===== LINGUÍSTICA ===== Benveniste afirma serem três as questões fundamentais da Linguística: "1) — qual é a [[lexico:t:tarefa:start|tarefa]] do linguista, a que acede e o que descreverá sob o [[lexico:n:nome:start|nome]] de [[lexico:l:lingua:start|língua]]? É o [[lexico:p:proprio:start|próprio]] [[lexico:o:objeto:start|objeto]] da linguística que é posto em [[lexico:q:questao:start|questão]]; 2) — como descreverá este objeto? Será preciso forjar instrumentos que permitam [[lexico:a:apreender:start|apreender]] o conjunto dos traços de uma língua no conjunto das línguas manifestadas e descrevê-los em termos idênticos. Qual será, o [[lexico:p:principio:start|princípio]] desses procedimentos e definições? Isto mostra a importância que tem a [[lexico:t:tecnica:start|técnica]] linguística; 3) — para o [[lexico:s:sentimento:start|sentimento]] ingênuo do falante como para o linguista, a língua tem como [[lexico:f:funcao:start|função]] "dizer [[lexico:a:alguma-coisa:start|alguma coisa]]". [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] exatamente esta "alguma [[lexico:c:coisa:start|coisa]]" em vista do que a língua é articulada e como delimitá-la por [[lexico:r:relacao:start|relação]] à própria língua? O [[lexico:p:problema:start|problema]] da [[lexico:s:significacao:start|significação]] está posto". A [[lexico:g:genese:start|gênese]] científica destes problemas se inicia com [[lexico:p:peirce:start|Peirce]] e [[lexico:s:saussure:start|Saussure]]. Segundo Saussure, a tarefa da linguística será: "a) fazer a [[lexico:d:descricao:start|descrição]] e a [[lexico:h:historia:start|história]] de todas as línguas que ela puder atingir; b) procurar as forças que estão em [[lexico:j:jogo:start|jogo]] de uma maneira permanente e [[lexico:u:universal:start|universal]] em todas as línguas". Através disto procurar as leis gerais a que podem [[lexico:s:ser:start|ser]] reduzidos todos os fenômenos particulares da história. Para tanto a linguística terá que se auto-definir e se auto-delimitar, visto que o que lhe é [[lexico:e:essencial:start|essencial]] é "estranho ao [[lexico:c:carater:start|caráter]] [[lexico:f:fisico:start|físico]] do [[lexico:s:sinal:start|sinal]] linguístico". Diz Martinet que "a linguística é o [[lexico:e:estudo:start|estudo]] científico da língua humana". A linguística [[lexico:n:nao:start|não]] é prescritiva desde que não recomenda normas (como o faz a [[lexico:g:gramatica:start|Gramática]] normativa). Ela observa os fatos e quer explicá-los no quadro de seu [[lexico:u:uso:start|uso]]. A [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]] que o linguista estuda é a língua do [[lexico:h:homem:start|homem]]. Esta língua se caracteriza por sua vocalidade: o aprendizado [[lexico:h:humano:start|humano]] se dá primeiramente no [[lexico:p:plano:start|plano]] verbal (poder-se-ia dizer, melhor, que se manifesta primeiramente sob [[lexico:f:forma:start|forma]] verbal). É este o plano que o linguista domina. A língua humana é um [[lexico:f:fato:start|fato]] [[lexico:u:unico:start|único]], já que nenhuma [[lexico:s:sociedade:start|sociedade]] [[lexico:a:animal:start|animal]] possui língua. Pode-se [[lexico:p:pensar:start|pensar]] a língua como uma das instituições humanas, mas a mais importante. A língua não se caracteriza pela mutabilidade rápida, como as outras instituições. Sua função essencial é de [[lexico:c:comunicacao:start|comunicação]]. [[lexico:a:alem:start|Além]] disto ela serve "de suporte ao [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]], a [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de que se poderia perguntar se uma [[lexico:a:atividade:start|atividade]] mental à qual faltaria o quadro de uma língua mereceria propriamente o nome de pensamento". Ao estudar seu objeto, a linguística verifica que a língua não éum decalque da [[lexico:r:realidade:start|realidade]]. O [[lexico:s:signo:start|signo]] linguístico é [[lexico:a:arbitrario:start|arbitrário]], não depende dos referenciais que domina. O referencial-objeto cavalo será "horse", "cheval", "Pferd", "cavàlle"’ sem qua traga em si algo que o obrigue a ser denominado de uma forma determinada. "A cada língua corresponde uma organização [[lexico:p:particular:start|particular]] dos dados da [[lexico:e:experiencia:start|experiência]]". Para a linguística, a língua é articulada em dois planos distintos. O primeiro plano é o que, através da combinação de [[lexico:p:palavras:start|palavras]], comunica alguma coisa significativa. Uma experiência individual não pode ser transmitida em bloco, mas permite sua comunicação quando emitida numa [[lexico:s:sucessao:start|sucessão]] de palavras que possa ser descodificada. Nesta primeira articulação, as unidades que a compõem têm uma forma vocal ou fônica e um [[lexico:s:sentido:start|sentido]]. Se se desmembrarem elas perdem seu sentido: "sarampo" tem sentido, enquanto "sa", "ram", "po" não têm. Já no segundo plano, suas unidades constituintes, os fonemas não têm sentidos mas são condutores deste. Estas unidades podem ser reduzidas a um pequeno [[lexico:n:numero:start|número]]. No plano da primeira articulação onde as expressões têm sentido, elas se denominam significados; enquanto na segunda articulação são significantes. As unidades da primeira articulação são chamadas de "monemas", e têm duas facetas inseparáveis: do [[lexico:s:significado:start|significado]], com sentido, e do significante, manifesto sob forma fônica. A comunicação linguística é dada no [[lexico:t:tempo:start|tempo]], desde que as palavras são expressas em sucessão (enquanto no plano imagético a [[lexico:p:percepcao:start|percepção]] se faz imediatamente). Para o nível do significado há leis de sucessão também necessárias, pois não é a mesma coisa dizer "o carro atropelou o homem" e "o homem atropelou o carro". Em resumo poder-se-ia dizer que para a linguística "uma língua é um [[lexico:i:instrumento:start|instrumento]] de comunicação segundo o qual a experiência humana se analisa, diferentemente em cada [[lexico:c:comunidade:start|comunidade]], em unidades dotadas de um conteúdo semântico e de uma [[lexico:e:expressao:start|expressão]] fônica, os monemas; esta expressão fônica se articula por sua vez em unidades distintivas e sucessivas, os fonemas, em número determinado em cada língua, cuja [[lexico:n:natureza:start|natureza]] e [[lexico:r:relacoes:start|relações]] mútuas também diferem de uma língua à outra". Estes seriam os objetos da linguística. Para Martinet, "um estudo é [[lexico:d:dito:start|dito]] científico desde que ele se funda na [[lexico:o:observacao:start|observação]] dos fatos e se abstém de propor uma [[lexico:e:escolha:start|escolha]] entre esses fatos em nome de certos [[lexico:p:principios:start|princípios]] estéticos ou morais". Para Benveniste isto não é correto, pois "o [[lexico:s:status:start|status]] da linguística como [[lexico:c:ciencia:start|ciência]] se imporá, não (como) ciência dos fatos empíricos, mas ciência das relações e deduções, encontrando a [[lexico:u:unidade:start|unidade]] do plano na infinita [[lexico:d:diversidade:start|diversidade]] dos fenômenos linguísticos". (Chaim Katz - [[lexico:d:dcc:start|DCC]]) Esta [[lexico:d:disciplina:start|disciplina]] emprega o [[lexico:m:modelo:start|modelo]] fornecido pela [[lexico:t:teoria-da-informacao:start|teoria da informação]], que analisa os intercâmbios de mensagens em termos de [[lexico:c:codificacao:start|codificação]], de transmissão e de descodificação. A linguística consegue [[lexico:e:explicar:start|explicar]] não somente os aspectos finitos da linguagem, isto é, a gênese e o funcionamento das unidades linguísticas passíveis de serem efetivamente captadas e catalogadas em um [[lexico:i:instante:start|instante]] determinado, como também os aspectos infinitistas da linguagem, isto é, a [[lexico:c:capacidade:start|capacidade]] criadora da linguagem que, por [[lexico:m:meio:start|meio]] de um aparato [[lexico:f:finito:start|finito]], chega a desenvolver discursos em princípio indefinidamente variados. Ela mostrou como é [[lexico:p:possivel:start|possível]] trazer à tona as regras subjacentes que presidem à produção de entidades complexas sempre novas, a partir de uma coleção finita de entidades elementares. Fez [[lexico:v:ver:start|ver]] assim que, ao lado das estruturas aparentes da linguagem, existem estruturas profundas, que somente a [[lexico:a:analise:start|análise]] teórica permite apreender. Deste [[lexico:m:modo:start|modo]], desembocamos numa [[lexico:t:teoria:start|teoria]] [[lexico:f:formal:start|formal]], que explicita a [[lexico:l:logica:start|lógica]] [[lexico:i:imanente:start|imanente]] da língua. Esta teoria consegue objetivar completamente o [[lexico:f:fenomeno:start|fenômeno]] estudado; ela não comporta nenhum [[lexico:m:momento:start|momento]] hermenêutico. Permanece, todavia, o problema da restituição da linguagem ao [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] que [[lexico:f:fala:start|fala]], da coordenação das estruturas com a [[lexico:i:intencionalidade:start|intencionalidade]] viva que [[lexico:a:anima:start|anima]] o [[lexico:d:discurso:start|discurso]]. Com [[lexico:e:efeito:start|efeito]], não podemos esquecer que, em definitivo, a linguagem nos serve para evocar estados de [[lexico:c:coisas:start|coisas]] e para nos comunicarmos com outrem, que ela não constitui apenas um conjunto de estruturas operando, de certo modo, no [[lexico:v:vazio:start|vazio]] e em [[lexico:r:razao:start|razão]] de si mesmas. [Ladrière] {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}