===== INTELIGIBILIDADE ===== Entender [[lexico:a:alguma-coisa|alguma coisa]] significa, em primeiro [[lexico:l:lugar|lugar]], penetrá-la completamente até sua [[lexico:r:razao|razão]] ou [[lexico:f:fundamento|fundamento]]. O que se compreende inteiramente vê-se tal como é, ou seja, desde seu fundamento primeiro. Todavia, como o [[lexico:c:contingente|contingente]] tem sua [[lexico:r:razao-suficiente|razão suficiente]], [[lexico:n:nao|não]] em si, mas sempre noutro que é sua [[lexico:c:causa|causa]], entender um [[lexico:o:objeto|objeto]] contingente é conhecê-lo por suas [[lexico:c:causas|causas]]. Para entender os fenômenos da [[lexico:n:natureza|natureza]], serve, antes de mais [[lexico:n:nada|nada]], a [[lexico:e:explicacao|explicação]] ([[lexico:e:explicar|explicar]]) ou [[lexico:r:reducao|redução]] a causas ou leis naturais necessárias, e também, a [[lexico:m:modo|modo]] de complemento, a [[lexico:c:compreensao|compreensão]] que se situa no [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista da [[lexico:f:finalidade|finalidade]]; para entender o [[lexico:s:ser-espiritual|ser espiritual]], recorre-se aos fins e à [[lexico:i:individualidade|individualidade]] espiritual, ou seja à compreensão ([[lexico:c:compreender|compreender]]) própria das [[lexico:c:ciencias-do-espirito|ciências do espírito]]. Se algo contingente deve [[lexico:s:ser|ser]] completamente compreendido, quer dizer, não só nesta ou naquela peculiaridade, senão em sua própria [[lexico:c:contingencia|contingência]], importa remontar à Causa última e necessária [[lexico:p:por-si|por si]] mesma. A [[lexico:i:inteleccao|intelecção]] por [[lexico:p:parte|parte]] do [[lexico:e:entendimento|entendimento]] corresponde a inteligibilidade por parte dos objetos. A [[lexico:q:questao|questão]] está em [[lexico:s:saber|saber]] se os objetos em sua [[lexico:t:totalidade|totalidade]] são inteligíveis ou se o [[lexico:e:ente|ente]], enquanto tal, é [[lexico:i:inteligivel|inteligível]]. Em [[lexico:t:todo|todo]] caso, a inteligibilidade [[lexico:e:essencial|essencial]] ao ente enquanto tal não pode ser referida exclusivamente ao entendimento [[lexico:h:humano|humano]]; ela implica [[lexico:r:relacao|relação]] ao entendimento em [[lexico:g:geral|geral]] e, em primeiro lugar, ao entendimento [[lexico:p:puro|puro]] e [[lexico:i:infinito|infinito]] de [[lexico:d:deus|Deus]]. Só para Deus existe a inteligibilidade plena e absoluta de todo ente, porque, mercê da perfeita [[lexico:i:identidade|identidade]] de conhecer e ser, ele é completamente inteligível, para [[lexico:s:si-mesmo|si mesmo]] e com sua [[lexico:v:visao|visão]] penetra tudo o mais até o mais íntimo fundamento, enquanto tudo dimana dele (e de seu [[lexico:a:ato|ato]] livre de [[lexico:v:vontade|vontade]]). O [[lexico:p:principio|princípio]] da inteligibilidade [[lexico:u:universal|universal]] de todo ente caracteriza o [[lexico:i:idealismo|Idealismo]] metafísico. Este princípio exclui a [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] e um transininteligível em si, que seja completamente [[lexico:i:incognoscivel|incognoscível]] (N. [[lexico:h:hartmann|Hartmann]]); mas não exclui que a inteligibilidade do ente tenha graus correspondentes aos graus da diversa [[lexico:p:perfeicao|perfeição]] [[lexico:o:ontologica|ontológica]] (graus de ser). O que existe unicamente num [[lexico:s:sentido|sentido]] impróprio e atenuado, p. ex., o [[lexico:m:mal|mal]], é inteligível também só num sentido impróprio e atenuado. Todo ente está, de algum modo, [[lexico:a:aberto|aberto]] ao entendimento humano, visto este ser [[lexico:v:verdadeiro|verdadeiro]] e genuíno entendimento, isto é, pode, de alguma maneira, embora imperfeita, tornar-se objeto de seu [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]]. Pelo contrário, há obstáculos que impedem a intelecção plena. Não podemos captar exaustivamente a [[lexico:r:realidade|realidade]] integral mediante [[lexico:c:conceitos|conceitos]] próprios ([[lexico:c:conceito|conceito]]), como o [[lexico:r:racionalismo|racionalismo]] pensava; só nos é [[lexico:d:dado|dado]] definir conceptualmente um domínio intermédio daquela, e, mesmo assim, só de maneira incompleta. A completa e positiva [[lexico:d:definicao|definição]] conceptual subtraem-se tanto a [[lexico:i:indeterminacao|indeterminação]] do resto material ([[lexico:i:ininteligivel|ininteligível]]) remanescente após toda [[lexico:a:abstracao|abstração]] e a individualidade condicionada pela [[lexico:m:materia|matéria]] ([[lexico:i:individuo|indivíduo]]), quanto a infinidade do [[lexico:a:ato-puro|ato puro]] situado [[lexico:a:alem|além]] de toda [[lexico:f:forma|forma]] e [[lexico:l:limitacao|limitação]]. Contudo, na [[lexico:a:area|área]] intermédia encontram-se o [[lexico:s:sentimento|sentimento]] e o [[lexico:f:fato|fato]] da livre [[lexico:d:decisao|decisão]], que não admitem compreensão conceptual exaustiva. Nosso [[lexico:p:pensamento|pensamento]] pode aproximar-se destes objetos só mediante conceitos análogos ([[lexico:a:analogia|analogia]], conceito) e [[lexico:r:reflexao|reflexão]]. Assim se torna [[lexico:p:possivel|possível]] conhecer de modo [[lexico:m:mediato|mediato]] e [[lexico:a:analogico|analógico]] o resíduo ininteligível de um objeto pela relação com a [[lexico:q:quididade|quididade]] conceptual e conhecer, outrossim, a infinidade do Ato puro como [[lexico:f:fonte|fonte]] das [[lexico:e:essencias|essências]] finitas. Mas a possibilidade de conhecer (imperfeitamente) o [[lexico:p:proprio|próprio]] sentir e querer é subministrada pelo fato de a razão penetrar as restantes [[lexico:f:faculdades-da-alma|faculdades da alma]], sendo, em derradeira [[lexico:i:instancia|instância]], o [[lexico:h:homem|homem]] todo [[lexico:q:quem|quem]] atua mediante as potências, e não cada uma destas em separado. O homem não só vê, sente e quer; sabe também que executa estes atos e pode com sua razão refletir sobre eles, obtendo assim um conhecimento mediato destas [[lexico:a:atividades|atividades]] e dos objetos das mesmas. — [[lexico:b:brugger|Brugger]]. Duns Scot nos mostra que a inteligibilidade acompanha a toda [[lexico:e:entidade|entidade]], repetimos. Todo ser, enquanto é, é inteligível. Todo ser, enquanto é, é [[lexico:s:semelhante|semelhante]] a qualquer [[lexico:o:outro|outro]], porque o ser é [[lexico:p:predicavel|predicável]] tanto a um como a outro. A inteligibilidade do ser é a sua [[lexico:v:verdade-ontologica|verdade ontológica]]. É esta a [[lexico:p:propriedade|propriedade]] de todo e qualquer ser, enquanto tal, pois é assimilável aos esquemas noéticos. É esta [[lexico:v:verdade|verdade]] que funda a [[lexico:v:verdade-logica|verdade lógica]], quando esta se dá pela [[lexico:a:adequacao|adequação]] do [[lexico:e:esquema|esquema]] noético ao esquema [[lexico:c:concreto|concreto]] do ente.