===== MÉTODO COMPARATIVO ===== Pode [[lexico:s:ser|ser]] definido como um [[lexico:p:processo|processo]] cognitivo pelo qual nos esforçamos por [[lexico:c:compreender|compreender]] um [[lexico:f:fenomeno|fenômeno]] pela confrontação de situações diferentes em que ele aparece. A comparação está no [[lexico:p:principio|princípio]] de [[lexico:t:todo|todo]] o [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]]: é de facto por comparação que o [[lexico:h:homem|homem]] adquire os pontos de [[lexico:r:referencia|referência]] indispensáveis à [[lexico:c:compreensao|compreensão]] do [[lexico:m:mundo|mundo]] que o rodeia. A comparação é [[lexico:a:a-fortiori|a fortiori]] a postura [[lexico:u:universal|universal]] de todo o [[lexico:c:conhecimento-cientifico|conhecimento científico]]. A este [[lexico:r:respeito|respeito]], a [[lexico:d:distincao|distinção]] de [[lexico:d:durkheim|Durkheim]] entre a [[lexico:e:experimentacao|experimentação]], processo habitual das ciências exatas, e a comparação, substituto da experimentação nas [[lexico:c:ciencias-sociais|ciências sociais]], [[lexico:n:nao|não]] é de facto muito pertinente. O químico e o [[lexico:f:fisico|físico]] procedem também eles a comparações entre as várias experiências que efetuaram. A única [[lexico:d:diferenca|diferença]] é que o físico pode [[lexico:p:provocar|provocar]] os fenômenos que compara, ao passo que o sociólogo apenas pode [[lexico:c:comparar|comparar]] fenômenos que se produzem independentemente da sua [[lexico:v:vontade|vontade]]. A [[lexico:s:sociologia|sociologia]] só pode ser comparativa e [[lexico:m:metodica|metódica]]. O [[lexico:m:metodo-comparativo|método comparativo]] em sociologia confunde-se, portanto, com o [[lexico:m:metodo|método]] sociológico. A abordagem comparativa em sociologia pode tomar formas diferentes. A primeira [[lexico:a:atitude|atitude]] consiste, pela comparação de situações concretas, em analisar as diferenças, em procurar os [[lexico:e:elementos|elementos]] constantes, em estabelecer os tipos. Estas comparações podem ser internacionais, intranacionais ou históricas. Por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], procurando analisar o [[lexico:e:efeito|efeito]] da [[lexico:r:religiao|religião]] sobre o [[lexico:c:comportamento|comportamento]] eleitoral, poder-se-á comparar o voto em diferentes países católicos; poder-se-á igualmente, num mesmo país, comparar o nível respectivo de prática religiosa e o comportamento eleitoral dos homens e das [[lexico:m:mulheres|mulheres]], dos operários e dos quadros, dos Normandos e dos habitantes de Auvergne; poder-se-á finalmente comparar o [[lexico:e:estado|Estado]] do fenômeno no início da III [[lexico:r:republica|República]] e nos nossos dias. Todas estas tentativas, que se aparentam à [[lexico:a:analise|análise]] causal, podem ser qualificadas de experimentações indiretas. Este [[lexico:t:tipo|tipo]] de abordagem choca com duas dificuldades principais. Em primeiro [[lexico:l:lugar|lugar]], o [[lexico:r:risco|risco]] de socio-centrismo, isto é, a [[lexico:p:projecao|projeção]] pelo comparatista da [[lexico:l:logica|lógica]] própria da sua [[lexico:c:cultura|cultura]] nacional e do [[lexico:s:sistema|sistema]] de valores do seu [[lexico:g:grupo|grupo]] [[lexico:s:social|social]], e a utilização de [[lexico:c:categorias|categorias]] analíticas (por exemplo, os [[lexico:c:conceitos|conceitos]] de modernização, de [[lexico:d:desenvolvimento|desenvolvimento]]) ou de instrumentos de [[lexico:m:medida|medida]] (por exemplo, o [[lexico:p:produto|produto]] nacional bruto), que não são necessariamente pertinentes para avaliar a [[lexico:s:situacao|situação]] de outras sociedades. A segunda dificuldade, inerente a toda a análise de tipo causal, diz respeito ao alcance da experimentação indireta como processo de validação. Se, avançando a [[lexico:h:hipotese|hipótese]] de uma [[lexico:r:relacao|relação]] entre a urbanização e a criminalidade, o investigador observa, num certo [[lexico:n:numero|número]] de casos concretos, a [[lexico:p:presenca|presença]] simultânea dos dois fenômenos, será, sem [[lexico:d:duvida|dúvida]], levado a estabelecer entre eles uma relação de [[lexico:c:causa-e-efeito|causa e efeito]], a considerar essa relação como uma [[lexico:e:explicacao|explicação]] da criminalidade e a enunciar a [[lexico:o:observacao|observação]] dessas semelhanças sob a [[lexico:f:forma|forma]] de uma [[lexico:l:lei|lei]]. No entanto, uma tal relação só pode ser tida por verdadeira se várias condições estiverem reunidas. A presença de invariantes não pode ser considerada como uma [[lexico:p:prova|prova]] suficiente das propostas avançadas. O método [[lexico:c:comparativo|comparativo]] não se limita entretanto, à experimentação indireta. Para compreender a [[lexico:r:realidade|realidade]] observada, podemos confrontá-la com um [[lexico:m:modelo|modelo]] [[lexico:t:teorico|teórico]], obtido por [[lexico:e:extensao|extensão]] de alguns traços essenciais: o ideal-tipo weberiano corresponde a este tipo de aproximação. Pode igualmente, a partir de uma [[lexico:f:funcao|função]] que representa um sistema [[lexico:d:dado|dado]] de [[lexico:r:relacoes|relações]], comparar-se os estados sucessivos do sistema, fazendo variar hipoteticamente o [[lexico:v:valor|valor]] das variáveis ou a forma [[lexico:f:funcional|funcional]], o que permite explorar o comportamento do sistema sob condições diferentes das condições observadas. Qualificar-se-á este [[lexico:m:modo|modo]] de proceder como quase experimentação.