===== MESMIDADE ===== A “mesmidade” valendo para as [[lexico:c:coisas|coisas]] ([[lexico:p:pergunta|pergunta]] O quê?), cujo [[lexico:m:modo|modo]] de [[lexico:s:ser|ser]] em termos heideggerianos é a Vorhandenheit (“o ser-sob-a-mão” no léxico de E. Martineau). [LiberaAS:44 Nota] Do [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista da [[lexico:r:reflexao|reflexão]], e se [[lexico:n:nao|não]] saio do [[lexico:f:fato|fato]] de [[lexico:c:consciencia|consciência]], nenhum [[lexico:f:fundamento|fundamento]] a esta [[lexico:p:proposicao|proposição]] poderia encontrar: [[lexico:e:eu|eu]] sou uma [[lexico:c:coisa|coisa]] que pensa, porque estaria faltando que o [[lexico:p:pensamento|pensamento]] fosse [[lexico:s:sentido|sentido]] ou advertido como o modo fundamental ou o [[lexico:a:atributo|atributo]] [[lexico:i:imanente|imanente]] da [[lexico:s:substancia|substância]], de modo que houvesse na consciência uma verdadeira [[lexico:d:dualidade|dualidade]], ou uma [[lexico:r:referencia|referência]] a dois termos distintos, dos quais um seria a substância e o [[lexico:o:outro|outro]] o modo ou atributo. Certamente, o fato de consciência não nos manifesta [[lexico:n:nada|nada]] parecido. Enquanto digo eu e dou-me [[lexico:t:testemunho|testemunho]] de minha própria [[lexico:e:existencia|existência]], sou para mim mesmo não uma coisa ou um [[lexico:o:objeto|objeto]], do qual afirmo a existência dando-lhe por atributo o pensamento, mas um [[lexico:s:sujeito|sujeito]] que se reconhece e afirma-se em [[lexico:s:si-mesmo|si mesmo]] sua existência, na [[lexico:m:medida|medida]] em que se dá conta interiormente ou pensa. Esta [[lexico:a:apercepcao|apercepção]] ou este pensamento interior, constituindo toda a existência do sujeito, não pode ser atributo de outro sujeito anterior, já que, fora do eu, nada há para a consciência; menos ainda pode ser atributo de um objeto, porque ainda não há objeto. A [[lexico:f:formula|fórmula]]: eu sou uma coisa pensante, implica, pois, [[lexico:c:contradicao|contradição]] com o fato [[lexico:p:primario|primário]], e é preciso sair deste fato, ou empregar outra [[lexico:f:faculdade|faculdade]], para dar-lhe o sentido de uma proposição [[lexico:l:logica|lógica]], [[lexico:u:universal|universal]], necessária. Não seria preciso, no entanto, concluir que o fato de consciência está reduzido a um só [[lexico:t:termo|termo]], o sujeito [[lexico:a:absoluto|absoluto]]. Faremos [[lexico:v:ver|ver]], pelo contrário, que há uma verdadeira dualidade, ou uma [[lexico:r:relacao|relação]] com dois termos de [[lexico:n:natureza|natureza]] homogênea. Tudo o que está na consciência, o está a título de relação; e para que uma relação esteja na consciência, é [[lexico:n:necessario|necessário]] que seus dois termos estejam igualmente, se não como substância e atributo, pelo menos como [[lexico:c:causa-e-efeito|causa e efeito]]. (...) O sujeito metafísico propriamente [[lexico:d:dito|dito]] não pode ser concebido como uma coisa, e toda a dificuldade que há para [[lexico:c:compreender|compreender]] o [[lexico:v:valor|valor]] do sujeito eu, por [[lexico:m:meio|meio]] do [[lexico:a:ato|ato]] de reflexão, consiste precisamente em que é preciso excluir toda [[lexico:i:ideia|ideia]] de coisa ou objeto, o que contraria todos os hábitos da [[lexico:i:imaginacao|imaginação]]. (Essai sur les fondements de la psychologie et sur ses rapports avec l’étude de la nature, [[lexico:p:parte|parte]] I, seção 1.a, cap. I, 1.°)