===== NATURAL-CIENTÍFICO ===== Como vimos em [[lexico:s:schleiermacher:start|Schleiermacher]], o [[lexico:m:modelo:start|modelo]] de sua [[lexico:h:hermeneutica:start|hermenêutica]] é a [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]] congenial [[lexico:p:possivel:start|possível]] de [[lexico:s:ser:start|ser]] alcançada na [[lexico:r:relacao:start|relação]] entre o [[lexico:e:eu:start|eu]] e o tu. A compreensão de textos tem a mesma [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] de [[lexico:a:adequacao:start|adequação]] total que a compreensão do tu. Pode-se [[lexico:v:ver:start|ver]] diretamente no [[lexico:t:texto:start|texto]] a [[lexico:o:opiniao:start|opinião]] do autor. O [[lexico:i:interprete:start|intérprete]] é absolutamente coetâneo com seu autor. Este é o triunfo do [[lexico:m:metodo:start|método]] filológico: conceber o [[lexico:e:espirito:start|espírito]] passado como presente, o espírito estranho como familiar. [[lexico:d:dilthey:start|Dilthey]] está totalmente compenetrado desse triunfo. Sobre isso fundamenta sua [[lexico:a:afirmacao:start|afirmação]] de que as [[lexico:c:ciencias-do-espirito:start|ciências do espírito]] possuem o mesmo padrão. Assim como o [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] [[lexico:n:natural-cientifico:start|natural-científico]] interroga algo presente sempre em relação a uma [[lexico:e:explicacao:start|explicação]] que é projetada nele, assim o investigador do espírito interroga os textos. [[lexico:v:verdade:start|verdade]] E MÉTODO SEGUNDA [[lexico:p:parte:start|parte]] 1. Isso representa uma provocação para a hermenêutica tradicional. É verdade que na [[lexico:l:lingua:start|língua]] alemã a compreensão (Verstehen) designa também um [[lexico:s:saber:start|saber]] fazer [[lexico:p:pratico:start|prático]] ("er versteht nicht zu lesen" "ele [[lexico:n:nao:start|não]] entende ler", o que significa tanto como: "ele fica perdido na [[lexico:l:leitura:start|leitura]]", ou seja, não sabe ler). Mas isso parece muito diferente do [[lexico:c:compreender:start|compreender]] orientado cognitivãmente no exercício da [[lexico:c:ciencia:start|ciência]]. Obviamente, se se olha mais detidamente, surgem traços comuns: nos dois significados aparece a [[lexico:i:ideia:start|ideia]] de conhecer, entender do assunto. E mesmo aquele que "compreende" um texto (ou mesmo uma [[lexico:l:lei:start|lei]]) não somente projetou-se a [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]] a um [[lexico:s:sentido:start|sentido]], comprendendo — no [[lexico:e:esforco:start|esforço]] do compreender — mas que a compreensão alcançada representa o [[lexico:e:estado:start|Estado]] de uma nova [[lexico:l:liberdade:start|liberdade]] espiritual. Implica a possibilidade de interpretar, detectar [[lexico:r:relacoes:start|relações]], extrair conclusões em todas as direções, que é o que constitui o entender do assunto dentro do terreno da compreensão dos textos. E isso vale também para aquele que entende de uma [[lexico:m:maquina:start|máquina]], isto é, aquele que entende de [[lexico:c:como-se:start|como se]] deve tratar com ela, ou aquele que entende de um ofício, ferramenta: admitindo-se que a compreensão racional-finalista está sujeita a normas diferentes do que, p. ex., a compreensão de externalizações da [[lexico:v:vida:start|vida]] ou textos, [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] verdade é que [[lexico:t:todo:start|todo]] compreender acaba sendo um compreender-se. Enfim, também a compreensão de expressões se refere não somente à captação imediata do que contém a [[lexico:e:expressao:start|expressão]], mas também ao descobrimento do que há para [[lexico:a:alem:start|além]] da [[lexico:i:interioridade:start|interioridade]] oculta, de maneira que se chega a conhecer [[lexico:e:esse:start|esse]] [[lexico:o:oculto:start|oculto]]. Mas isso significa que [[lexico:a:a-gente:start|a gente]] tem de se haver com isso. Nesse sentido vale para todos os casos que aquele que compreende se compreende, projeta-se a si mesmo rumo à possibilidades de si mesmo. A hermenêutica tradicional havia estreitado, de uma maneira inadequada, o [[lexico:h:horizonte:start|horizonte]] de problemas a que pertence a compreensão. A ampliação que [[lexico:h:heidegger:start|Heidegger]] empreende, para além de Dilthey, será, por essa mesma [[lexico:r:razao:start|razão]], fecunda também para o [[lexico:p:problema:start|problema]] da hermenêutica. E verdade que já Dilthey havia rechaçado, para as ciências do espírito, os métodos das ciências da [[lexico:n:natureza:start|natureza]], e que [[lexico:h:husserl:start|Husserl]] havia qualificado de "absurda" a aplicação do [[lexico:c:conceito:start|conceito]] natural-científico de [[lexico:o:objetividade:start|objetividade]] às ciências do espírito, estabelecendo a [[lexico:r:relatividade:start|relatividade]] [[lexico:e:essencial:start|essencial]] de todo [[lexico:m:mundo:start|mundo]] [[lexico:h:historico:start|histórico]] e de todo conhecimento histórico. Porém [[lexico:a:agora:start|agora]] torna-se visível pela primeira vez a [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] da compreensão histórica em toda sua fundamentação [[lexico:o:ontologica:start|ontológica]], sobre a base da futuridade [[lexico:e:existencial:start|existencial]] da pre-sença humana. VERDADE E MÉTODO SEGUNDA PARTE 1. Isso é exatamente o que se tem de reter para a [[lexico:a:analise:start|análise]] da [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] da [[lexico:h:historia:start|história]] efeitual: que ela tem a estrutura da [[lexico:e:experiencia:start|experiência]]. Por paradoxal que seja, o conceito da experiência me parece um dos menos que possuímos. Devido ao papel orientador que desempenha na [[lexico:l:logica:start|lógica]] da [[lexico:i:inducao:start|indução]], para as ciências da natureza, viu-se submetido a uma esquematização epistemológica que me parece encurtar amplamente seu conteúdo originário. Gostaria de recordar que já Dilthey acusava, no [[lexico:e:empirismo-ingles:start|empirismo inglês]], uma certa [[lexico:f:falta:start|falta]] de [[lexico:f:formacao:start|formação]] histórica. Para nós, que detectamos em Dilthey uma vacilação não explícita entre o [[lexico:m:motivo:start|motivo]] da "[[lexico:f:filosofia-da-vida:start|filosofia da vida]]" e o da [[lexico:t:teoria-da-ciencia:start|Teoria da Ciência]], essa nos parece somente uma [[lexico:c:critica:start|crítica]] pela metade. De [[lexico:f:fato:start|fato]], a deficiência da [[lexico:t:teoria:start|teoria]] da experiência, que constatamos até hoje, e que afeta também a Dilthey, consiste em que ela está integralmente orientada para a ciência e, por conseguinte, não percebe a [[lexico:h:historicidade:start|historicidade]] interna da experiência. O escopo da ciência é objetivar a experiência até que fique livre de qualquer [[lexico:m:momento:start|momento]] histórico. No [[lexico:e:experimento:start|experimento]] natural-científico consegue-se isso através do [[lexico:m:modo:start|modo]] de seu aparato metodológico. Algo parecido realiza também o método histórico-crítico nas ciências do espírito. Num e noutro caso a objetividade ficaria garantida pelo fato de que as experiências que jazem ali poderiam ser repetidas por qualquer [[lexico:p:pessoa:start|pessoa]]. Tal como na ciência da natureza os experimentos têm de ser possíveis de comprovação posterior, também nas ciências do espírito o procedimento completo tem que ser passível de controle. Nesse sentido, na ciência não pode restar [[lexico:l:lugar:start|lugar]] para a historicidade da experiência. VERDADE E MÉTODO SEGUNDA PARTE 2. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}