===== JANSENISMO ===== (in. Jansenism; fr. Jansénisme, al. Jansenismus; it. Giansenismó). Doutrina do bispo Cornélio Jansênio (1585-1638), exposta na [[lexico:o:obra|obra]] Augustinus. Trata-se de uma tentativa de [[lexico:r:reforma|Reforma]] católica através do [[lexico:r:retorno|retorno]] às teses de S. [[lexico:a:agostinho|Agostinho]] sobre a [[lexico:g:graca|graça]]. Segundo Jansênio, a doutrina agostiniana implica que o [[lexico:p:pecado-original|pecado original]] tirou do [[lexico:h:homem|homem]] a [[lexico:l:liberdade|liberdade]] de querer, tornou-o incapaz para o [[lexico:b:bem|Bem]] e inclinado necessariamente ao [[lexico:m:mal|mal]]. [[lexico:d:deus|Deus]] só concede aos eleitos, pelos merecimentos de Cristo, a graça da [[lexico:s:salvacao|salvação]]. Jansênio confrontava essas teses com o relaxamento da [[lexico:m:moral|moral]] eclesiástica, especialmente jesuítica, segundo a qual a salvação está sempre ao alcance do homem que, vivendo no seio da Igreja, possui uma graça suficiente, que o salvará se for favorecida pela [[lexico:b:boa-vontade|boa vontade]]. Esta era a [[lexico:t:tese|tese]] do jesuíta espanhol [[lexico:m:molina|Molina]] (1535-1600), em que os jesuítas basearam o seu proselitismo, que visava a conservar no seio da Igreja o maior [[lexico:n:numero|número]] [[lexico:p:possivel|possível]] de pessoas. No dia 31 de maio de 1653 uma bula do papa Inocêncio X condenou cinco proposições nas quais a [[lexico:f:faculdade|faculdade]] Teológica de Paris condensara a doutrina do Augustinus de Jansênio. A favor de Jansênio estavam Antoine Arnauld e os denominados "solitários de [[lexico:p:port-royal|Port-Royal]]". Estes julgaram que as cinco proposições condenadas [[lexico:n:nao|não]] expressavam o [[lexico:p:pensamento|pensamento]] de Jansênio e que, portanto, condenação não dizia [[lexico:r:respeito|respeito]] ao jansenismo. Em favor disto [[lexico:p:pascal|Pascal]] publicou, em 1656, as Cartas provinciais. O jansenismo continuou circulando por algum [[lexico:t:tempo|tempo]] em ambientes religiosos italianos e franceses (cf. F. Ruffini, Studi sul giansenismó, Firenze, 1947). A doutrina de Jansênius (1585-1638), autor do Augustinus (1640) e seus discípulos. — O jansenismo retoma e desenvolve o [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista dos "agostinianos" (contra os "molinistas"), segundo os quais a graça é um [[lexico:p:puro|puro]] [[lexico:d:dom|dom]] [[lexico:d:divino|divino]], que desce sobre o [[lexico:i:individuo|indivíduo]] independentemente de qualquer [[lexico:p:participacao|participação]] da liberdade humana. As teses do Augustinus foram retomadas na França por Duvergier de Hauranne, abade de Saint-Cyran, diretor espiritual do mosteiro de Port-Royal. A querela do Augustinus, pelo qual o Grande Arnauld tomou abertamente partido, durou até a [[lexico:r:revolucao|Revolução]] francesa: combatido por Mazarino (1656-1664), tolerado por Louis XIV (1669-1679), perseguido em 1709 (ano em que Port-Royal foi definitivamente destruído), o jansenismo permaneceu um núcleo de [[lexico:o:oposicao|oposição]] ao [[lexico:a:absolutismo|absolutismo]] da monarquia e o fermento do galicismo parlamentar. Uma Igreja jansenista, fundada em 1724, subsiste ainda em Utrecht.