===== LIBERDADE DE DEUS ===== [[lexico:d:deus|Deus]] é livre em [[lexico:r:relacao|relação]] ao [[lexico:e:exterior|exterior]] ([[lexico:a:ad-extra|ad extra]]), quer dizer: pode [[lexico:c:criar|criar]] ou [[lexico:n:nao|não]] criar, fazer isto ou aquilo. Sua [[lexico:l:liberdade|liberdade]] é, portanto, liberdade de eleição ou de opção, não um [[lexico:p:puro|puro]] operar por [[lexico:n:necessidade|necessidade]] de sua [[lexico:n:natureza|natureza]] ([[lexico:s:spinoza|Spinoza]]) ou uma plena independência do exterior ([[lexico:h:hegel|Hegel]]). Deus não criou o [[lexico:m:mundo|mundo]] por um [[lexico:i:impulso|impulso]] interior [[lexico:c:consciente|consciente]] ([[lexico:p:panteismo|panteísmo]]), nem por [[lexico:c:coacao|coação]] psicológica, [[lexico:c:como-se|como se]] devesse escolher sempre o [[lexico:o:objeto|objeto]] melhor ([[lexico:l:leibniz|Leibniz]], [[lexico:o:otimismo|otimismo]]), nem por coação [[lexico:m:moral|moral]], porque se amasse necessariamente nas criaturas (Rosmini). — A liberdade divina coincide com a humana, em que ambas significam uma livre [[lexico:e:escolha|escolha]] perante diversos objetos. Contudo o [[lexico:h:homem|homem]] pode escolher entre o [[lexico:b:bem|Bem]] moral e o [[lexico:m:mal|mal]] moral; Deus, só na [[lexico:e:esfera|esfera]] do bem. O homem escolhe, não só entre diversos objetos, como também entre diferentes atos da [[lexico:v:vontade|vontade]], mediante os quais tende para aqueles objetos. Deus pode escolher somente entre objetos diferentes, porque o seu querer é um [[lexico:a:ato|ato]] [[lexico:u:unico|único]] e imutável, idêntido com sua própria [[lexico:e:existencia-e-essencia|existência e essência]] ([[lexico:v:vontade-de-deus|vontade de Deus]]). A [[lexico:a:antinomia|antinomia]] entre o ato [[lexico:e:eterno|eterno]] da vontade e a liberdade divina, que parece incluir [[lexico:r:reflexao|reflexão]] e [[lexico:s:sucessao|sucessão]], resolve-se apelando para o [[lexico:s:saber|saber]] [[lexico:i:infinito|infinito]] de Deus que tudo abarca num só ato. Ao [[lexico:s:sumo|sumo]] podemos distinguir momentos lógicos, condicionados entre si, p. ex., Deus vê, desde toda a [[lexico:e:eternidade|Eternidade]], a oração suplicante e desde toda a eternidade resolve atendê-la. — A antinomia entre a liberdade e a [[lexico:i:imutabilidade|imutabilidade]] de Deus é resolvida da seguinte maneira pelos representantes clássicos de [[lexico:e:escolastica|escolástica]]: Deus, por um ato único infinito da vontade, pode fazer o que às criaturas finitas só seria [[lexico:p:possivel|possível]] mediante diversos atos, do mesmo [[lexico:m:modo|modo]] que em sua [[lexico:p:perfeicao|perfeição]] infinita possui em si de modo eminente todos os valores ontológicos dispersos nas criaturas; por outras [[lexico:p:palavras|palavras]] pode, pelo ato [[lexico:n:necessario|necessário]] de seu [[lexico:s:ser|ser]], graças ao qual se ama necessariamente, querer livremente objetos contingentes. A liberdade divina pressupõe a [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] de [[lexico:c:coisas|coisas]] contingentes, por isso o panteísmo nega sempre ambas. — Rast.