===== NATORP ===== NATORP (Paul Gérard), [[lexico:f:filosofo|filósofo]] alemão (Dusseldorf 1854 — Marburgo 1924). Professor da Universidade de Marburgo, tomou [[lexico:p:parte|parte]] num [[lexico:m:movimento|movimento]] que, contra a [[lexico:m:mistica|mística]] proveniente dos filósofos pós-kantianos ([[lexico:f:fichte|Fichte]], [[lexico:h:hegel|Hegel]]), preconizou o "[[lexico:r:retorno|retorno]] a [[lexico:k:kant|Kant]]". [[lexico:e:esse|esse]] movimento denomina-se "neo-kantismo" ou [[lexico:e:escola-de-marburgo|escola de Marburgo]]. As análises intelectuais de Natorp prolongam as de Lange, Zeller e sobretudo as de Hermann [[lexico:c:cohen|Cohen]]; preparam o [[lexico:c:caminho|caminho]] para a [[lexico:f:fenomenologia|fenomenologia]] de [[lexico:h:husserl|Husserl]]. Natorp é autor de, principalmente: A [[lexico:r:religiao|religião]] nos limites da [[lexico:h:humanidade|humanidade]] (1894), [[lexico:f:filosofia|Filosofia]], seu [[lexico:p:problema|problema]] é seus problemas, introdução ao [[lexico:i:idealismo|Idealismo]] critico (1911) e [[lexico:p:psicologia|psicologia]] [[lexico:g:geral|geral]] segundo o [[lexico:m:metodo|método]] crítico (1912). [[lexico:o:outro|outro]] prestigioso representante da [[lexico:e:escola|escola]] de Marburgo foi Paul Natorp (1854-1924), estudioso de amplos interesses, autor de A doutrina platônica das [[lexico:i:ideias|ideias]] (1903), de Os fundamentos lógicos das ciências exatas (1910) e também de escritos de [[lexico:p:pedagogia|pedagogia]], psicologia e [[lexico:p:politica|política]], como [[lexico:g:guerra|guerra]] epaz (1916) e A missão mundial dos alemães (1918). A [[lexico:e:exemplo|exemplo]] de Cohen, Natorp afirma que a filosofia [[lexico:n:nao|não]] é a [[lexico:c:ciencia|ciência]] das [[lexico:c:coisas|coisas]]: das coisas falam precisamente as ciências, ao passo que a filosofia é a [[lexico:t:teoria-do-conhecimento|teoria do conhecimento]]. Entretanto, a filosofia não estuda o [[lexico:p:pensamento|pensamento]] [[lexico:s:subjetivo|subjetivo]], ou seja, ela não indaga sobre a [[lexico:a:atividade|atividade]] cognoscente, sobre a atividade psíquica, e sim sobre conteúdos. E estes são determinações progressivas do [[lexico:o:objeto|objeto]]. Em Os fundamentos lógicos das ciências exatas, podemos ler que o [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] é [[lexico:s:sintese|síntese]] e a [[lexico:a:analise|análise]] consiste na inspecção das sínteses já efetuadas. Sínteses que devem [[lexico:s:ser|ser]] submetidas a reelaboração contínua de [[lexico:m:modo|modo]] a aperfeiçoar sempre mais as determinações dos objetos. Por isso, o objeto não é um [[lexico:d:dado|dado]], não é um [[lexico:p:ponto|ponto]] de partida, senão um ponto de chegada que se desloca sempre. Em [[lexico:s:suma|suma]], o obiectum é um proiectum: é conhecimento sempre mais determinado que se projeta sobre a [[lexico:r:realidade|realidade]]. E não há [[lexico:t:termo|termo]] para essa [[lexico:d:determinacao|determinação]]; portanto, o objeto está sempre in feri, é [[lexico:t:tarefa|tarefa]] infinita (Vanni-Rovighi). A realidade, portanto, não a constitui o [[lexico:i:indeterminado|indeterminado]], que não é [[lexico:n:nada|nada]] sem as suas determinações, nem estas se reduzem às determinações sempre provisórias. O [[lexico:r:real|real]] é muito mais o [[lexico:p:processo|processo]] do determinar. Natorp recorda a [[lexico:f:frase|frase]] do Fausto, de [[lexico:g:goethe|Goethe]], "Im Anfang war die Tat" ("no [[lexico:p:principio|princípio]] era a [[lexico:a:acao|ação]]") e escreve: "O processo e o método são tudo. Por conseguinte, o ‘[[lexico:f:fato|fato]]’ da ciência deve ser entendido somente como ‘fazer’, O que importa é o que se vai fazendo, não [[lexico:o:o-que-e|o que é]] fato. Só o [[lexico:f:fieri|fieri]] é o fato: [[lexico:t:todo|todo]] o ser que a ciência procura estabelecer (fest-stellen) deve se resumir de novo na corrente do [[lexico:d:devir|devir]]". Cohen também afirmara que a atividade do pensamento está no julgar e que julgar é produzir. E também afirmara que o "dado", como fica claro na [[lexico:m:matematica|matemática]], não é um material bruto que se oferece ao pensamento, mas sim aquilo que o pensamento pode encontrar. Entretanto, diferentemente de Cohen, Natorp não restringe a [[lexico:r:reflexao|reflexão]] à [[lexico:e:experiencia|experiência]] físico-matemática, mas a exige também para a experiência [[lexico:m:moral|moral]], a [[lexico:e:estetica|estética]] ou a religiosa. Mas, como veremos dentro em pouco, o [[lexico:d:desenvolvimento|desenvolvimento]] dessa ampliação realizá-lo-ia Ernst [[lexico:c:cassirer|Cassirer]]. Ainda um [[lexico:u:ultimo|último]] ponto importante: deixando de lado aqui o seu [[lexico:v:valor|valor]] historiográfico, a [[lexico:i:interpretacao|interpretação]] que Natorp dá da doutrina platônica das Ideias está em plena [[lexico:c:coerencia|coerência]] com a sua filosofia. Para Natorp, as Ideias de [[lexico:p:platao|Platão]] não são o que a [[lexico:t:tradicao|tradição]] interpretativa, iniciada por [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]], pretendia que fossem, isto é, objetos, supercoisas fixas. Não, as Ideias de Platão não são objetos ou supercoisas: "A [[lexico:i:ideia|ideia]] expressa o termo, o ponto situado no [[lexico:i:infinito|infinito]], para o qual estão voltados os caminhos da experiência; ela, por conseguinte, é a [[lexico:l:lei|lei]] do procedimento científico". A Ideia é [[lexico:i:ideal|ideal]] [[lexico:n:normativo|normativo]].