===== LITERATURA ===== Começa-se a [[lexico:f:falar|falar]] atualmente nos “impasses” e nas perplexidades da literatura, na inviabilidade do seu [[lexico:t:tipo|tipo]] de [[lexico:c:comunicacao|comunicação]] e, em [[lexico:g:geral|geral]], numa certa [[lexico:a:atitude|atitude]] porfiante que caracteriza [[lexico:t:todo|todo]] o [[lexico:u:universo|universo]] da produção literária. O [[lexico:d:destino|destino]] da literatura, como o entendemos, sempre esteve ligado ao destino do [[lexico:h:humanismo|humanismo]]. A [[lexico:m:materia-prima|matéria-prima]] da [[lexico:i:imaginacao|imaginação]] literária foi o [[lexico:p:proprio|próprio]] [[lexico:h:homem|homem]], o homem de [[lexico:c:carne|carne]] e osso, com seus pesares, exultações, vitórias e derrotas, coimplicando o largo [[lexico:c:circulo|círculo]] de sua [[lexico:m:mente|mente]] aventurosa. Toda a literatura é antropocêntrica, é um [[lexico:d:discurso|discurso]] sobre o [[lexico:h:humano|humano]], capaz de despertar renovadamente o mesmo [[lexico:i:interesse|interesse]] e o mesmo [[lexico:a:arrebatamento|arrebatamento]] anímico. É mister [[lexico:e:estar|estar]] seriamente empolgado pelas vicissitudes e pela “vidas possíveis” do [[lexico:i:individuo|indivíduo]] humano para que a narração literária apaixone a nossa imaginação. Existem, portanto, certas condições de [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] de qualquer estesia literária, uma predisposição interior, sem a qual a [[lexico:d:dimensao|dimensão]] artística do romance e da [[lexico:p:poesia|poesia]] com base nessa [[lexico:e:experiencia|experiência]] [[lexico:n:nada|nada]] nos diria. Essa [[lexico:c:condicao|condição]] primordial de [[lexico:a:acesso|acesso]] à [[lexico:f:forma|forma]] de comunicação literária é a [[lexico:d:devocao|devoção]], a [[lexico:a:atencao|atenção]] exclusiva pelo humano, pelo [[lexico:m:mito|mito]] do homem. Sem essa militância no humano e pelo humano, sem essa [[lexico:e:escolha|escolha]] original, a [[lexico:l:linguagem|linguagem]] artística apresentar-nos-ia intrigas em que [[lexico:n:nao|não]] estaríamos comprometidos e conflitos que não nos envolveríam. Verdadeiramente, foi o contrário que se deu, até [[lexico:b:bem|Bem]] pouco [[lexico:t:tempo|tempo]], entre nós, ocidentais. O monopólio de nosso [[lexico:s:ser|ser]] pela [[lexico:r:representacao|representação]] ou Lebensanschauung [Visão de mundo] antropocêntrica foi implacável e decisiva. A [[lexico:p:paixao|paixão]] do humano assenhoreou-se de nossa [[lexico:c:consciencia|consciência]] como um conjunto de desempenhos eminentes e sagrados. Essa paixão humana impôs-se, em primeiro [[lexico:l:lugar|lugar]], como paixão-divina, [[lexico:d:drama|drama]] da cruz e da [[lexico:s:subjetividade|subjetividade]], [[lexico:s:simbolo|símbolo]] supremo de onde proviria a relevo e o fascínio do homo sum. Foi da [[lexico:p:perfeicao|perfeição]] divina que chegamos à perfeição do homem, à centralidade do humano, ao interesse [[lexico:h:hegemonico|hegemônico]] dessa [[lexico:f:figura|figura]] in [[lexico:f:fieri|fieri]] que é o homem. Vemos, portanto, como o [[lexico:p:processo|processo]] literário ocidental não constitui um [[lexico:c:campo|campo]] livre de inventividade, mas é um fazer limitado e circunscrito por uma matéria-prima oferecida pela fascinação cristã. Ora, para que a experiência artístico-literária fosse um discurso [[lexico:i:infinito|infinito]], ou desse margem a um [[lexico:d:desenvolvimento|desenvolvimento]] [[lexico:i:ilimitado|ilimitado]] de obras e produções espirituais, seria [[lexico:n:necessario|necessário]] que o próprio homem fosse um [[lexico:p:pensamento|pensamento]] infinito, o que está longe de ser [[lexico:v:verdade|verdade]]. O homem é um conjunto de possibilidades limitadas, é um [[lexico:c:conceito|conceito]] [[lexico:f:finito|finito]] e preciso, ou, como afirmou [[lexico:h:hegel|Hegel]], é um conceito [[lexico:i:identico|idêntico]] ao drama do seu [[lexico:r:reconhecimento|reconhecimento]]. O processo do reconhecimento estabelece o [[lexico:l:limite|limite]] da [[lexico:m:manifestacao|manifestação]] histórica do conteúdo humano e, portanto, da literatura sub specie hominis. [VFSTM:134-135]