e:esse|esse]] [[lexico:t:termo|termo]] da religião búdica foi retomado por A. Schopenhauer em sua [[lexico:o:obra|obra]] O [[lexico:m:mundo-como-vontade-e-representacao|Mundo Como Vontade e Representação]], para designar a [[lexico:r:renuncia|renúncia]] à [[lexico:v:vontade|vontade]] de viver e a serenidade que resulta dessa renúncia. Sendo a vida, para Schopenhauer, apenas [[lexico:i:ilusao|ilusão]] e vaidade, a [[lexico:s:sabedoria|sabedoria]] só poderia consistir em renunciar. Simbolizava Buda o nirvana pela chama da vela que, apagada, não é mais chama, nada de chama. Desse [[lexico:m:modo|modo]], o nirvana era a extinção da [[lexico:i:individualidade|individualidade]], porque a chama, individualmente, não era mais. Nirvana é a ausência da [[lexico:c:consciencia|consciência]], que é dolorosa, a extinção da consciência na [[lexico:b:beatitude|beatitude]], liberada dos limites, no [[lexico:i:ilimitado|ilimitado]], é a consecução [[lexico:s:summum-bonum|summum bonum]], do supremo [[lexico:b:bem|Bem]], a cessação de todo sansara vide). Contudo, Buda sempre fez [[lexico:q:questao|questão]] de frisar que jamais havia pregado o mero nada. Dizia que, com maligna [[lexico:i:intencao|intenção]], haviam seus adversários afirmado que ele pregara o nada. O que na [[lexico:v:verdade|verdade]] pregara fora a extinção da dor, do [[lexico:s:sofrimento|sofrimento]], e esta só pode desaparecer quando desaparece o que limita, o que obstaculiza, e os limites são os obstáculos para a plenitude do [[lexico:s:ser|ser]]. Nirvana é, assim, a [[lexico:n:negatividade|negatividade]] de tudo o que limita, de toda crise. Vide crise.