===== IDEIA MODERNA DE SER ===== Mas ante o [[lexico:s:ser|ser]], que sempre é ser, ontologicamente considerado enquanto tal, os entes que compõem o [[lexico:m:mundo|mundo]] da minha [[lexico:e:experiencia|experiência]] revelam uma constante variância. Temos, de um lado, [[lexico:o:o-que-e|o que é]] determinado, e que sofre determinações, variâncias, e o que [[lexico:n:nao|não]] o sofre, o que é sempre ele mesmo. A [[lexico:p:palavra|palavra]] [[lexico:e:existencia|existência]], por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], em latim exsistentia, nos revela o prefixo ex ao lado do [[lexico:t:termo|termo]] sistentia. Este termo, que vendo [[lexico:g:grego|grego]] istemi, significa [[lexico:e:estar|estar]] em pé, estar parado. O que muda é a prefixação e não o prefixado, e embora lhe aconteça a prefixação, permanece o que é, [[lexico:s:sistencia|sistência]]. Desta [[lexico:f:forma|forma]] nos é [[lexico:p:possivel|possível]] dar ao [[lexico:c:conceito|conceito]] de sistência, o de [[lexico:s:ser-enquanto-ser|ser enquanto ser]]. Tudo é sistência, enquanto ser, mas é prefixado enquanto ‘acontece. Desta forma nos é possível estabelecer o seguinte quadro: Prefixação do acontecer (ex, per, cum, sub, re, ad, des, super) – sistência. E assim temos ex-sistência, in-sistência, per-sistência, con-sistência, sub-sistência, re-sistência, ad-sistência (assistência), des-sistência (desistência). Todos os seres reais, ideais, metafísicos, ficcionais, etc. têm sistência mas essa sistência é prefixada, determinada. Os números têm uma detenção e sistência, no [[lexico:e:espirito|espírito]] [[lexico:h:humano|humano]] e na [[lexico:o:ordem|ordem]] do ser, como ainda veremos. São persistentes, pois o 3 é sempre 3, como o 5 é sempre 5, etc. Persistem através dos séculos e milênios, e são o , que são em todos os tratados de [[lexico:m:matematica|matemática]] de todos os tempos. Mas não os vemos re-sistir, não são resistentes, pois neles não se dá [[lexico:a:acoes|ações]] e reações, como vemos nos corpos. [[lexico:a:acaso|acaso]] encontramos abaixo deles (sub) uma sistência? São acaso subsistentes?, Não, porque não encontramos neles uma [[lexico:r:realidade|realidade]] autêntica, de per se, de per si; que se ache sub, que sofra acidentes, pois, na [[lexico:v:verdade|verdade]], os números, em si mesmos, não nos mostram acidentes. Uma [[lexico:p:posicao|posição]] “platonizante” poderia aceitar a [[lexico:s:subsistencia|subsistência]] dos números, como formas, com perseidade, [[lexico:p:perseitas|perseitas]], ou então, pitagoricamente, subsistentes no ser. Mas um [[lexico:n:numero|número]] oferece, no entanto, uma outra [[lexico:d:determinacao|determinação]], como, por exemplo, o de [[lexico:c:consistencia|consistência]], "pois mantêm-se, formam uma [[lexico:c:coerencia|coerência]], uma solidez, embora [[lexico:i:ideal|ideal]]. As figuras geométricas, como nos mostra Bacca, são também persistentes, são subsistentes, e não são tão consistentes como os números. Para as figuras se dá [[lexico:e:esse|esse]] procedimento originalíssimo, que se chama coordenadas e [[lexico:p:projecao|projeção]]; e a "[[lexico:a:aparencia|aparência]]" figurai de uma [[lexico:f:figura|figura]] não é algo [[lexico:a:absoluto|absoluto]]; depende do [[lexico:s:sistema|sistema]] de coordenadas e do [[lexico:t:tipo|tipo]] de projeção pura empregado. [[lexico:a:agora|agora]] sub, embaixo das figuras diversas de uma mesma figura se dá algo "estante", um conjunto de invariantes geométricos puros, que constituem a "[[lexico:s:substancia|substância]]" própria da figura absoluta. O conjunto de propriedades de uma figura ideal não forma um bloco; cada sistema de coordenadas ou de projeção separa dois grupos de aspectos geométricos puros; um [[lexico:i:invariante|invariante]] e [[lexico:o:outro|outro]] variável; e dentro do variável cabem diversas ordenações e subordinações. O geométrico [[lexico:p:puro|puro]] não é consistente "totalmente"; é consistente "nuclearmente" (Bacca). Os seres físicos são resistentes, persistentes, ex-sistentes. São consequentemente mais determinados e possuem maior realidade determinada, prefixada. Mas vê-se desde logo que há variância na persistência, pois uma pedra e um número são persistentes, mas de persistência diversa. Desta forma, a aplicação da prefixação da sistência nos permite reconhecer duas realidades: a realidade sistencial e a realidade prefixada, determinada. A primeira corresponde analogicamente ao ser [[lexico:i:indeterminado|indeterminado]] de [[lexico:h:hegel|Hegel]], e a segunda ao ser determinado. A sistência prefixa-se na existência, na persistência, na resistência. Todos os seres são sistências prefixadas. O Ser, enquanto ser, pode ser ontologicamente considerado apenas como sistente, mas de [[lexico:m:modo|modo]] [[lexico:a:abstrato|abstrato]] porque não lhe, podemos negar a ex-sistência. A prefixação é da [[lexico:a:aptidao|aptidão]] da sistência. A sistência é o que tem aptidão à prefixação. O ser determinado, prefixado, é a sistência que recebeu um prefixo, e este indica um modo de ser. Desta, forma o ser (como sistência), quando se prefixa em ex-sistência, corpórea, isto é, quando a sua sistência se dá fora de suas [[lexico:c:causas|causas]], a sistência, que era [[lexico:t:tensao|tensão]] pura, se ex-tende, se in-tende, exterioriza-se extensionalmente, expansivamente, o que serve de conteúdo fático aos [[lexico:c:conceitos|conceitos]] de extensidade e [[lexico:i:intensidade|intensidade]]. Então, este ser re-siste. Como a determinação de re-sistência é a indicação de um [[lexico:l:limite|limite]], de uma fronteira do ser, o ser quando assim prefixado é qualitativo, e, portanto, também [[lexico:q:quantitativo|quantitativo]], porque, ao estender-se, se quantifica, é quantum, no [[lexico:s:sentido|sentido]] hegeliano. Os seres são limitados por fronteiras (e aplique-se aqui a [[lexico:d:dialetica|dialética]] hegeliano do limite, já estudada na Dialética, e novas sugestões nos surgem), enquanto o ser, como sistência, considerado apenas como sistência, não tem fronteiras, mas apenas perfil, como o definia [[lexico:p:parmenides|Parmênides]], pois como tal não precisa de outro para limitá-lo, pois é tudo. Não tem fronteiras, mas apenas um perfil, cromo nós, que temos perfil, embora apenas analogicamente com o ser, pois não somos o que somos porque nos limitam as [[lexico:c:coisas|coisas]] estereometricamente, como uma figura geométrica desenhada num quadro negro, que tem suas fronteiras nos limites entre o branco do giz e o preto do quadro.