===== LÓGICA SOCRÁTICA ===== Durante muito [[lexico:t:tempo|tempo]], considerou-se que, com seu [[lexico:m:metodo|método]], [[lexico:s:socrates|Sócrates]] havia descoberto os [[lexico:p:principios|princípios]] fundamentais da [[lexico:l:logica|lógica]] do Ocidente, ou seja, o [[lexico:c:conceito|conceito]], a [[lexico:i:inducao|indução]] e a [[lexico:t:tecnica|técnica]] do [[lexico:r:raciocinio|raciocínio]]. Hoje, entretanto, os estudiosos mostram-se muito mais cautelosos. Sócrates pôs em [[lexico:m:movimento|movimento]] o [[lexico:p:processo|processo]] que levaria à [[lexico:d:descoberta|descoberta]] da lógica, contribuindo de [[lexico:m:modo|modo]] determinante para essa descoberta, mas ele [[lexico:p:proprio|próprio]] [[lexico:n:nao|não]] a alcançou de modo [[lexico:r:reflexo|reflexo]] e [[lexico:s:sistematico|sistemático]]. Na [[lexico:p:pergunta|pergunta]] "[[lexico:o:o-que-e|o que é]]?", com que Sócrates martelava seus interlocutores, [[lexico:c:como-se|como se]] vai reconhecendo sempre mais ao nível dos estudos especializados, "em [[lexico:a:absoluto|absoluto]] não estava já contido o [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] [[lexico:t:teoretico|teorético]] da [[lexico:e:essencia|essência]] lógica do [[lexico:c:conceito-universal|conceito universal]]" (W. Jaeger). Efetivamente, com sua pergunta, ele queria [[lexico:p:por|pôr]] em movimento [[lexico:t:todo|todo]] o processo irônico-maiêutico, sem querer em absoluto chegar a definições lógicas. Sócrates abriu o raminho que deveria levar à descoberta do conceito e da [[lexico:d:definicao|definição]] e, antes ainda, à descoberta da essência platônica, tendo exercido também um notável [[lexico:i:impulso|impulso]] nessa direção, mas não estabeleceu a [[lexico:e:estrutura|estrutura]] do conceito e da definição, visto que lhe faltavam muitos dos instrumentos necessários para [[lexico:e:esse|esse]] [[lexico:o:objetivo|objetivo]], os quais, como dissemos, foram descobertas posteriores (platônicas e aristotélicas). A mesma [[lexico:o:observacao|observação]] vale a propósito da indução, que Sócrates, sem [[lexico:d:duvida|dúvida]], aplicou amplamente, com o seu constante levar o [[lexico:i:interlocutor|interlocutor]] do caso [[lexico:p:particular|particular]] à [[lexico:n:nocao|noção]] [[lexico:g:geral|geral]], valendo-se sobretudo de exemplos e [[lexico:a:analogia|analogia]], mas que não identificou ao nível teorético e, portanto, não teorizou de modo reflexo. De resto, a [[lexico:e:expressao|expressão]] "raciocínio indutivo" não apenas é socrática, mas, propriamente, nem mesmo platônica: ela é tipicamente aristotélica, pressupondo todas as aquisições dos [[lexico:a:analiticos|analíticos]]. Em conclusão, Sócrates foi de um formidável [[lexico:e:engenho|engenho]] [[lexico:l:logico|lógico]], mas, em primeira [[lexico:p:pessoa|pessoa]], não chegou a elaborar uma lógica ao nível técnico. Em sua [[lexico:d:dialetica|dialética]], encontram-se os germes de futuras descobertas lógicas importantes, mas não descobertas lógicas enquanto tais, conscientemente formuladas e tecnicamente elaboradas. E assim se explicam os [[lexico:m:motivos|motivos]] pelos quais as diferentes escolas socráticas encaminharam-se para direções tão diversas: alguns seguidores concentraram-se exclusivamente nas finalidades éticas, desprezando as implicações lógicas; outros, como [[lexico:p:platao|Platão]], desenvolveram exatamente as implicações lógicas e ontológicas; já outros escavaram no [[lexico:a:aspecto|aspecto]] dialético até mesmo as nervuras erísticas, como veremos.