===== NEO-ESCOLÁSTICA ===== Entende-se raramente por [[lexico:n:neo-escolastica|neo-escolástica]] a renovação da [[lexico:f:filosofia-e-teologia|filosofia e teologia]] escolásticas iniciada em meados do século XVI; na maioria dos casos, pretende-se significar o [[lexico:m:movimento|movimento]] escolástico dos séculos XIX e [[lexico:a:atual|atual]]. Pensam muitos [[lexico:n:nao|não]] [[lexico:s:ser|ser]] acertada tal [[lexico:d:denominacao|denominação]], porque facilmente pode dar a [[lexico:i:impressao|impressão]] de que se trata de mera ressurreição do antigo, quando, entanto, as intenções e tarefas, que a neo-escolás-tica se propõe, denotam muito maior alcance. Primeiramente, foi preciso retomar a corrente tradicional, quase desfeita na [[lexico:e:epoca|época]] do [[lexico:i:iluminismo|Iluminismo]], [[lexico:t:tarefa|tarefa]] essa empreendida primeiro na Itália por V. Buzzetti (+ 1824) e por seu discípulo S. Sordi (-)-1865), no [[lexico:s:sentido|sentido]] de um [[lexico:t:tomismo|tomismo]] [[lexico:p:puro|puro]], que mais e mais se impôs, diante de orientações mais ecléticas (Tongiorgi e outros). Na Alemanha, vários pensadores (como Fr. von Baader, A. Gunther, M. Deutinger) intentaram, na primeira metade do século XIX, renovar a [[lexico:f:filosofia-crista|filosofia cristã]], entabulando [[lexico:d:dialogo|diálogo]] com o rico patrimônio intelectual do [[lexico:i:idealismo-alemao|idealismo alemão]]. Entretanto, tais tentativas estavam condenadas a fracassar, porque eram empreendidas à margem da imponente [[lexico:t:tradicao|tradição]] da Idade Média cristã. Tornava-se [[lexico:n:necessario|necessário]] começar pelo [[lexico:r:retorno|retorno]] àquela tradição, retorno [[lexico:e:esse|esse]] sem [[lexico:d:duvida|dúvida]] menos propício para fazer [[lexico:o:obra|obra]] criadora, ao qual abriu [[lexico:c:caminho|caminho]] principalmente J. Kleutgen, com sua obra "Philosophie der Vorzeit" (1.a edição, 1860). A neo-escolástica recebeu forte [[lexico:i:impulso|impulso]] com a publicação da encíclica "Aeterni Patris" dè Leão XIII (1879) sobre a [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] de S. [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]]. Não obstante, durante o século XIX continuou preponderando a [[lexico:o:orientacao|orientação]] tradicional com fins escolares. [[lexico:a:alem|Além]] da corrente tomista, cultivou-se nomeadamente na Espanha, mas também na Alemanha e França, o [[lexico:s:suarezianismo|suarezianismo]]. Todavia, não se esqueça que nesta neo-escolástica se fizeram sentir igualmente [[lexico:i:ideias|ideias]] da [[lexico:e:escolastica|escolástica]] do século XVIII influenciada pelo [[lexico:r:racionalismo|racionalismo]]. Ultrapassando os limites da [[lexico:a:area|área]] escolar, a [[lexico:i:investigacao|investigação]] histórica da escolástica medieval foi cultivada principalmente na Alemanha (H. Denifle, Fr. Ehrle, Cl. Baeumker, M. Grabmann) e na França (P. Mandonnet, E. Gilson). A [[lexico:e:escola|escola]] franciscana (S. [[lexico:b:boaventura|Boaventura]], Scotus) foi também estudada com especial predileção (o centro principal destes estudos é o Colégio de S. Boaventura, em Quaracchi, perto de Florença, na Itália). Assim se foram salientando progressivamente o ingente [[lexico:e:esforco|esforço]] dos pensadores medievais e sua [[lexico:r:riqueza|riqueza]] de ideias e tentativas de solução dos problemas propostos. Tais investigações reabilitaram novamente a [[lexico:f:filosofia-medieval|filosofia medieval]]. Facilitam elas igualmente a tarefa de separar das condições histórico-temporais da época o que nessa filosofia há de perenemente válido. — O ulterior [[lexico:d:desenvolvimento|desenvolvimento]] sitemático realizou-se, procurando incorporar a [[lexico:m:moderna|moderna]] [[lexico:c:ciencia-natural|ciência natural]] e a [[lexico:p:psicologia|psicologia]] empírica. A [[lexico:a:assimilacao|assimilação]] dos novos conhecimentos por [[lexico:p:parte|parte]] da antiga [[lexico:f:filosofia-natural|filosofia natural]] e da psicologia filosófica exigiu reformas mais ou menos profundas em certos pontos de doutrina. Ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]], os progressos da [[lexico:f:fisiologia|fisiologia]] e da psicologia sensitiva fecunda-r am os estudos de [[lexico:c:critica|crítica]] do [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] ("[[lexico:r:realismo|realismo]] crítico"). Neste [[lexico:p:particular|particular]], merecem especial [[lexico:m:mencao|menção]] o "Institut Supérieur de Philosophie" de Lovaina, fundado por Desiré Joseph Mercier, que logo foi nomeado Cardeal, [[lexico:b:bem|Bem]] como os pensadores alemães, J. Geyser e J. Fröbes. — Mas, quando após um período de orientação positivista, que reduzia a filosofia quase exclusivamente a [[lexico:e:epistemologia|epistemologia]] ( [[lexico:n:neokantismo|neokantismo]]), pouco a pouco foi despertando, por fins do século, um filosofar dotado de conteúdo, os pensadores cristãos deram-se conta, cada vez mais claramente, de que a tarefa principal era a conciliação criadora com a [[lexico:f:filosofia-moderna|filosofia moderna]], e precisamente não só com a filosofia contemporânea, mas também com os grandes filósofos da Idade Moderna, sem os quais é absolutamente incompreensível o movimento filosófico atual. A [[lexico:t:tragedia|tragédia]] da escolástica moderna, de [[lexico:m:modo|modo]] especial a partir do século XVII, consistiu exatamente em não haver repercutido de maneira viva no [[lexico:a:ambiente|ambiente]] intelectual da época, com o que deixou que a filosofia "moderna" seguisse mais e mais seu [[lexico:p:proprio|próprio]] caminho, converten-do-se ela, a escolástica, em assunto puramente interno de seminários e de escolas de Ordens religiosas. O que S. Tomás realizou em [[lexico:r:relacao|relação]] a [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]], a [[lexico:a:avicena|Avicena]] e a Averróis, não o fez a escolástica relativamente aos pensadores da Idade Moderna. Contudo, se a filosofia escolástica quiser chegar a ser uma [[lexico:f:forca|força]] viva, deve instalar-se na [[lexico:p:problematica|problemática]] atual e desenvolver, dentro dela, de maneira original, as grandes ideias fundamentais que lhe são peculiares. Isto implica também que, juntamente com o [[lexico:c:carater|caráter]] comum de [[lexico:v:verdade|verdade]] perenemente válida, há de apresentar um cunho próprio em cada [[lexico:p:povo|povo]] particular. Se deve ser filosofia verdadeiramente católica, não pode, p. ex., ser imposta aos alemães com um [[lexico:e:estilo|estilo]] mental românico; com maior [[lexico:r:razao|razão]], não poderá ser aceita pelos povos do Extremo-Oriente sob uma [[lexico:f:forma|forma]] de cunho ocidental. A especial recomendação da filosofia de S. Tomás por parte da Igreja não se opõe à realização destas tarefas; os papas não se têm cansado de acentuar constantemente a [[lexico:n:necessidade|necessidade]] de uma "[[lexico:l:liberdade|liberdade]] [[lexico:r:razoavel|razoável]]". Não faltam importantes projetos, tendo em mira a solução dos problemas atuais. Recordemos os trabalhos histórico-filosóficos, p. ex., da Universidade Católica de Milão, fundada por A. Gemelli (F. Olgiati e outros), a entrada em contacto com a [[lexico:f:fenomenologia|fenomenologia]] e a [[lexico:f:filosofia-da-existencia|filosofia da existência]], a-tentativa, a um tempo, atrevida e discutida de J. Marechal de uma conciliação interna da [[lexico:m:metafisica-tomista|metafísica tomista]] do conhecimento com o [[lexico:m:metodo|método]] [[lexico:t:transcendental|transcendental]] de [[lexico:k:kant|Kant]], e as enciclopédias católicas para o Japão e China, que levarão também aos povos orientais o patrimônio intelectual da filosofia cristã, de maneira adequada à índole peculiar deles. — De Vries.