===== MOTIVOS ===== Motiven A [[lexico:v:vontade|vontade]], como foi [[lexico:d:dito|dito]], dá [[lexico:s:sinal|sinal]] de si nos movimentos voluntários do [[lexico:c:corpo|corpo]] como a [[lexico:e:essencia|essência]] em si deles, isto é, aquilo que o corpo é tirante o [[lexico:f:fato|fato]] de [[lexico:s:ser|ser]] [[lexico:o:objeto|objeto]] de [[lexico:i:intuicao|intuição]], [[lexico:r:representacao|representação]]. Os movimentos do corpo [[lexico:n:nao|não]] passam da visibilidade dos atos isolados da vontade, surgindo imediata e simultaneamente com estes, constituindo com eles uma única e mesma [[lexico:c:coisa|coisa]], diferenciando-se deles, no entanto, apenas pela [[lexico:f:forma|forma]] da cognoscibilidade que adquiriram ao se tornarem representação. Esses atos da vontade sempre têm um [[lexico:f:fundamento|fundamento]] [[lexico:e:exterior|exterior]] a si nos motivos. Estes, todavia, só determinam o que [[lexico:e:eu|eu]] quero NESTE [[lexico:t:tempo|tempo]], NESTE [[lexico:l:lugar|lugar]], sob ESTAS circunstâncias, não QUE eu quero em [[lexico:g:geral|geral]] ou O QUE eu quero em geral, ou seja, as máximas que caracterizam [[lexico:t:todo|todo]] o meu querer. Em [[lexico:v:virtude|virtude]] disso, a essência toda de meu querer não é explanável por motivos, já que estes determinam exclusivamente sua [[lexico:e:exteriorizacao|exteriorização]] em [[lexico:d:dado|dado]] [[lexico:p:ponto|ponto]] do tempo, são meramente a [[lexico:o:ocasiao|ocasião]] na qual minha vontade se mostra. A vontade mesma, ao contrário, encontra-se fora do domínio da [[lexico:l:lei|lei]] de [[lexico:m:motivacao|motivação]]: apenas seu [[lexico:f:fenomeno|fenômeno]] em dado ponto do tempo é necessariamente determinado por tal lei. Assim, só ao fazer a [[lexico:p:pressuposicao|pressuposição]] de meu [[lexico:c:carater|caráter]] [[lexico:e:empirico|empírico]] é que o [[lexico:m:motivo|motivo]] é fundamento suficiente de explanação de meu agir. Se, contudo, abstraio o meu caráter e pergunto por que em geral quero isso e não aquilo, então resposta alguma é [[lexico:p:possivel|possível]], justamente porque apenas o FENÔMENO da vontade está submetido ao [[lexico:p:principio|princípio]] de [[lexico:r:razao|razão]], não ela mesma, que, nesse [[lexico:s:sentido|sentido]], é para ser denominada SEM-FUNDAMENTO. Acerca desse [[lexico:t:tema|tema]] pressuponho em [[lexico:p:parte|parte]] a doutrina de [[lexico:k:kant|Kant]] sobre a [[lexico:d:diferenca|diferença]] entre caráter empírico e [[lexico:i:inteligivel|inteligível]], e as elucidações que lhe são pertinentes presentes no meu Problemas fundamentais da [[lexico:e:etica|ética]], p.48-58, e de novo p.178 ss. da primeira edição; em parte, porém, abordaremos detalhadamente o assunto no quarto livro da presente [[lexico:o:obra|obra]]. No [[lexico:m:momento|momento]], porém, apenas gostaria de observar que o fato de um fenômeno ser fundamentado por [[lexico:o:outro|outro]] (no presente caso o agir ser fundamentado por motivos) de [[lexico:m:modo|modo]] algum coloca em [[lexico:q:questao|questão]] sua essência em si como vontade, que, nela mesma, não tem fundamento, na [[lexico:m:medida|medida]] em que o princípio de razão, em todas as suas figuras, é mera forma de [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]], estendendo sua [[lexico:v:validade|validade]] apenas à representação, ao fenômeno, à visibilidade da vontade, não à vontade mesma que se torna visível. Assim, se cada [[lexico:a:acao|ação]] de meu corpo é fenômeno de um [[lexico:a:ato|ato]] volitivo, no qual minha vontade mesma, portanto meu caráter, expressa-se em geral e no todo sob certos motivos, então o [[lexico:p:pressuposto|pressuposto]] e a [[lexico:c:condicao|condição]] absolutamente necessária daquela ação têm de ser também fenômeno da vontade, pois o aparecimento desta não pode depender de algo que não exista imediata e exclusivamente mediante ela, que, portanto, seja-lhe simplesmente [[lexico:c:contingente|contingente]]: com o que seu aparecimento mesmo seria casual. Aquela condição, no entanto, é todo o corpo mesmo. Este, portanto, já tem de ser fenômeno da vontade, e relacionar-se com minha vontade em seu todo, isto é, com meu caráter inteligível, cujo fenômeno no tempo é meu caráter empírico, da mesma forma que a ação isolada do corpo se relaciona com o ato isolado da vontade. Logo, todo o corpo não tem de ser outra coisa senão minha vontade que se torna visível, tem de ser a minha vontade mesma na medida em que esta é objeto intuível, representação da primeira [[lexico:c:classe|classe]]. — Em [[lexico:c:confirmacao|confirmação]] de tudo isso, recorde-se que toda ação sobre o corpo afeta simultânea e imediatamente a vontade e, nesse sentido, chama-se [[lexico:d:dor|dor]] ou [[lexico:p:prazer|prazer]], ou, em graus menores, [[lexico:s:sensacao|sensação]] agradável ou desagradável; inversamente, todo [[lexico:m:movimento|movimento]] veemente da vontade, portanto todo [[lexico:a:afeto|afeto]] e [[lexico:p:paixao|paixão]], abala o corpo e perturba o curso de suas funções. — Sem [[lexico:d:duvida|dúvida]], é possível fornecer uma explanação etiológica, embora bastante imperfeita, da [[lexico:o:origem|origem]] e da conservação de meu corpo, e melhor ainda de seu [[lexico:d:desenvolvimento|desenvolvimento]]: neste caso se tem justamente a [[lexico:f:fisiologia|fisiologia]]. Só que a fisiologia explica seu objeto exatamente como os motivos explicam a ação. Por conseguinte, assim como a fundamentação da ação isolada a partir de motivos e de sua [[lexico:c:consequencia|consequência]] necessária não coloca em questão o fato de que o agir em geral, segundo seu ser, é apenas fenômeno de uma vontade em si mesma sem-fundamento, assim também a explanação fisiológica da [[lexico:f:funcao|função]] do corpo pouco compromete a [[lexico:v:verdade|verdade]] filosófica de que toda a [[lexico:e:existencia|existência]] do corpo e a [[lexico:s:serie|série]] total de suas funções é somente a [[lexico:o:objetivacao|objetivação]] daquela vontade, que aparece em [[lexico:a:acoes|ações]] exteriores desse mesmo corpo segundo motivos. [Schopenhauer, MVR1:164-166]