===== INTERSUBJETIVIDADE ===== E ela o é igualmente na «[[lexico:c:constituicao|constituição]]» dos outros, na sua realização em «intersubjetividade». Está aí uma última e [[lexico:e:essencial|essencial]] «[[lexico:p:possibilidade|possibilidade]]» da [[lexico:r:reflexao|reflexão]] que [[lexico:h:husserl|Husserl]] expõe em [[lexico:p:particular|particular]] em Logique (pp. 317 e segs.) e na quinta Méditation Cartésienne. [[lexico:p:problema|problema]] irritante, paradoxal, que parece contradizer o [[lexico:p:principio|princípio]] da [[lexico:r:reducao|redução]] egológica, ou perder o seu [[lexico:o:objeto|objeto]] («encontra-se o [[lexico:o:outro|outro]], [[lexico:n:nao|não]] se o constitui», escreverá [[lexico:s:sartre|Sartre]]). Contudo, em Husserl, a constituição do outro, de uma [[lexico:s:subjetividade|subjetividade]] estranha, como tal, não é senão a elaboração de um [[lexico:m:metodo|método]] que em nenhum [[lexico:m:momento|momento]] se nega. O outro é constituído: isto significa que, requerido pela [[lexico:c:compreensao|compreensão]] da objectividade do [[lexico:m:mundo|mundo]], de um mundo «para nós todos» (Logique p. 317), não é nem uma [[lexico:s:simples|simples]] [[lexico:f:factualidade|factualidade]] [[lexico:c:contingente|contingente]] nem uma exigência puramente teórica. Esta constituição, que faz apelo a uma «redução na redução» (Méditation V), liberta na [[lexico:e:evidencia|evidência]] uma [[lexico:i:intencionalidade|intencionalidade]] específica cuja [[lexico:a:atualidade|atualidade]] se enraíza na pré-constituição de uma [[lexico:s:sintese-passiva|síntese passiva]], de associações primeiras que são sempre, nos primeiros passos da [[lexico:r:reflexao-fenomenologica|reflexão fenomenológica]], as mais profundamente dissimuladas porque as mais essenciais. O outro é constituído num emparelhamento [[lexico:a:analogico|analógico]], desenvolvendo-se contemporaneamente à constituição do meu [[lexico:p:proprio|próprio]] [[lexico:e:eu|eu]] psicofísico, da minha [[lexico:c:corporeidade|corporeidade]]. Aparece no meu enquadramento [[lexico:i:imediato|imediato]], pelo seu próprio [[lexico:c:corpo|corpo]], pelos seus traços, numa «[[lexico:n:natureza|natureza]] primordial» ainda não objectivada. A sua [[lexico:p:presenca|presença]] [[lexico:e:estrutura|estrutura]] o meu [[lexico:e:espaco|espaço]]. Já está «acolá» quando eu estou «aqui», [[lexico:m:modo|modo]] particular de [[lexico:a:apresentacao|apresentação]] da «própria [[lexico:c:coisa|coisa]]», que Husserl designa «apresentação», para diferenciar a [[lexico:t:transcendencia|transcendência]] que ela indica da coisa [[lexico:f:fisica|física]]. É a este corpo de outrem que eu atribuo «o alter [[lexico:e:ego|ego]]» na sua dupla face empírica e [[lexico:t:transcendental|transcendental]]. E [[lexico:c:como-se|como se]] trata precisamente de uma [[lexico:e:experiencia|experiência]] originária de que a redução é o garante, apenas a constituição pode fundar a indubitabilidade desta presença. A [[lexico:c:comunidade|comunidade]] espiritual e as suas formações ideais, culturais, científicas, etc, estão sempre a constituir-se sobre esta base da apresentação direta que «dá» simultaneamente a [[lexico:a:alteridade|alteridade]] dos outros e a sua [[lexico:e:existencia|existência]] como sujeitos. A constituição do outro «em mim» esclarece pois aquilo que já o ego que reflete aprende nele, mesmo no momento em que leva bastante longe a [[lexico:r:revelacao|revelação]] do que é esta subjetividade que não é mais o [[lexico:s:ser|ser]] [[lexico:p:psicologico|psicológico]], «no momento portanto em que se revela que ‘[[lexico:s:subjetividade-transcendental|subjetividade transcendental]]’ não significa somente ‘eu como eu próprio transcendental’ tomado concretamente na minha própria [[lexico:v:vida|vida]] de [[lexico:c:consciencia|consciência]] transcendental, mas significa, [[lexico:a:alem|além]] disso, os co-sujeitos que, como [[lexico:t:transcendentais|transcendentais]], se revelam na comunidade transcendental do nós» (Postface). [Schérer]