===== MATÉRIA ===== A [[lexico:s:substancia|substância]] extensa, divisível, ponderável e suscetível de todas as espécies de formas. Nesse [[lexico:s:sentido|sentido]] é que [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]] definiu a matéria como uma [[lexico:r:realidade|realidade]] "potencial". — O [[lexico:p:problema|problema]] da [[lexico:n:natureza|natureza]] da matéria é o problema da [[lexico:c:ciencia|ciência]] (em [[lexico:p:particular|particular]] da [[lexico:f:fisica|física]]); o problema fundamental da [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] é o da natureza do [[lexico:e:espirito|espírito]] ([[lexico:b:bergson|Bergson]], O [[lexico:p:pensamento|pensamento]] e o movente: [[lexico:m:metafisica|metafísica]] e ciência): os domínios respectivos da ciência e da filosofia permanecem assim perfeitamente distintos e determinados, e por isso mesmo [[lexico:i:impossivel|impossível]] de confundirem-se. O [[lexico:t:termo|termo]] [[lexico:g:grego|grego]] [[lexico:h:hyle|hyle]] foi usado, primeiramente, com os significados de bosque, [[lexico:t:terra|Terra]] florestal, madeira. Foi usado depois também com o [[lexico:s:significado|significado]] de metal e de [[lexico:m:materia-prima|matéria prima]] de qualquer [[lexico:e:especie|espécie]], isto é, substância com a qual se faz, ou se pode fazer, algo. Significados análogos teve o vocábulo latino matéria, usado para designar a madeira e também qualquer material de construção. Alguns filósofos [[lexico:p:pre-socraticos|pré-socráticos]] entendiam a realidade primeira como uma [[lexico:e:entidade|entidade]] de certo [[lexico:m:modo|modo]] material. Em [[lexico:t:todo|todo]] o caso, esta realidade era concebida em cada caso como uma espécie de [[lexico:m:massa|massa]] mais ou menos indiferenciada da qual se supunha que surgissem os diversos [[lexico:e:elementos|elementos]] e com a qual se pensava que se formavam todos os corpos. Tratava-se de uma espécie de matéria animada ou vivificada.. Pode dizer-se que empregaram um [[lexico:c:conceito|conceito]] ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]] [[lexico:f:fisico|físico]] e metafísico de matéria. À [[lexico:m:medida|medida]] que se procurou um [[lexico:p:principio|princípio]] que explicasse realmente o [[lexico:m:movimento|movimento]] e a [[lexico:f:formacao|formação]] dos corpos, tornou-se insuficiente [[lexico:e:esse|esse]] conceito de matéria. A matéria foi então concebida como uma realidade puramente [[lexico:s:sensivel|sensível]], ou então como uma realidade essencialmente mutável.. A consideração da matéria como o [[lexico:e:elemento|elemento]] no qual radicam o movimento e a [[lexico:d:diversidade|diversidade]] dos corpos levou à [[lexico:i:ideia|ideia]] de matéria como massa informe dos elementos (especialmente dos [[lexico:q:quatro|Quatro]] elementos: [[lexico:f:fogo|fogo]], terra, água e [[lexico:a:ar|ar]]), massa de que se supunha que surgiam depois, por [[lexico:d:diferenciacao|diferenciação]], os próprios elementos. Pode [[lexico:s:ser|ser]] esse o caso de [[lexico:e:empedocles|Empédocles]], e também, em certo sentido, o de [[lexico:p:platao|Platão]]. Com [[lexico:e:efeito|efeito]], a [[lexico:d:distincao|distinção]] estabelecida por Platão entre o ser que é sempre e que nunca muda, e o ser que [[lexico:n:nao|não]] é nunca e que muda sempre, leva-o a perguntar-se pelo [[lexico:t:tipo|tipo]] de realidade deste [[lexico:u:ultimo|último]] ser. Não pode ser uma realidade determinada, pois se assim fosse teria [[lexico:f:forma|forma]], e então não seria perpetuamente mutável. Não pode ser, pois, nenhum dos elementos, de modo que parece concluir-se que tem de ser algo como a massa indiferenciada dos elementos prévia a qualquer formação, isto é, “o comum” em todos os elementos. Mas, nesse caso, é como um receptáculo [[lexico:v:vazio|vazio]] capaz de acolher qualquer forma. Daí a identificação de receptáculo e matéria. Mas, ao mesmo tempo, temos em Platão outras [[lexico:i:ideias|ideias]] acerca da matéria - ou daquilo que depois se irá chamar assim. Para já, se equiparar a forma ao ser propriamente [[lexico:d:dito|dito]], a matéria é aquilo que ficará mais perto do [[lexico:n:nao-ser|não-ser]], de modo [[lexico:q:quem|quem]] em algumas interpretações do [[lexico:p:platonismo|platonismo]], se identificarão simplesmente não- ser e matéria. Finalmente, Platão parece inclinar-se por vezes a conceber a matéria informe e primeira como uma realidade que tem determinadas qualidades, e antes demais o movimento, ou a [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] de movimento. A matéria é, neste caso, “o visível”, em [[lexico:c:contraposicao|contraposição]] a “o [[lexico:i:inteligivel|inteligível]]”; é o puramente sensível e o puramente [[lexico:m:multiplo|múltiplo]] em contraposição com o que tem essencialmente [[lexico:o:ordem|ordem]], [[lexico:i:inteligibilidade|inteligibilidade]] e [[lexico:u:unidade|unidade]]. O primeiro [[lexico:f:filosofo|filósofo]] do ocidente em quem a [[lexico:n:nocao|noção]] de matéria adquire um [[lexico:c:carater|caráter]] filosófico e técnico é Aristóteles. O caráter comum a qualquer noção de matéria, em Aristóteles, é a [[lexico:r:receptividade|receptividade]]; seja qual for a matéria de que se trate, não é propriamente matéria se não estiver, por assim dizer, “disposta a receber alguma [[lexico:d:determinacao|determinação]]”. Isso faz que não haja apenas uma só espécie de matéria, que seria o puramente [[lexico:i:indeterminado|indeterminado]],, mas várias espécies de matéria, de [[lexico:a:acordo|acordo]] com o seu modo de receptividade. Nem sempre é fácil nem legítimo distinguir, em Aristóteles, entre o que corresponde à metafísica. Na física, a matéria aparece por vezes como [[lexico:s:substrato|substrato]]. Este é “aquilo que está [[lexico:s:sujeito|sujeito]] à [[lexico:m:mudanca|mudança]]”, e aquilo donde se inferem as qualidades. Parece, pois, que a matéria é a substância. Contudo, a matéria não é simplesmente a substância, uma vez que é algo comum a todas as [[lexico:s:substancias|substâncias]], de modo que aparece como uma espécie de matriz da realidade física e não a própria realidade física. Enquanto substrato de, a matéria é aquela “realidade sensível” da qual podem abstrair-se uma ou mais determinações. A matéria em [[lexico:g:geral|geral]] é uma matéria primeira, algo sensível comum; quando se [[lexico:f:fala|fala]] da realidade física em geral, deve ter-se em conta a composição material primeira. A matéria pode ser matéria de alguma realidade determinada - como a que é comum a todos os homens. Entre a matéria primeira e a matéria de não há outra [[lexico:d:diferenca|diferença]] [[lexico:a:alem|além]] da completa generalidade da primeira e a maior especificidade da segunda. Em ambos os casos trata-se de uma matéria sensível comum. Enquanto sujeito de mudança, a matéria em [[lexico:q:questao|questão]] - especialmente a matéria primeira - é uma matéria [[lexico:g:genetica|genética]]. Podemos, assim, estabelecer uma [[lexico:s:serie|série]] de níveis em que aparece a matéria: matéria primeira em geral; matéria enquanto elementos materiais (os [[lexico:q:quatro-elementos|quatro elementos]]); matéria como matéria de uma realidade determinada ([[lexico:h:homem|homem]], árvore, etc). O modo metafísico de considerar a matéria é sensivelmente [[lexico:a:analogo|análogo]] ao físico, mas nele adquire maior importância a [[lexico:r:relacao|relação]] entre a matéria e a forma. Em rigor, quase sempre que se trata da concepção aristotélica do conceito de matéria, costuma-se estudá-la metafisicamente como um dos termos no famoso binômio [[lexico:m:materia-e-forma|matéria e forma]]. Deste [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista, a matéria define-se como aquilo com o qual se faz algo. Este fazer pode [[lexico:t:ter|ter]] dois sentidos: o sentido de um [[lexico:p:processo|processo]] [[lexico:n:natural|natural]], e o de uma produção humana. Assim, o [[lexico:a:animal|animal]] é feito, ou [[lexico:c:composto|composto]], de [[lexico:c:carne|carne]], ossos, tendões, etc; a [[lexico:e:estatua|estátua]] é feita de mármore ou bronze. Desse modo, o conceito de matéria adquire um sentido [[lexico:r:relativo|relativo]]: a matéria é sempre relativa à forma. Por isso a realidade não é a matéria nem forma, mas sempre um composto. É certo que, em certas ocasiões, Aristóteles parece referir-se à matéria como u pura e simplesmente indeterminado. Mas o [[lexico:p:proprio|próprio]] conceito de [[lexico:i:indeterminacao|indeterminação]] carece de sentido a não ser que se refira a algo determinado ou a uma possibilidade de determinação. Embora se defina a matéria como possibilidade, dever-se-á admitir que é uma possibilidade para algo. Daí a distinção aristotélica entre a matéria - que é um não ser [[lexico:p:por-acidente|por acidente]] - e a [[lexico:p:privacao|privação]] que é o não ser em [[lexico:s:si-mesmo|si mesmo]]. A matéria está intimamente ligada à substância, o que não acontece com a privação. A noção de matéria serve, assim, a Aristóteles, para [[lexico:e:explicar|explicar]] a mudança e o [[lexico:d:devir|devir]].. Como substrato distinto dos contrários, a matéria permite a mudança, uma vez que os próprios contrários não podem mudar. A matéria pode ser, assim, entendida como substância enquanto substrato, isto é, não como aquilo que muda, mas aquilo no qual se produz a mudança. Deve ter-se presente que a matéria de que fala Aristóteles não é, ou não é fundamentalmente uma realidade material, uma vez que esta realidade também precisa, para [[lexico:e:existir|existir]], de uma matéria e de uma série de determinações. A matéria no sentido aristotélico não j é, pois, um ser que se baste a si mesmo; é simplesmente aquilo com o qual e do qual é composta qualquer substância concreta. Todas as concepções antigas acerca da matéria foram [[lexico:o:objeto|objeto]] de [[lexico:d:discussao|discussão]] por [[lexico:p:parte|parte]] dos autores cristãos dos períodos patrístico e escolástico.. A [[lexico:t:tendencia|tendência]] para identificar a matéria com o não ser e com o [[lexico:m:mal|mal]] foi muito forte naqueles que tiveram de lutar contra as tendências gnósticas e maniqueistas, nas quais a matéria é amiúde apresentada como o mal, mas como um mal [[lexico:r:real|real]], como um “ser mau”, constantemente em [[lexico:l:luta|luta]] com o [[lexico:b:bem|Bem]]. Algumas das concepções da matéria desenvolvidas na [[lexico:p:patristica|patrística]] influíram depois na ideia de que a matéria pode ser algo assim como um objeto autônomo de uma ciência - além do mais, secundária. Desde a introdução plena do [[lexico:a:aristotelismo|aristotelismo]] na [[lexico:f:filosofia-medieval|filosofia medieval]], houve cada vez mais tendência para conceber a matéria como sujeito de [[lexico:t:transformacao|transformação]] [[lexico:s:substancial|substancial]]. Foi o que aconteceu com S. Tomás. Este define a matéria à maneira aristotélica, como aquilo do qual se faz, ou pode fazer, algo. A noção de matéria contrapõe-se à de forma; exceptuando a forma, a matéria não tem ser próprio. Pode, a este [[lexico:r:respeito|respeito]], falar-se de uma matéria-prima, que a matéria fundamenta e comum. Mas pode, e deve, falar-se de várias espécies de matéria. Na idade média discutiu- se muito a questão de relação da matéria com a forma, bem como o problema de se podem ou não conceber seres sem matéria. Ao contrário de S. Tomás, Duns Escoto considerava que a matéria tem um ser próprio, uma vez que a sua ideia reside em [[lexico:d:deus|Deus]]. A matéria não é pura e [[lexico:s:simples|simples]] privação de forma. À algo real ou, melhor dizendo, tem uma certa entidade. A matéria é [[lexico:p:potencia|potência]] [[lexico:m:maxima|máxima]] e [[lexico:a:atualidade|atualidade]] mínima, mas de modo algum um [[lexico:n:nada|nada]]. Por [[lexico:o:outro|outro]] lado, Duns Escoto considerava que o ser da matéria é distinto do da forma, pois de contrário haveria que concluir que a matéria é uma realidade que pode formar-se [[lexico:p:por-si|por si]] mesma e cair-se-ia no tipo de [[lexico:m:materialismo|materialismo]] defendido por alguns intérpretes de Aristóteles. A matéria é potência, mas potência real: é “aquilo que” contém algo; portanto, é [[lexico:p:puro|puro]] sujeito. Daí a possibilidade de Deus [[lexico:c:criar|criar]] uma matéria sem forma. As ideias de matéria até [[lexico:a:agora|agora]] apresentadas não desapareceram totalmente na idade [[lexico:m:moderna|moderna]], especialmente enquanto se tratou metafisicamente o conceito de matéria. Mas é caraterística da idade moderna o ter-se ocupado principalmente da noção de matéria enquanto constitutiva da realidade material ou natural. É o que se chamou “a concepção científica-natural da matéria”. Nos começos da [[lexico:e:epoca|época]] moderna, admitiram-se diversas espécies de matéria natural para explicar a composição e o movimento dos corpos. Em alguns casos, pensou-se que pode haver pelo menos duas espécies de matéria: a ativa (por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], o frio e o quente) e a passiva (ou suporte da mudança do frio para o quente e vice-versa). Mas houve uma tendência cada vez maior para estudar a matéria como realidade una e única. Precedentes desta concepção encontram-se já nas doutrinas [[lexico:a:atomistas|atomistas]] antigas e medievais. Para estas concepções a matéria é simplesmente o pleno, ao contrário do [[lexico:e:espaco|espaço]], que é o vazio. Há na época moderna algumas teorias que diferem em vários aspectos importantes da ideia mencionada de matéria como espaço pleno. Assim, por exemplo, [[lexico:d:descartes|Descartes]] equiparou a matéria à [[lexico:e:extensao|extensão]], de acordo com a sua caraterística [[lexico:r:reducao|redução]], ou tentativa de redução, da realidade material a propriedades geométricas do espaço. Mas o mais caraterístico da citada concepção científica-natural da matéria na idade moderna a ideia de matéria como aquilo que enche o espaço. A esta ideia sobrepõem-se outras: a matéria é uma realidade impenetrável, já que, na medida em que o não for, há espaço para encher; é uma realidade constituída atomicamente, pois os átomos são os espaços cheios; é uma realidade única, já que toda a matéria é fundamentalmente a mesma em todos os corpos naturais. Estas propriedades da matéria são concebidas de acordo com uma [[lexico:l:lei|lei]]: a lei de conservação da matéria. A matéria é, pois, concebida como realidade fundamental compacta; a possibilidade da sua [[lexico:d:divisao|divisão]] afeta apenas os interstícios espaciais, mas não a própria matéria. A matéria é, segundo esta concepção, constante , permanente e indestrutível. Os corpos podem mudar de massa, de volume e de forma, mas as partículas materiais últimas são inalteráveis. das ideias mencionadas sobre a natureza da matéria - como matéria natural ou matéria física - na época contemporânea, uma delas foi mais distinguida do que as outras: a [[lexico:c:constituicao|constituição]] atômica. Com efeito, que a matéria seja espaço pleno não significa que a matéria tenha de ser constituída por partículas elementares indestrutíveis. Poderia muito bem admitir-se que a matéria é contínua. A passagem da física clássica à física contemporânea representa uma nova concepção da matéria. Num [[lexico:m:mundo|mundo]] macrofísico, continua a conceber-se a matéria de acordo com propriedades mecânicas. Mas alguns dos resultados da nova física obrigaram a abandonar a clássica concepção newtoniana, ou então a alojá-la dentro de uma [[lexico:t:teoria|teoria]] de alcance mais amplo. MATÉRIA (em grego: hyle) é, em quase todas as suas acepções, um oposto relativo a forma. Matéria significa (1) originariamente o estofo, de que o homem molda as obras de sua habilidade artística (p. ex., madeira, pedra), em [[lexico:o:oposicao|oposição]] à forma ou [[lexico:f:figura|figura]] que a matéria recebe por sua elaboração. A oposição de matéria e forma transferiu-se, em seguida, para os corpos naturais. Nestes, matéria (2) é aquilo "de que" um [[lexico:c:corpo|corpo]] consta; enquanto o conceito de "corpo" designa uma [[lexico:c:coisa|coisa]] individual de determinada [[lexico:g:grandeza|grandeza]] e forma (p. ex., este bloco de granito), o conceito de "matéria" (p. ex., do granito) prescinde destas propriedades determinadas. Por conseguinte, a matéria é aquilo que primeiramente aparece como substância do corpo, em oposição à sua forma acidental, etc. A química, que se aplica a investigar a matéria, reduziu a [[lexico:m:multiplicidade|multiplicidade]] imensa desta a noventa e duas matérias primitivas (elementos) cada uma das quais consta, por sua vez, de átomos, ou seja, de pequeníssimas partículas dotadas de massa e [[lexico:p:peso|peso]] radioativos e outras leis insinuaram a ideia de que os átomos mais pesados eram construídos com outros de menor peso, e de que, talvez, em derradeira [[lexico:i:instancia|instância]], todos os átomos se compunham de certo [[lexico:n:numero|número]] de átomos mais leves, isto é, de átomos de hidrogênio. Durante muito tempo os átomos foram concebidos como "corpúsculos" diminutos e extensos sem solução de continuidade; mas o recente [[lexico:d:desenvolvimento|desenvolvimento]] da física obrigou a admitir também no [[lexico:a:atomo|átomo]] uma fina [[lexico:e:estrutura|estrutura]] composta de diversos elementos primitivos (protões, neutrões, eletrões). A questão que a [[lexico:c:ciencia-natural|ciência natural]] se põe acerca da [[lexico:e:essencia|essência]] da matéria refere-se principalmente a estes elementos primitivos. A questão é hoje intensamente debatida, tendo-se convertido num problema extremamente difícil, porque a mesma matéria aparece, em suas manifestações, já como corpúsculo, já como onda. — A matéria (2), objeto de [[lexico:p:pesquisa|pesquisa]] da [[lexico:a:atividade|atividade]] investigadora da ciência natural, é denominada pela filosofia [[lexico:e:escolastica|escolástica]] mar téria segunda {matéria secunda), em oposição à matéria prima (3), a qual, ao contrário da matéria segunda, não é uma substância corpórea determinada, nem pode, por conseguinte, ser atingida com os meios da física, mas é uma parte [[lexico:e:essencial|essencial]] só mentalmente apreensível e que, juntamente com a forma essencial, constitui a substância corpórea ([[lexico:h:hilemorfismo|hilemorfismo]]). Na [[lexico:l:linguagem|linguagem]] filosófica usual, o termo matéria (4) ultrapassa o domínio do mundo corpóreo e designa, em sentido muito lato, o determinável (formável), em contraposição à forma determinante. Assim, os [[lexico:c:conceitos|conceitos]] do sujeito e do [[lexico:p:predicado|predicado]] denominam-se matéria do [[lexico:j:juizo|juízo]], em oposição ao "é" da cópula considerada como forma do mesmo juízo; de igual modo, as proposições, com que se constrói o [[lexico:s:silogismo|silogismo]], são a matéria deste, em oposição à conexão fundamental de [[lexico:c:consequencia|consequência]], existente entre elas, tida como forma. Nestes casos e noutros semelhantes, a matéria (4) é, ao mesmo tempo, o "conteúdo" variável, em oposição à forma mais ou menos invariável. — Sobre o emprego particular dos conceitos de matéria e forma na doutrina kantiana do [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]], [[lexico:c:criticismo|criticismo]]. Material chama-se, um primeiro [[lexico:l:lugar|lugar]], [[lexico:o:o-que-e|o que é]] composto de matéria (2) ou é [[lexico:p:propriedade|propriedade]] de uma coisa de natureza material, ou seja, de um corpo; portanto, é sinônimo de corpóreo. Na [[lexico:t:terminologia|terminologia]] escolástica, o vocábulo "material" designa também muitas vezes "ligado à matéria", ou seja, o que, não sendo corpo nem propriedade de um corpo, depende, não obstante, intrinsecamente da matéria, ou seja, não pode existir nem operar sem ela, p. ex., a [[lexico:a:alma|alma]] dos animais, em oposição à alma imaterial (espiritual) do homem. — De Vries.