===== LOCALIZAÇÃO ===== VIDE: res extensa Temos a [[lexico:p:propensao:start|propensão]] de dar a tudo uma localização espaço-temporal, fixa e unívoca, um [[lexico:e:existir:start|existir]] confinado numa [[lexico:p:presenca:start|presença]] determinada e aferente. As quais estão aqui ou ali e, obrigatoriamente, se estão aqui [[lexico:n:nao:start|não]] estão ali. É a falsa doutrina da localização [[lexico:s:simples:start|simples]] dos eventos, apontada com presteza por Whitehead, e um dos hábitos mentais mais conaturais e falaciosos do nosso [[lexico:e:espirito:start|espírito]]. [VFSTM:158] O [[lexico:h:homem:start|homem]], em seu rancor ao [[lexico:m:mundo:start|mundo]], em sua [[lexico:a:alma:start|alma]] servil e ressentida, passou a deificar-se na [[lexico:m:medida:start|medida]] em que respeitava uma [[lexico:f:forma:start|forma]] de descompromisso com a [[lexico:v:vida:start|vida]] e com a [[lexico:a:aparencia:start|aparência]], em outras [[lexico:p:palavras:start|palavras]], com o [[lexico:p:pluralismo:start|pluralismo]] do Erscheinungswelt . Cada [[lexico:c:coisa:start|coisa]] foi posta em seu [[lexico:l:lugar:start|lugar]], foi aprisionada num [[lexico:s:situs:start|situs]], foi confinada ao seu rincão solitário e irrelativo. Cada aparência foi humilhada e aprisionada, foi remetida ao ergástulo de sua simples localização. A minimalização do ódio transforma portanto as aparências em transcendências-transcendidas, em formas abatidas e superadas, pois a supressão do telurismo era a [[lexico:g:gloria:start|glória]] da alma espiritual-subjetiva. O [[lexico:i:impulso:start|impulso]] ciumento da [[lexico:s:subjetividade:start|subjetividade]] como [[lexico:v:vontade:start|vontade]] de si, como [[lexico:p:por-si:start|por si]], foi o [[lexico:p:principio:start|princípio]] determinante de um [[lexico:u:universo:start|universo]] de representações mortas e simplesmente localizadas. Diante da [[lexico:r:res-cogitans:start|res cogitans]] surge o ingente [[lexico:m:mecanismo:start|mecanismo]] da res extensa, traduzido numa [[lexico:o:ordem:start|ordem]] de fatos causalmente relacionados. Não devemos esquecer-nos entretanto que a [[lexico:n:natureza:start|natureza]], compreendida então como ordem de fatos, apresentou-se como uma [[lexico:p:particular:start|particular]] [[lexico:i:interpretacao:start|interpretação]] imposta à [[lexico:e:experiencia:start|experiência]] viva do mundo. A [[lexico:t:transcendencia:start|transcendência]] projetiva do [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] constitui a [[lexico:g:genese:start|gênese]] [[lexico:f:fisica:start|física]] ou como [[lexico:c:campo:start|campo]] da [[lexico:m:materia:start|matéria]] manipulável. Poderíamos [[lexico:a:agora:start|agora]] indagar o que aconteceria se libertássemos as [[lexico:c:coisas:start|coisas]] do “[[lexico:p:peso:start|peso]]”, da “[[lexico:e:escravidao:start|escravidão]]” do [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] científico manipulador, do “peso” da [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] trabalhadora. O que aconteceria se libertássemos as coisas do ostracismo, do existir-só-aqui, a que foram compelidas? É óbvio que passariam a existir numa forma ex-cêntrica e difusa, numa forma des-comprimida, transcendendo todas as suas eventuais localizações. O [[lexico:r:reino:start|reino]] de sua [[lexico:o:operacao:start|operação]] seria o reino do seu [[lexico:s:ser:start|ser]] e o seu ser seria realmente a sua operação omnímoda. Estaríamos diante de manifestações erráticas e incircunscritíveis, de fenômenos em que o ir-além do [[lexico:m:movimento:start|movimento]] suplantaria qualquer [[lexico:d:determinacao:start|determinação]] rígida e [[lexico:s:substancial:start|substancial]]. O [[lexico:s:sentido:start|sentido]] errático das manifestações levar-nos-ia à [[lexico:i:ideia:start|ideia]] da diacosmese do princípio visado de sua [[lexico:e:existencia:start|existência]] enquanto Weltaspeckt ou como modo-se-ser do mundo. [VFSTM:160] {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}