===== HOMEM ESPÍRITO ===== O [[lexico:h:homem:start|homem]] aparece depois da [[lexico:c:criacao:start|criação]] da [[lexico:n:natureza:start|natureza]] e constitui o oposto ao [[lexico:m:mundo:start|mundo]] [[lexico:n:natural:start|natural]]. É o [[lexico:s:ser:start|ser]] que se eleva ao segundo mundo. Temos em nossa [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] [[lexico:u:universal:start|universal]] dois reinos: o da natureza e o do [[lexico:e:espirito:start|espírito]]. O [[lexico:r:reino:start|reino]] do espírito é o criado pelo homem. Podemos forjar toda [[lexico:c:classe:start|classe]] de representações sobre o que seja o reino de [[lexico:d:deus:start|Deus]]; será sempre um reino do espírito, que deve ser realizado no homem e estabelecido na [[lexico:e:existencia:start|existência]]. O terreno do espírito tudo abarca; encerra tudo quanto já interessou ao homem e ainda o interessa. O homem nele atua; e o que quer que faça, é o homem sempre um ser em que o espírito é ativo. Pode ser [[lexico:i:interessante:start|interessante]], portanto, conhecer no curso da [[lexico:h:historia:start|história]] a natureza espiritual em sua existência, isto é, a [[lexico:u:uniao:start|união]] do espírito com a natureza, ou seja, a [[lexico:n:natureza-humana:start|natureza humana]]. Ao [[lexico:f:falar:start|falar]] de natureza humana, tem-se pensado sobretudo em algo permanente. Nossa [[lexico:e:exposicao:start|exposição]] da natureza humana deve convir a todos os homens, aos tempos passados e aos presentes. Esta [[lexico:r:representacao:start|representação]] universal pode sofrer infinitas modificações; mas, de [[lexico:f:fato:start|fato]], o universal é uma e a mesma [[lexico:e:essencia:start|essência]] nas mais diversas modificações. A [[lexico:r:reflexao:start|reflexão]] pensante é que prescinde da [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] e fixa o universal, que deve atuar de igual [[lexico:m:modo:start|modo]] em todas as circunstâncias e revelar-se no mesmo [[lexico:i:interesse:start|interesse]]. O [[lexico:t:tipo:start|tipo]] universal pode também revelar-se naquilo que dele mais afastado parece; no rosto mais desfigurado pode-se ainda vislumbrar o [[lexico:h:humano:start|humano]]. Pode haver uma [[lexico:e:especie:start|espécie]] de consolo e compensação no fato de que nele permaneça um traço de [[lexico:h:humanidade:start|humanidade]]. Nesta linha de interesse, a consideração da [[lexico:h:historia-universal:start|história universal]] põe o [[lexico:a:acento:start|acento]] no fato de que os homens permaneceram iguais, de que os vícios e as [[lexico:v:virtudes:start|virtudes]] têm sido os mesmos em todas as circunstâncias. E, portanto, poderíamos dizer com Salomão: [[lexico:n:nao:start|não]] há [[lexico:n:nada:start|nada]] de novo sob o [[lexico:s:sol:start|sol]]. (...) O homem, porém, se sabe a [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]]; e isto o diferencia do [[lexico:a:animal:start|animal]]. É um ser pensante; mas [[lexico:p:pensar:start|pensar]] é [[lexico:s:saber:start|saber]] acerca do universal. O [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]] põe o conteúdo no [[lexico:s:simples:start|simples]], e deste modo o homem é simplificado, isto é, convertido em algo interno, [[lexico:i:ideal:start|ideal]]. Ou dizendo melhor: [[lexico:e:eu:start|eu]] sou o interno, simples; e somente na [[lexico:m:medida:start|medida]] em que coloco o conteúdo no simples, faz-se universal e ideal. O que o homem é realmente, tem que o ser idealmente. Conhecendo o [[lexico:r:real:start|real]] como ideal, cessa de ser algo natural, cessa de [[lexico:e:estar:start|estar]] meramente entregue a suas intuições e impulsos imediatos, à satisfação e produção destes impulsos. A [[lexico:p:prova:start|prova]] de que sabe isto é que reprime seus impulsos. Coloca o ideal, o pensamento, entre a [[lexico:v:violencia:start|violência]] do [[lexico:i:impulso:start|impulso]] e sua satisfação. Ambas as [[lexico:c:coisas:start|coisas]] estão unidas no animal, o qual não rompe [[lexico:p:por-si:start|por si]] mesmo esta união (que só pela [[lexico:d:dor:start|dor]] ou pelo temor pode romper-se). No homem o impulso existe antes (ou sem) que o satisfaça. Tendo [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] de reprimir ou satisfazer seus impulsos, o homem [[lexico:o:obra:start|obra]] segundo fins e determina-se segundo o universal. O homem deve determinar que [[lexico:f:fim:start|fim]] deve ser o seu, podendo propor-se como fim inclusive o totalmente universal. O que o determina nisto são as representações do que é e do que quer. A independência do homem consiste nisto: em que sabe o que o determina. Pode, pois, propor-se por fim o simples [[lexico:c:conceito:start|conceito]]; por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]], sua [[lexico:l:liberdade:start|liberdade]] positiva. O animal não tem suas representações como algo ideal, real; falta-lhe, por isso, esta independência íntima. Também o animal possui, como ser vivo, a [[lexico:f:fonte:start|fonte]] de seus movimentos em si mesmo, mas não é estimulado pelo [[lexico:e:exterior:start|exterior]] se o [[lexico:e:estimulo:start|estímulo]] já não estiver nele; o que não corresponde a seu interior, não existe para ele. O animal entra em [[lexico:d:dualidade:start|dualidade]] consigo mesmo, por si mesmo e dentro de si mesmo. Nada pode intercalar entre seu impulso e a satisfação do mesmo; não tem [[lexico:v:vontade:start|vontade]], não pode levar a cabo a inibição. O estímulo começa em seu interior e supõe um [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] [[lexico:i:imanente:start|imanente]]. Mas a independência no homem não reside no fato do [[lexico:m:movimento:start|movimento]] começar nele e sim por poder inibir o movimento. Rompe, pois, sua própria [[lexico:e:espontaneidade:start|espontaneidade]] e naturalidade. O pensamento de que é um eu constitui a [[lexico:r:raiz:start|raiz]] da natureza do homem. O homem, como espírito, não é algo [[lexico:i:imediato:start|imediato]], mas essencialmente um ser voltado sobre si mesmo. Este movimento de intervenção é um traço [[lexico:e:essencial:start|essencial]] do espírito. Sua [[lexico:a:atividade:start|atividade]] consiste em [[lexico:s:superar:start|superar]] a imediatez, em negar esta e, por conseguinte, em voltar-se sobre si mesmo. É, portanto, o homem aquele que ele [[lexico:p:proprio:start|próprio]] faz, mediante sua atividade. Somente aquele que se volta sobre si mesmo é [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]], efetividade real. O espírito só é como seu resultado. A [[lexico:i:imagem:start|imagem]] da semente pode servir para esclarecer isto. A planta começa com ela, mas ela é por sua vez o resultado da [[lexico:v:vida:start|vida]] inteira da planta. A planta desenvolve-se, portanto, para produzir a semente. A impotência da vida consiste, no entanto, em que a semente é [[lexico:c:comeco:start|começo]] e ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]] resultado do [[lexico:i:individuo:start|indivíduo]], é distinta como [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de partida e como resultado, e, no entanto, é a mesma: [[lexico:p:produto:start|produto]] de um indivíduo e começo de [[lexico:o:outro:start|outro]]. Aqui, ambos os aspectos se acham tão separados, como a [[lexico:f:forma:start|forma]] da simplicidade no grão e o curso do desenvolvimento na planta. [[lexico:t:todo:start|todo]] indivíduo tem em si mesmo, um exemplo mais [[lexico:p:proximo:start|próximo]]. O homem é o que deve ser, mediante a [[lexico:e:educacao:start|educação]], mediante a [[lexico:d:disciplina:start|disciplina]]. Imediatamente, o homem é apenas a possibilidade de o ser, isto é, de ser [[lexico:r:racional:start|racional]], livre; é apenas a [[lexico:d:determinacao:start|determinação]], o [[lexico:d:dever:start|dever]]. O animal muito depressa termina sua educação; não se deve, porém, considerar isto como um benefício da natureza para com o animal. Seu crescimento é só um robustecimento [[lexico:q:quantitativo:start|quantitativo]]. O homem, pelo contrário, tem, que se fazer a si mesmo o que deve ser; tem que adquirir tudo por si só, justamente porque é espírito; tem que sacudir o natural. O espírito é, portanto, seu próprio resultado. (Vorlesungen über die Philosophie der Weltgeschichte; Introdução [[lexico:g:geral:start|geral]], II, 1) {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}