===== INTELIGÊNCIA E INTELIGÍVEL ===== VIDE [[lexico:n:nous|noûs]] Os seres que conhecem podem, pois, [[lexico:s:ser|ser]] ou tornar-se todas as [[lexico:c:coisas|coisas]]. 0 que exatamente será preciso entender por isso? Que no [[lexico:t:termo|termo]] do [[lexico:p:processo|processo]] de [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] o [[lexico:s:sujeito|sujeito]] que conhece faz-se um com as coisas que conhece. Visto sob este prisma, o conhecimento manifesta-se sob o [[lexico:a:aspecto|aspecto]] de uma certa identificação do sujeito e do [[lexico:o:objeto|objeto]]. Tal concepção encontra-se em diversos [[lexico:l:lugares|lugares]] no "[[lexico:d:de-anima|De anima]]:" o [[lexico:a:ato|ato]] do [[lexico:s:sensivel|sensível]] e do que sente são um só e mesmo ato "(III, c. 2, 425 b 26); "existe um [[lexico:i:intelecto|intelecto]] que é tal como a [[lexico:m:materia|matéria]], porque se faz todos os inteligíveis" (III, c. 5, 430 a 13) ; "acrescentemos que a [[lexico:a:alma|alma]] é, em um [[lexico:s:sentido|sentido]], todas as coisas" (III, c. 8, 431 b 21). [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]] explicará esta doutrina com o adágio tantas vezes repetido: "Intellectus in [[lexico:a:actu|actu]] est intellectum in actu." Para penetrar no sentido de tais fórmulas, seria conveniente se colocar na linha da velha [[lexico:t:teoria|teoria]] imaginada por [[lexico:e:empedocles|Empédocles]] para [[lexico:e:explicar|explicar]] o conhecimento: o [[lexico:s:semelhante|semelhante]], dizia ele, é conhecido pelo semelhante. No seu [[lexico:p:pensamento|pensamento]], isto significava que os [[lexico:e:elementos|elementos]] exteriores, a água, o [[lexico:a:ar|ar]], a [[lexico:t:terra|Terra]] e o [[lexico:f:fogo|fogo]] eram conhecidos respectivamente pela água, pelo ar, pela terra e pelo fogo, e a [[lexico:m:mistura|mistura]] desses elementos constituía o [[lexico:o:orgao|órgão]] perceptivo. [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]] abandona evidentemente o que esta teoria tinha de grosseiro. Os elementos [[lexico:n:nao|não]] estão [[lexico:p:por-si|por si]] mesmos nos sentidos, mas somente pelas suas representações. [[lexico:a:alem|Além]] disso, precisa melhor Aristóteles, antes de conhecer, a [[lexico:f:faculdade|faculdade]] não contém de nenhum [[lexico:m:modo|modo]] em ato seu objeto: a "[[lexico:f:forma|forma]] [[lexico:i:inteligivel|inteligível]]" não está em [[lexico:p:potencia|potência]] no intelecto, a alma é primitivamente como um quadro sobre o qual não há [[lexico:n:nada|nada]] [[lexico:e:escrito|escrito]]: "sicut tabula rasa". A entrada do inteligível só se produz no [[lexico:m:momento|momento]] do ato e só então é verdadeiramente certo dizer-se que o intelecto (em ato) é o inteligível (em ato). Nesta [[lexico:p:perspectiva|perspectiva]], a [[lexico:e:expressao|expressão]] em [[lexico:c:causa|causa]] tem uma [[lexico:s:significacao|significação]] de um lado negativa: o intelecto (em potência) não é o inteligível; e positiva: o intelecto identifica-se com o inteligível quando o intelecto está em ato. A [[lexico:a:afirmacao|afirmação]] precedente se esclarece ainda de [[lexico:o:outro|outro]] modo. Estudando o [[lexico:m:movimento|movimento]] nos "físicos", o Estagirita tinha concluído que para o motor e para o movido há um só e mesmo ato, e que este ato [[lexico:u:unico|único]] encontra-se, como em seu sujeito, no que é movido. Aplicando à [[lexico:s:sensacao|sensação]] esta [[lexico:l:lei|lei]] [[lexico:g:geral|geral]], conclui Aristóteles (De [[lexico:a:anima|anima]], III, c. 2, 425 b 25 ss.) que o sensível e o senciente têm um ato comum subjetivado no senciente. O mesmo vale dizer para a [[lexico:i:inteleccao|intelecção]] na qual se unificam a [[lexico:i:inteligencia|inteligência]] e o inteligível; a identificação destes dois termos é então muito mais profunda. Perguntou-se se esta identificação do sujeito e do objeto deveria ser entendida como sendo do ato primeiro, (informação pela "[[lexico:s:species|species]] [[lexico:q:quo|quo]]"), ou do ato segundo, (informação pela "species [[lexico:q:quod|quod]]). Aristóteles, que não fez [[lexico:d:distincao|distinção]] de "species", não colocou a [[lexico:q:questao|questão]]. Mas pode-se por ele responder que a identificação realiza-se proporcionalmente nos dois estádios do ato intelectual. Desde que a [[lexico:s:semelhanca|semelhança]] [[lexico:e:exterior|exterior]] é recebida, há uma certa [[lexico:u:uniao|união]] do sujeito e do objeto; mas esta só atinge sua [[lexico:p:perfeicao|perfeição]] quando o conhecimento está terminado. A identificação do sentido e do objeto encontra-se nos diversos graus dos seres dotados de conhecimento. Afirma-o Tomás de Aquino diversas vezes (I Sent. a. 35, q. 1, a. 1, ad 3; I, q. 87, a. 1, ad 3). O modo de união é proporcional a cada caso. Em [[lexico:d:deus|Deus]] (cf. Ia Pa, q. 14, a. 2) a união realizada é [[lexico:m:maxima|máxima]]. Sob nenhum aspecto há distinção [[lexico:r:real|real]] do cognoscente e do conhecido, e estando a divina [[lexico:e:essencia|essência]] imediatamente presente a si mesma, não há [[lexico:n:necessidade|necessidade]] de nenhuma semelhança para informar a inteligência; a [[lexico:i:identidade|identidade]] realizada é [[lexico:s:substancial|substancial]] e absoluta: "pelo [[lexico:f:fato|fato]] de em Deus não [[lexico:e:existir|existir]] potência alguma e de ser [[lexico:a:ato-puro|ato puro]], segue-se que nele [[lexico:i:inteligencia-e-inteligivel|inteligência e inteligível]] são idênticos sob todos os pontos de vista... omnibus modis". Se o cognoscente e o conhecido, mesmo que distintos realmente, estiverem, contudo, do [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista [[lexico:o:objetivo|objetivo]], presentes imediatamente um ao outro, não é [[lexico:n:necessario|necessário]], também nesse caso, uma semelhança para realizar a união; basta aqui a informação direta da potência considerada. Há então identificação por união imediata de duas entidades preexistentes. É o que se realiza na [[lexico:v:visao|visão]] beatífica, ou quanto à "species quo", no conhecimento do [[lexico:e:espirito|espírito]] [[lexico:p:puro|puro]] por [[lexico:s:si-mesmo|si mesmo]]. Enfim, no [[lexico:g:grau|grau]] inferior encontra-se o intelecto [[lexico:h:humano|humano]] que, não podendo ser imediatamente informado pela essência dos objetos inferiores, deve, para conhecê-los, receber antes suas semelhanças. Aqui ainda pode-se [[lexico:f:falar|falar]] de identidade do cognoscente e do conhecido, mas segundo um modo evidentemente menos [[lexico:p:perfeito|perfeito]].