===== IMPLICAÇÃO ===== Tem sido comum na [[lexico:l:literatura|literatura]] [[lexico:l:logica|lógica]] confundir a implicação com o condicional sem [[lexico:t:ter|ter]] em conta que enquanto no condicional se empregam enunciados do [[lexico:t:tipo|tipo]] Se p, então q, Como por [[lexico:e:exemplo|exemplo]] Se Shakespeare foi um dramaturgo, Lavoisier foi um químico, Na implicação empregam-se nomes de enunciados, de [[lexico:a:acordo|acordo]] com o [[lexico:e:esquema|esquema]]: p implica q que pode ter como exemplo “Shakespeare foi um dramaturgo” implica “Lavoisier foi um químico”. A confusão citada deve-se ao [[lexico:e:esquecimento|esquecimento]] da [[lexico:d:diferenca|diferença]] entre a [[lexico:m:mencao|menção]] e o [[lexico:u:uso|uso]]. Ora [[lexico:b:bem|Bem]], isso [[lexico:n:nao|não]] significa que possa empregar-se a [[lexico:e:expressao|expressão]] “implicação” ao falar-se de um condicional. O que sucede é que tal expressão deve restringir-se às ocasiões em que o condicional é [[lexico:v:verdadeiro|verdadeiro]]. Por este [[lexico:m:motivo|motivo]] o condicional: Se Shakespeare foi um dramaturgo, Lavoisier foi um químico, é um condicional verdadeiro, ao passo que a implicação: “Shakespeare foi um dramaturgo” implica “Lavoisier foi um químico”, é uma implicação falsa. Exemplo de implicação verdadeira é: “Shakespeare foi um dramaturgo” implica “Lavoisier foi químico” implica “Lavoisier foi um químico”, à qual corresponde o condicional logicamente verdadeiro: “se Shakespeare foi um dramaturgo, Lavoisier foi um químico, então Lavoisier foi um químico”. (in. Implication; fr. Implication; al. Implication; it. Implicazione). Na lógica contemporânea, este [[lexico:t:termo|termo]] substituiu outros mais antigos, como condicional e [[lexico:c:consequencia|consequência]], permitindo [[lexico:g:generalizar|generalizar]] esses significados. A implicação é a composição de duas proposições por [[lexico:m:meio|meio]] do conectivo se... então, em que a primeira se chama [[lexico:a:antecedente|antecedente]] e a segunda [[lexico:c:consequente|consequente]]. Tanto a [[lexico:l:linguagem|linguagem]] comum quanto a científica oferecem exemplos de implicação bem distintos. Consideraremos os seguintes: (1) Se x é solteiro, então x não é casado. (2) Se x é [[lexico:t:triangulo|triângulo]], então x tem os ângulos internos iguais a dois retos. (3) Se x é metal, então x é maleável. (4) Se x comete uma [[lexico:a:acao|ação]] indigna, então x perde a estima dos amigos. (5) Se x cometer um crime, então x irá para a cadeia. (6) Se x me insulta, [[lexico:e:eu|eu]] esbofeteio x. (7) Se x me fizer um favor, então x será recompensado por mim. (8) Se x é um [[lexico:g:genio|gênio]] filosófico, então eu sou o imperador da China. Se considerarmos esses diversos exemplos de implicação (e outros que poderão [[lexico:s:ser|ser]] enumerados), logo perceberemos que a conexão entre antecedente e consequente é diferente em cada caso: o [[lexico:f:fundamento|fundamento]] é diferente ou, [[lexico:c:como-se|como se]] poderia dizer, sua [[lexico:v:validade|validade]] provém de contextos diferentes. No exemplo (1), a validade decorre do [[lexico:f:fato|fato]] de, no dicionário, verificar-se que "solteiro" equivale a "não casado"; em (2), do contexto da [[lexico:g:geometria|geometria]] euclidiana e de seus postulados; em (3), das observações empíricas ou da [[lexico:c:ciencia|ciência]]; em (4) e (5), respectivamente, das normas morais e jurídicas vigentes em determinado país; em (6) e (7), de minha [[lexico:d:decisao|decisão]] de reagir a certo tipo de [[lexico:c:comportamento|comportamento]] de x, em (8) está apenas um [[lexico:m:modo|modo]] de expressar minha [[lexico:c:conviccao|convicção]] de que x não é um gênio filosófico. Diante dessa variedade de tipos de implicação, os lógicos procuraram identificar a [[lexico:c:condicao|condição]] mais [[lexico:s:simples|simples]], [[lexico:g:geral|geral]] e abstrata que torna válida uma implicação qualquer, sem levar em conta o contexto a que ela se refere nem o fundamento apresentado por seu conteúdo específico; identificaram essa condição na [[lexico:f:formula|fórmula]] que Fílon de Mégara já defendera contra Diodoro Cronos, sobre a validade das proposições condicionais ([[lexico:s:sexto-empirico|Sexto Empírico]], Adv. math., VIII, 113-14: cf. Condição): uma implicação é válida sempre que não tenha antecedente verdadeiro e consequente [[lexico:f:falso|falso]]. Assim, também vale quando o antecedente e o consequente são falsos. Essa condição generalíssima e abstrata foi chamada de implicação material e foi expressa por [[lexico:r:russell|Russell]] ([[lexico:p:principia-mathematica|Principia Mathematica]], I, 1.01). De modo correspondente, chamou-se de [[lexico:f:formal|formal]] a implicação que, [[lexico:a:alem|além]] de preencher a condição de validade da implicação material, para ser válida exige outras condições. Na lógica medieval, o termo implicação era usado apenas para indicar uma [[lexico:f:forma|forma]] da [[lexico:r:restricao|restrição]] : como no exemplo "o [[lexico:h:homem|homem]] que é branco corre", em que a implicação é constituída pela [[lexico:p:proposicao|proposição]] "que é branco", que restringe aos brancos os homens que correm.