===== MUNDO ===== VIDE [[lexico:k:kosmos|kosmos]] (gr. kosmos; lat. mundus; in. World; fr. Monde, al. Welt; it. Mondo). Por este [[lexico:t:termo|termo]] pode-se entender: d) a [[lexico:t:totalidade|totalidade]] das [[lexico:c:coisas|coisas]] existentes , e neste [[lexico:s:sentido|sentido]] essa [[lexico:p:palavra|palavra]] é empregada sem adjetivos; b) a totalidade de um [[lexico:c:campo|campo]] ou mais de [[lexico:i:investigacao|investigação]], [[lexico:a:atividade|atividade]] ou [[lexico:r:relacoes|relações]], como quando se diz "mundo [[lexico:f:fisico|físico]]", "mundo [[lexico:h:historico|histórico]]", "mundo [[lexico:a:artistico|artístico]]" ou "mundo dos negócios", [[lexico:b:bem|Bem]] como "mundo [[lexico:s:sensivel|sensível]]" (captável pelos órgãos dos sentidos) ou "mundo intelectual" (captável com instrumentos intelectuais); neste sentido, fala-se também em "mundo [[lexico:a:ambiente|ambiente]]" para indicar o conjunto das relações de um [[lexico:s:ser|ser]] vivo com as coisas que o circundam ou a [[lexico:s:situacao|situação]] em que se encontra, mas a palavra [[lexico:n:nao|não]] tem [[lexico:s:significado|significado]] diferente de ambiente ; c) a totalidade de uma [[lexico:c:cultura|cultura]], como quando se diz "mundo antigo", "mundo [[lexico:m:moderno|moderno]]", "mundo [[lexico:p:primitivo|primitivo]]" ou "mundo civilizado"; d) uma totalidade geográfica, como quando se diz "Novo mundo", para designar a [[lexico:a:america|América]], ou "Velho mundo", para designar o "continente antigo"; é) a totalidade daquilo que é estranho à [[lexico:r:religiao|religião]]; neste sentido, essa palavra é constantemente empregada no Novo Testamento (Matth., 4, 8; XVI, In. Joann., I, 10; VII, 7; XII, 31; etc), e a "[[lexico:s:sabedoria|sabedoria]] do mundo" é contraposta, como insensatez, à sabedoria de [[lexico:d:deus|Deus]] (ICor, I, 20). A [[lexico:n:nocao|noção]] de mundo neste [[lexico:u:ultimo|último]] sentido é comum a todos os escritores cristãos; faz-se [[lexico:r:referencia|referência]] a ela quando se dá o [[lexico:n:nome|nome]] de "sábios do mundo" a [[lexico:q:quem|quem]] "utiliza a [[lexico:r:razao|razão]] [[lexico:n:natural|natural]]", como faz Ockham (Summa log., III, 1). Destes significados, os mais especificamente filosóficos são os dois primeiros, que se refletem em todos os outros. O significado (d) é puramente amplificativo ou retórico; o significado (e) é puramente [[lexico:r:religioso|religioso]]. Assim, é [[lexico:p:possivel|possível]] distinguir três [[lexico:c:conceitos|conceitos]] fundamentais de mundo: 1) mundo como [[lexico:o:ordem|ordem]] total; 2) mundo como totalidade absoluta; 3) mundo como totalidade de campo. Os significados 1) e 2) são articulações do significado a); o significado 3) é o significado (b). 1) Diz-se que [[lexico:p:pitagoras|Pitágoras]] foi o primeiro a chamar o mundo de [[lexico:c:cosmo|cosmo]], para ressaltar sua ordem (J. Stobeo, Ecl, 21, 450; Fr. 21, Diels); o certo é que essa é a [[lexico:i:interpretacao|interpretação]] desse [[lexico:c:conceito|conceito]] que prevalece na [[lexico:f:filosofia-grega|filosofia grega]]. É aceita por [[lexico:p:platao|Platão]] ([[lexico:g:gorg|Górg]]., 508 a). [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]], que faz a [[lexico:d:distincao|distinção]] entre o [[lexico:t:todo|todo]] (to pan), cujas partes podem dispor-se de maneiras diferentes, e a totalidade (to hollon), cujas partes têm posições fixas (Met., V, 26, 1024 a 1), diz a propósito do mundo: "Se a totalidade do [[lexico:c:corpo|corpo]], que é um [[lexico:c:continuo|contínuo]], está ora numa ordem ou numa [[lexico:d:disposicao|disposição]], ora em outra, e se a [[lexico:c:constituicao|constituição]] da totalidade é um mundo ou um [[lexico:c:ceu|céu]], então não será o mundo que se gera e se destrói, mas apenas suas disposições" (De cael, I, 10, 280 a 19). Aristóteles pretende dizer neste trecho que o mundo é a constituição (ou [[lexico:e:estrutura|estrutura]]) da totalidade (sua ordem) e que tal constituição ou estrutura permanece a mesma a menos que suas partes se disponham diferentemente. Isso equivale a definir o mundo como a ordem imutável do [[lexico:u:universo|universo]]. Analogamente, os estoicos faziam a distinção entre universo (to pan) como totalidade de todas as coisas existentes, inclusive o [[lexico:v:vacuo|vácuo]], e mundo, considerado como "o [[lexico:s:sistema|sistema]] do céu e da [[lexico:t:terra|Terra]] e dos seres que estão neles" e nesse sentido o mundo é Deus (J. Stobeo, Ecl, I, 421, 42 ss.). Esta interpretação do mundo prevaleceu na [[lexico:a:antiguidade|antiguidade]] e foi adotada pela [[lexico:f:filosofia-crista|filosofia cristã]] que nela encontrava um [[lexico:p:ponto|ponto]] de partida oportuno para as demonstrações da [[lexico:e:existencia-de-deus|existência de Deus]] (cf., p. ex., [[lexico:a:agostinho|Agostinho]], De ordine, I, 2). Entrou em crise só quando a noção de ordem começou a incorporar-se à de [[lexico:n:natureza|natureza]], mais que à de mundo: o conceito de totalidade passou a [[lexico:t:ter|ter]] primazia. 2) Os primeiros a expor o conceito de mundo como totalidade que abarca todas as coisas foram os epicuristas. [[lexico:e:epicuro|Epicuro]] dizia: "O mundo é a circunferência do céu que abrange os astros, a terra e todos os fenômenos" (Dióg., L., X, 88). Mas foi só na [[lexico:f:filosofia-moderna|filosofia moderna]] que [[lexico:e:esse|esse]] conceito prevaleceu, superando completamente o mais antigo, de mundo como ordem. [[lexico:l:leibniz|Leibniz]] diz: "Chamo de mundo toda a [[lexico:s:serie|série]] e toda a coleção de todas as coisas existentes, para que não se diga que podem [[lexico:e:existir|existir]] vários mundo em diferentes tempos e [[lexico:l:lugares|lugares]]. De [[lexico:f:fato|fato]], seria preciso contá-los todos juntos como um só mundo ou, se preferis, como um só universo" (Theod., I, § 8). Desse ponto de vista, o mundo é "o conjunto total das coisas contingentes" (Ibid., I, § 7); a elaboração posterior desse conceito insistiu especialmente nesse conceito de totalidade absoluta. Portanto, as noções de universo e de mundo, que os antigos tendiam a distinguir, são consideradas coincidentes. [[lexico:w:wolff|Wolff]] diz: "A série dos entes finitos, tanto simultâneos quanto sucessivos, mas, interconexos, é chamada de mundo ou também de universo" (Cosm., § 48). Baumgarten esclarece melhor o sentido de totalidade absoluta, afirmando que ela não pode ser [[lexico:p:parte|parte]] de outra totalidade: "O mundo é a série (a [[lexico:m:multidao|multidão]], a totalidade) dos finitos reais que não é parte de outra série" (Met., § 354). Essa [[lexico:d:determinacao|determinação]] é repetida por Crusius: "O mundo é um concatenamento [[lexico:r:real|real]] de coisas finitas, de tal [[lexico:m:modo|modo]] que não é parte de [[lexico:o:outro|outro]], ao qual pertença em [[lexico:v:virtude|virtude]] de um concatenamento real" (Entwurf der notwendigen Vernunft-Wahrheiten, 1745, § 350). E este o conceito criticado na [[lexico:d:dialetica|dialética]] [[lexico:t:transcendental|transcendental]] de [[lexico:k:kant|Kant]]. Kant observava que a palavra mundo, "no sentido transcendental de totalidade absoluta do conjunto das coisas existentes", indica uma totalidade incondicionada porque deve incluir todas as condições da série (Crít. R. Pura, [[lexico:a:antinomia|antinomia]] da [[lexico:r:razao-pura|razão pura]], seç. 1). Isso supõe que o [[lexico:r:regresso|regresso]] do condicionado à [[lexico:c:condicao|condição]], que pode prosseguir infinitamente, seja esgotado e cumprido até [[lexico:c:compreender|compreender]] todas as condições; e como a totalidade das condições é o [[lexico:i:incondicionado|incondicionado]], a completitude do regresso equivaleria à [[lexico:c:compreensao|compreensão]] do incondicionado. Mas é precisamente aí que, segundo Kant, está o [[lexico:e:erro|erro]] dialético incluído no conceito de mundo, visto assumir-se o condicionado em dois sentidos: no sentido de conceito intelectual aplicado a [[lexico:s:simples|simples]] fenômenos e no sentido transcendental de [[lexico:c:categoria|categoria]] pura. Em outras [[lexico:p:palavras|palavras]], da exigência de condição sempre nova (empírica) na série dos fenômenos passa-se à exigência da totalidade das condições, que é o incondicionado ou mundo, não mais [[lexico:e:empirico|empírico]] (Ibid., seç. 7). Portanto, não é de surpreender que a noção de mundo, fundada como está num procedimento sofistico, dê [[lexico:l:lugar|lugar]] a [[lexico:a:antinomias|antinomias]] insolúveis que dizem [[lexico:r:respeito|respeito]] à [[lexico:f:finitude|finitude]] ou à infinidade do mundo, a seu início ou não no [[lexico:t:tempo|tempo]], à [[lexico:e:existencia|existência]] nele ou não de partes simples e à [[lexico:p:presenca|presença]] ou [[lexico:a:ausencia|ausência]] de [[lexico:l:liberdade|liberdade]] (v. [[lexico:a:antinomias-kantianas|antinomias kantianas]]). Segundo Kant, só se chega à solução de tais antinomias renunciando-se à noção de mundo ou considerando tal noção simplesmente como uma [[lexico:r:regra|regra]] do [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] empírico, mais precisamente a que "exige o regresso na série das condições dos dados fenomênicos, regresso no qual nunca seja possível deter-se em algo absolutamente incondicionado" (Ibid., seç. 8). Desse ponto de vista, o mundo não é uma [[lexico:r:realidade|realidade]], mas "um [[lexico:p:principio|princípio]] [[lexico:r:regulador|regulador]] da razão". Pode-se dizer que essa [[lexico:c:critica|crítica]] de Kant foi decisiva. É bem [[lexico:v:verdade|verdade]] que tem sido esquecida não só pelas doutrinas que constituem resquícios da [[lexico:m:metafisica|metafísica]] teológica, mas também pelas doutrinas cosmológicas modernas, que se dizem "científicas" e especulam sobre o mundo e sua [[lexico:c:criacao|criação]] (v. cosmologia). Mas também é verdade que essas doutrinas logo se chocam com antinomias insolúveis, que reproduzem as kantianas, assim que recorrem ao conceito do mundo como totalidade absoluta. Na realidade aquilo de que a [[lexico:c:ciencia|ciência]] pode [[lexico:f:falar|falar]] é apenas o mundo observável, entendido como "o mais abrangente conjunto de objetos astronômicos que possa ser identificado com a ajuda dos instrumentos disponíveis em dada [[lexico:e:epoca|época]]" (mundo K. Munitz, Space, Time and Creation, 1957, p. 93). Mas neste sentido o mundo é uma totalidade de campo, não uma totalidade absoluta. 3) A terceira interpretação do conceito de mundo, que está de [[lexico:a:acordo|acordo]] com a crítica kantiana, identifica-se com a que enunciamos como significado (b): o mundo é a totalidade de um campo ou de vários campos de atividade, investigação ou relações. Desse ponto de vista, a palavra mundo, sem adjetivos, não designa uma totalidade absoluta, mas simplesmente o conjunto de um campo específico estudado pelo astrônomo ou pelo cosmologista. Nesse sentido, a palavra é perfeitamente análoga àquilo que a "[[lexico:m:materia|matéria]]" é para o físico ou a "[[lexico:v:vida|vida]]" é para o biólogo: indica um campo genérico, determinado pela convergência ou pela sobreposição de determinado [[lexico:g:grupo|grupo]] de técnicas de [[lexico:p:pesquisa|pesquisa]] (mundo K. Munitz, op. cit., p. 69). Em [[lexico:g:geral|geral]], desse ponto de vista, pode-se dizer que a noção designa "um conjunto de campos definidos por técnicas relativamente compatíveis e em alguma [[lexico:m:medida|medida]] convergentes. Podemos assim falar de ‘mundo natural’, como conjunto de campos cobertos pelas ciências naturais, na medida em que suas técnicas são relativamente compatíveis e convergentes; ou de ‘mundo histórico’, como conjunto de campos em que podem ser empregadas as técnicas da investigação historiográfica, etc." ([[lexico:a:abbagnano|Abbagnano]], Possibilita e liberta, 1956, pp. 154-55). A esta mesma noção está ligada a de [[lexico:h:heidegger|Heidegger]], aceita pela [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] [[lexico:e:existencialista|existencialista]], de mundo como campo constituído pelas relações do [[lexico:h:homem|homem]] com as coisas e com os outros homens. Heidegger diz: "É tão errôneo utilizar a palavra mundo para designar a totalidade das coisas naturais (conceito do mundo naturalista) quanto para indicar a [[lexico:c:comunidade|comunidade]] dos homens (conceito personalista). O que de metafisicamente [[lexico:e:essencial|essencial]] contém o significado mais ou menos claro de mundo é que este visa à interpretação do [[lexico:d:dasein|Dasein]] [[lexico:h:humano|humano]] em seu relacionar-se com o [[lexico:e:ente|ente]] em seu conjunto" (Vom [[lexico:w:wesen|Wesen]] des Grandes, 1929, I; trad. it., p. 53). Obviamente, desse ponto de vista, a palavra mundo faz parte integrante da [[lexico:e:expressao|expressão]] "[[lexico:s:ser-no-mundo|ser-no-mundo]]", que designa o modo de ser do homem "situado no [[lexico:m:meio|meio]] do ente e relacionando-se com ele", ou seja, em [[lexico:r:relacao|relação]] essencial com as coisas e com os outros homens. Nesse caso, mundo significa o conjunto de relações entre o homem e os outros seres: a totalidade de um campo de relações (v. todo; universo). O conjunto de tudo o que existe. — A noção do "mundo", que até o século XVIII (até Kant) designava o conjunto da criação, oposto a Deus, possui atualmente dois sentidos fundamentais: 1.° o conjunto dos objetos que constituem o universo físico é o mundo material, [[lexico:o:objeto|objeto]] da ciência; 2.° o conjunto das relações humanas que constituem a [[lexico:h:humanidade|humanidade]]; é o mundo no sentido "[[lexico:e:existencial|existencial]]", em [[lexico:o:oposicao|oposição]] ao universo físico. É o mundo das relações humanas que Kant, na [[lexico:h:hipotese|hipótese]] de que todas essas relações exprimissem uma [[lexico:i:intencao|intenção]] [[lexico:m:moral|moral]] e puramente [[lexico:r:racional|racional]], denominaria o "mundo [[lexico:i:inteligivel|inteligível]]". Na filosofia de Heidegger, a noção de "mundo" tomou um sentido [[lexico:p:particular|particular]], pois designa a "abertura" do [[lexico:i:individuo|indivíduo]] para a [[lexico:l:luz|luz]] em geral (que é tanto a luz [[lexico:f:fisica|física]] quanto a espiritual), em oposição à obscuridade da "terra" (que designa o enraizamento do ser em seu meio físico e histórico). O termo mundo foi utilizado filosoficamente para designar: a) o conjunto de todas as coisas; b) o conjunto de todas as coisas criadas; c) o conjunto de entidades de uma [[lexico:c:classe|classe]] (o mundo das [[lexico:i:ideias|ideias]], o mundo das coisas físicas). No primeiro sentido foi o que predominou entre os antigos. Mas ainda dentro deste sentido, deram-se várias definições de mundo. Por vezes, mundo designa a ordem do ser. É o significado de mundo entre os pitagóricos. Mas ainda dentro do conceito de ordem ou mundo ordenado, podem encontrar-se várias formas. Foram predominantes duas delas: a do mundo sensível e a do mundo inteligível. Estes dois [[lexico:m:mundos|mundos]] apresentam muitas vezes como contrapostos. Mas reconheceu-se, ao mesmo tempo, que há uma [[lexico:u:unidade|unidade]] que os fundamenta e que os torna possíveis como distintos, a existência humana. Com [[lexico:e:efeito|efeito]], cada um deles se define pela relação em que se encontra relativamente ao homem, que habitualmente está submerso no mundo sensível, mas que vive em contínua [[lexico:t:transcendencia|transcendência]] para o mundo do [[lexico:p:pensamento|pensamento]] e das coisas verdadeiras. No cristianismo, persiste a oposição entre os mundos, mas sob um [[lexico:c:carater|caráter]] peculiar, a que chega a destruir as bases da concepção antiga. O mundo como tal parece identificar-se com este mundo. [[lexico:i:independente|independente]] a ele, mas ao mesmo tempo relacionado com ele como criação sua, está o mundo de Deus. [[lexico:e:estar-no-mundo|estar no mundo]], [[lexico:v:viver|viver]] no mundo, significa, segundo ele, viver aqui em baixo, quer no [[lexico:p:pecado|pecado]], e nesse caso este mundo é o objeto mais direto do [[lexico:a:amor|amor]] do homem, quer em [[lexico:e:estado|Estado]] de [[lexico:g:graca|graça]], e nesse caso a [[lexico:a:alma|alma]] humana transcende do mundo para se dirigir a Deus. Esta transcendência do mundo não significa, de modo algum, a sua aniquilação. o amor a Deus não se contrapõe, como claramente se vê em [[lexico:s:santo|santo]] Agostinho, ao amor ao mundo: pelo contrário, é possível “amar a Deus no mundo”, tal como é possível “amar o mundo em Deus”. É o ponto de vista de Deus aquele que pode justificar este mundo e convertê-lo, inclusive, em objeto de amor por um meio [[lexico:d:divino|divino]]. Em todo o caso, a relação entre o mundo e Deus é um dos temas capitais do pensamento cristão. O termo mundo designa também um todo ao mesmo tempo completo e [[lexico:f:finito|finito]], um [[lexico:v:verdadeiro|verdadeiro]] [[lexico:c:composto|composto]]. Nesse caso, o mundo designa uma [[lexico:s:soma|soma]] de seres existentes ou, como diz Leibniz, toda série e toda a coleção de todas as coisas existentes para que não se diga que podiam existir diversos mundos em diferentes tempos e em diferentes lugares ([[lexico:t:teodiceia|Teodiceia]]). O mundo assim entendido é o objeto da cosmologia.. Esta cosmologia trata do mundo como um todo, da sua [[lexico:o:origem|origem]] e composição, ao contrário das ciências que tratam de partes determinadas do mundo. Kant enfrentou o [[lexico:p:problema|problema]] da cosmologia racional ao [[lexico:p:por|pôr]] a [[lexico:q:questao|questão]] da [[lexico:s:significacao|significação]] do mundo. Conforme indica Kant, existem duas expressões: mundo e Natureza, que, por vezes, coincidem. Contudo, enquanto mundo pode usar-se mais propriamente para designar “a soma total de todas as aparências e a totalidade da sua [[lexico:s:sintese|síntese]]”, natureza pode usar-se para designar o [[lexico:p:proprio|próprio]] mundo anterior como um todo [[lexico:d:dinamico|dinâmico]]. Para Kant, é [[lexico:i:impossivel|impossível]] falar acerca do mundo como um todo dinâmico sem ultrapassar os limites da [[lexico:e:experiencia|experiência]] possível. Em [[lexico:s:suma|suma]], não podemos determinar por meio da razão pura se o mundo teve ou não um [[lexico:c:comeco|começo]] no [[lexico:e:espaco|espaço]] e no tempo e se é ou não composto de partes simples: tanto a [[lexico:t:tese|tese]] como a [[lexico:a:antitese|antítese]] podem demonstrar-se igualmente. A [[lexico:i:ideia|ideia]] cósmica é, para este autor, uma ideia demasiado ampla ou demasiado restrita para que possamos aplicar-lhe os conceitos do [[lexico:e:entendimento|entendimento]] (as [[lexico:c:categorias|categorias]]).Contudo, pode ser considerada como uma ideia reguladora, uma vez que todo o falar acerca dos conteúdos do mundo pressupõe de certo modo uma ideia do mundo, a qual pode orientar a investigação. A ideia do mundo como totalidade foi tratada por muitos filósofos depois de Kant. Alguns equipararam o conceito do mundo ao conceito da realidade. Outros entenderam o mundo como uma realidade objetiva, correlativa ou, consoante os casos, contraposta ao [[lexico:e:eu|eu]]. Continuou a falar-se de diversos mundos ou de diversos conceitos de mundo. O conceito de mundo foi investigado filosoficamente de novo, como um conceito muito central na filosofia por vários autores contemporâneos.