===== IMPERATIVOS ===== **[[lexico:i:imperativo|imperativo]] [[lexico:h:hipotetico|hipotético]] e [[lexico:i:imperativo-categorico|imperativo categórico]].** Então o [[lexico:p:problema|problema]] que se apresenta é o seguinte: que é, em que consiste a [[lexico:v:vontade|vontade]] boa? Que chamamos uma vontade boa? Aprofundando-se nesta direção, [[lexico:k:kant|Kant]] adverte que [[lexico:t:todo|todo]] [[lexico:a:ato|ato]] Voluntário se apresenta à [[lexico:r:razao|razão]], à [[lexico:r:reflexao|reflexão]], na [[lexico:f:forma|forma]] de um imperativo. Com [[lexico:e:efeito|efeito]]; todo ato, no [[lexico:m:momento|momento]] de iniciar-se, de começar a realizar-se, aparece à [[lexico:c:consciencia|consciência]] sob a forma de mandamento: há que se fazer isto, isto tem que [[lexico:s:ser|ser]] feito, isto deve ser feito, faz isto. Essa forma de imperativo, que é a rubrica [[lexico:g:geral|geral]] em que se contém todo ato imediatamente [[lexico:p:possivel|possível]], especifica-se segundo Kant em duas classes de imperativos; os que ele chama imperativos hipotéticos e os imperativos categóricos. A forma [[lexico:l:logica|lógica]], a forma [[lexico:r:racional|racional]], a [[lexico:e:estrutura|estrutura]] interna do imperativo hipotético, é aquela que consiste em sujeitar o mandamento, ou imperativo mesmo, a uma [[lexico:c:condicao|condição]]. Por [[lexico:e:exemplo|exemplo]]: "Se queres sarar de tua [[lexico:d:doenca|doença]], toma o remédio." O imperativo é "toma o remédio"; porém [[lexico:e:esse|esse]] imperativo está limitado, [[lexico:n:nao|não]] é [[lexico:a:absoluto|absoluto]], não é incondicional, antes está colocado sob a condição "de que queiras sarar". Se me respondes: "Não quero sarar", então não é válido o imperativo. O imperativo: "Toma o remédio" é, pois, válido somente sob a condição de que "queiras sarar". Pelo contrário, outros imperativos são categóricos: justamente aqueles em que a imperatividade, o mandamento, o mandado, não está colocado sob condição nenhuma. O imperativo então impera, como diz Kant, incondicionalmente, absolutamente; não relativa e condicionalmente, mas de um [[lexico:m:modo|modo]] total, absoluto e sem limitações. Por exemplo: os imperativos da [[lexico:m:moral|moral]] costumam formular-se desta maneira, sem condições: "[[lexico:h:honra|honra]] teus pais", "não mates [[lexico:o:outro|outro]] [[lexico:h:homem|homem]]", enfim, todos os mandamentos morais [[lexico:b:bem|Bem]] conhecidos. A qual desses dois tipos de imperativos corresponde o que chamamos a [[lexico:m:moralidade|moralidade]]? Evidentemente, a moralidade não é o mesmo que a [[lexico:l:legalidade|legalidade]]. A legalidade de um ato voluntário consiste em que a [[lexico:a:acao|ação]] seja conforme e esteja ajustada à [[lexico:l:lei|lei]]. Porém não basta que uma ação seja conforme e esteja ajustada à lei para que seja moral; não basta que uma ação seja legal para que seja moral. Para que uma ação seja moral é mister que aconteça algo não na ação mesma e na sua concordância com a lei, mas no [[lexico:i:instante|instante]] que antecede à ação, no ânimo ou vontade daquele que a executa. Se uma [[lexico:p:pessoa|pessoa]] ajusta perfeitamente seus atos à lei, porém os ajusta à lei porque teme o castigo [[lexico:c:consequente|consequente]] ou apetece a recompensa conseguinte, então dizemos que a [[lexico:c:conduta|conduta]] íntima, a vontade íntima dessa pessoa não é moral. Bara nós, para a [[lexico:c:consciencia-moral|consciência moral]] uma vontade que se resolve a fazer o que faz por [[lexico:e:esperanca|esperança]] de recompensa ou por temor de castigo, perde todo o [[lexico:v:valor|valor]] moral. A esperança de recompensa e o temor do castigo menoscabam a pureza do [[lexico:m:merito|mérito]] moral. Pelo contrário, dizemos que um ato moral tem pleno mérito moral quando a pessoa que o realiza determinou-se a realizá-lo unicamente porque esse é o ato moral devido. Pois bem: se [[lexico:a:agora|agora]] traduzimos isto à formulação, que antes explicávamos, do imperativo hipotético e do imperativo [[lexico:c:categorico|categórico]], advertimos desde já que os atos em que não há a pureza moral exigida, os atos em que a lei foi cumprida por temor do castigo ou por esperança de recompensa, são atos nos quais, na [[lexico:i:interioridade|interioridade]] do [[lexico:s:sujeito|sujeito]], o imperativo categórico tornou-se habilmente imperativo hipotético. Em [[lexico:l:lugar|lugar]] de escutar a [[lexico:v:voz|voz]] da consciência moral, que diz "obedece a teus pais", "não mates teu [[lexico:p:proximo|próximo]]", este imperativo categórico converte-se neste outro hipotético: "se queres que não te aconteça nenhuma [[lexico:c:coisa|coisa]] desagradável, se queres não ir ao cárcere, não mates teu próximo." Então o determinante aqui foi o temor; e esta [[lexico:d:determinacao|determinação]] de temor tornou o imperativo (que na consciência moral é categórico) um imperativo hipotético; e o tornou hipotético ao colocá-lo sob essa condição e transformar a ação num [[lexico:m:meio|meio]] para evitar tal ou qual castigo ou para obter tal ou qual recompensa. Então diremos que para Kant uma vontade é plena e realmente pura, moral, valiosa, quando suas [[lexico:a:acoes|ações]] estão regidas por imperativos autenticamente categóricos. Se agora quisermos formular isto em termos tirados da lógica, diremos que em toda ação há uma [[lexico:m:materia|matéria]], que é aquilo que se faz ou aquilo que se omite, e há uma forma, que é o por que se faz ou o por que se omite. E então a formulação será: uma ação denota uma vontade pura e moral quando é feita não por consideração ao conteúdo [[lexico:e:empirico|empírico]] dela, mas simplesmente por [[lexico:r:respeito|respeito]] ao [[lexico:d:dever|dever]]; quer dizer, como imperativo categórico e não como imperativo hipotético. Mas este respeito ao dever é simplesmente a consideração à forma do "dever", seja qual for o conteúdo ordenado nesse dever. E essa consideração à forma pura proporciona a Kant a [[lexico:f:formula|fórmula]] conhecidíssima do imperativo categórico, ou seja, a [[lexico:l:lei-moral|lei moral]] [[lexico:u:universal|universal]], que é a seguinte: "Age de maneira que possas querer que o [[lexico:m:motivo|motivo]] que te levou a agir seja uma lei universal." Esta exigência de que a [[lexico:m:motivacao|motivação]] seja lei universal vincula inteiramente a moralidade à pura forma da vontade, não a seu conteúdo.