===== IMANÊNCIA DO VIVIDO ===== O [[lexico:i:interesse|interesse]] pela [[lexico:e:evidencia|evidência]] perceptiva é o fio condutor da [[lexico:a:analise|análise]] fenomenológica, [[lexico:n:nao|não]] é o [[lexico:p:ponto|ponto]] de partida nem o [[lexico:f:fim|fim]]. O [[lexico:p:problema|problema]] fenomenológico central da evidência diz [[lexico:r:respeito|respeito]] à [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] de um [[lexico:s:saber|saber]] mais originário sobre o qual se fundam as diversas intenções objectivantes. A [[lexico:c:compreensao|compreensão]] do [[lexico:d:direito|direito]] da evidência remete sempre para este [[lexico:f:fundamento|fundamento]], isto é, segundo a [[lexico:e:expressao|expressão]] de E. [[lexico:f:fink|Fink]], para uma evidência da evidência. Em que é que a [[lexico:i:intencao|intenção]] do saber encontra um preenchimento «sem resto», isto é, uma [[lexico:r:referencia|referência]] que possui em si mesma a sua própria [[lexico:j:justificacao|justificação]]? O «[[lexico:s:sentido|sentido]] de [[lexico:t:transcendencia|transcendência]]» retira a sua evidência da indubitabilidade primeira do [[lexico:f:fenomeno|fenômeno]], quer dizer, da sua [[lexico:i:imanencia|imanência]] vivida: está aí a [[lexico:f:fonte|fonte]] do saber como está igualmente o seu fim. Ora esta imanência é constantemente dada, mas a sua evidência constantemente desconhecida, ou pervertida, porque somos naturalmente orientados para os objetos e o fenômeno nunca se apresenta com a evidência do preenchimento. A [[lexico:f:fenomenologia|fenomenologia]] tem por [[lexico:t:tarefa|tarefa]] conduzir (retro-questão — em alemão Ruckfrage) pela [[lexico:r:reflexao|reflexão]] à imanência esquecida a partir da qual, na qual, as transcendências objectivas têm a sua evidência. E as transcendências eidéticas igualmente. Mas a evidência não perde a sua [[lexico:e:estrutura|estrutura]]. Na reflexão que é a análise fenomenológica esta transfere-se para o fenômeno, [[lexico:v:vivido|vivido]], ou, numa [[lexico:l:linguagem|linguagem]] que indica melhor a [[lexico:i:intencionalidade|intencionalidade]], [[lexico:a:ato|ato]]. Estão aí «novos objetos» (Recherches Logiques II — Introdução), mas que usufruem do privilégio de serem os únicos objetos de uma evidência adequada ou ainda os únicos aparecendo integralmente e sendo tal como aparecem. Apenas eles podem fornecer a evidência da evidência: a fenomenologia encontra no fenômeno a [[lexico:o:origem|origem]] e a [[lexico:p:presenca|presença]] viva da [[lexico:v:verdade|verdade]]. Parece, contudo, que o [[lexico:f:fato|fato]] de tomar «para [[lexico:o:objeto|objeto]]» o vivido ou os atos em que reside a reflexão opor-se-ia à própria [[lexico:n:nocao|noção]] de imanência. É então que apareceria uma distância de si para si que a noção de vivido quer eliminar. Haverá [[lexico:c:contradicao|contradição]] entre os dois [[lexico:p:principios|princípios]] da imanência e da intencionalidade. Ora a solução desta dificuldade teórica encontra-se precisamente em «o fato» de que a [[lexico:c:consciencia|consciência]] não se reporta a si mesma senão na [[lexico:m:medida|medida]] em que é também vivido [[lexico:i:intencional|intencional]]. Este «fato» é uma [[lexico:e:essencia|essência]] e define a própria essência da reflexão. A reflexividade da consciência não é deduzida por [[lexico:h:husserl|Husserl]] de propriedades estranhas à evidência, portanto presumidas, mas também não é da origem do fato; a evidência [[lexico:e:eidetica|eidética]] na sua própria essência, quer dizer, na possibilidade que ela indica que a consciência tem de se reportar a ela própria pela sua [[lexico:f:forma|forma]], garante a legitimidade da reflexão sobre o vivido. Para traduzir o deslocamento radical do interesse [[lexico:t:teorico|teórico]] implicado na [[lexico:r:reflexao-fenomenologica|reflexão fenomenológica]], [[lexico:c:conceitos|conceitos]] novos foram formados por Husserl e operam na sua [[lexico:o:obra|obra]] mesmo antes de os [[lexico:t:ter|ter]] explicitamente formulado: conceitos de pureza, de [[lexico:r:reducao|redução]], que preparam o [[lexico:c:caminho|caminho]] à «fenomenologia [[lexico:t:transcendental|transcendental]]». [Schérer]