===== HOMEM ===== (gr. [[lexico:a:anthropos:start|anthropos]]; lat. homo; in. [[lexico:m:man:start|Man]]; fr. Homme; al. Mench; it. Uomó). As definições de homem podem [[lexico:s:ser:start|ser]] agrupadas sob os seguintes títulos: 1) definições que se valem do confronto entre o [[lexico:h:homem-e-deus:start|homem e Deus]]; 2) definições que expressam uma [[lexico:c:caracteristica:start|característica]] ou uma [[lexico:c:capacidade:start|capacidade]] própria do homem; 3) definições que expressam a capacidade de auto-projetar-se como própria do homem. 1) As definições do primeiro [[lexico:g:grupo:start|grupo]] são de [[lexico:n:natureza:start|natureza]] religiosa e teológica, mas também podem ser encontradas em doutrinas que [[lexico:n:nada:start|nada]] têm de [[lexico:r:religioso:start|religioso]] e teológico. Qualquer [[lexico:d:definicao:start|definição]] desse [[lexico:g:genero:start|gênero]] baseia-se na [[lexico:e:expressao:start|expressão]] do [[lexico:g:genese:start|Gênese]]. "E [[lexico:d:deus:start|Deus]] disse: façamos o homem à nossa [[lexico:i:imagem:start|imagem]] e [[lexico:s:semelhanca:start|semelhança]]" (Gên., I, 26). Esta expressão servia frequentemente de [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de partida para especulações sobre a [[lexico:a:alma:start|alma]], especialmente sobre suas divisões (v. Alma): na [[lexico:r:realidade:start|realidade]], ela é a definição explícita do homem e, como tal, foi considerada pelos teólogos da [[lexico:r:reforma:start|Reforma]]. Por [[lexico:o:outro:start|outro]] lado, [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]], ao tratar da [[lexico:v:vida-contemplativa:start|vida contemplativa]], falou de um "[[lexico:e:elemento:start|elemento]] [[lexico:d:divino:start|divino]]" do homem, que, na mesma [[lexico:m:medida:start|medida]] em que excede no [[lexico:t:todo:start|todo]] que constitui o homem, torna o homem virtuoso e bem-aventurado (Et. Nic, X, 6, 1177b 26). Mas [[lexico:e:esse:start|esse]] [[lexico:t:tipo:start|tipo]] de definição do homem na [[lexico:t:tradicao:start|tradição]] filosófica teve como inspiração constante a Bíblia. Viram o homem como [[lexico:i:imagem-de-deus:start|imagem de Deus]]: [[lexico:c:calvino:start|Calvino]] (Institutie, I, 15, 8) e Zwinglio (Deutsche Schrifter, I, 56). Através das ricas amplificações de Jacob Boehme (cf, p. ex., Aurora oder die Morgenröthe im Aufgang, VI, I), esse [[lexico:c:conceito:start|conceito]] passou para a [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] romântica alemã. [[lexico:s:spinoza:start|Spinoza]] dizia que "a [[lexico:e:essencia:start|essência]] do homem é constituída por certas modificações dos atributos de Deus" (Et., II, 10. Corol.). Nas lições sobre a Destinação do douto, em 1794, [[lexico:f:fichte:start|Fichte]] apontava como [[lexico:t:tarefa:start|tarefa]] do homem adequar-se à [[lexico:u:unidade:start|unidade]] e à [[lexico:i:imutabilidade:start|imutabilidade]] do [[lexico:e:eu:start|eu]] [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]], segundo a [[lexico:m:maxima:start|máxima]] "age de tal [[lexico:f:forma:start|forma]] que possas considerar a máxima da tua [[lexico:v:vontade:start|vontade]] uma [[lexico:l:lei:start|lei]] eterna para ti" (Über die Bestimmung des Gelehrten, 1794, I). Mas o Eu absoluto é o [[lexico:p:principio:start|princípio]] ou a [[lexico:s:substancia:start|substância]] do homem, e sua unidade e sua imutabilidade são apenas a unidade e a imutabilidade de Deus, de tal forma que a melhor maneira de expressar a doutrina de Fichte a esse [[lexico:r:respeito:start|respeito]] é que o homem, em seu princípio [[lexico:i:ideal:start|ideal]], é Deus e deve esforçar-se por tornar-se tal. Analogamente, para [[lexico:h:hegel:start|Hegel]] o homem é essencialmente [[lexico:e:espirito:start|Espírito]] e o Espírito é Deus. Diz: "Conquanto considerado [[lexico:f:finito:start|finito]] por [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]], o homem é também imagem de Deus e [[lexico:f:fonte:start|fonte]] da infinidade em si mesmo, pois é o [[lexico:f:fim:start|fim]] de si mesmo e tem em si mesmo o [[lexico:v:valor:start|valor]] [[lexico:i:infinito:start|infinito]] e a destinação para a [[lexico:e:eternidade:start|Eternidade]]" (Philosophie der [[lexico:g:geschichte:start|Geschichte]], ed. Gloekner, p. 427). Hegel define cristianismo como a [[lexico:p:posicao:start|posição]] de "unidade do homem e de Deus" (Ibid., p. 416). Nessas definições de homem, a [[lexico:r:relacao:start|relação]] do homem com Deus é vista de forma positiva. Mas essa relação pode ser vista de [[lexico:m:modo:start|modo]] [[lexico:n:negativo:start|negativo]] ou invertido, permanecendo substancialmente a mesma. [[lexico:f:feuerbach:start|Feuerbach]], p. ex., diz que o homem se revela e se define no seu conceito de Deus. "O ser absoluto, o Deus do homem, é o ser do homem", diz ele ([[lexico:w:wesen:start|Wesen]] des Christentum, § 1). Aquilo que o homem pensa de Deus é a definição de homem: "Pensas o infinito? Então pensas e afirmas a infinidade do poder do [[lexico:p:pensamento:start|pensamento]]. Sentes o infinito? Sentes e afirmas a infinidade do poder do [[lexico:s:sentimento:start|sentimento]]" (Ibid.). As teses de [[lexico:e:existencia:start|existência]] ou inexistência de Deus [[lexico:n:nao:start|não]] influem nessas definições de homem, que se ancoram ao confronto entre o homem e Deus. Assim, em [[lexico:n:nietzsche:start|Nietzsche]], após a proclamação de que "Deus morreu", Zaratustra anuncia o Super homem, como aquilo que está [[lexico:a:alem:start|além]] do homem "A [[lexico:g:grandeza:start|grandeza]] do homem está no [[lexico:f:fato:start|fato]] de que ele é ponte e não fim: o que pode fazê-lo amar é o fato de ser ele uma passagem e um ocaso" (Also sprach Zarathustra, Prol., § 4). Em [[lexico:s:sentido:start|sentido]] [[lexico:a:analogo:start|análogo]] ao de Feuerbach e Nietzsche, mas acrescido do conceito de fracasso ao qual o homem está destinado, [[lexico:s:sartre:start|Sartre]] disse: "Se o homem possui uma [[lexico:c:compreensao:start|compreensão]] pré-ontológica do ser de Deus, ela não lhe foi conferida pelos grandes espetáculos da natureza nem pelo poderio da [[lexico:s:sociedade:start|sociedade]]: mas Deus, valor e [[lexico:o:objetivo:start|objetivo]] supremo da [[lexico:t:transcendencia:start|transcendência]], representa o [[lexico:l:limite:start|limite]] permanente a partir do qual o homem se anuncia aquilo que ele é. Ser homem é tender para Deus; ou, se assim preferirem, o homem é fundamentalmente [[lexico:d:desejo:start|desejo]] de ser Deus" (L’être et le néant, pp. 653-54). 2) As definições que exprimem uma característica ou uma capacidade atribuída ao homem são numerosas; a primeira e mais famosa é a definição de homem como "[[lexico:a:animal:start|animal]] [[lexico:r:racional:start|racional]]". Essa definição expressa [[lexico:b:bem:start|Bem]] o ponto de vista do [[lexico:i:iluminismo:start|Iluminismo]] [[lexico:g:grego:start|grego]] e o espírito das filosofias de [[lexico:p:platao:start|Platão]] e Aristóteles. Mas não se encontra explicitamente em Platão, que teria [[lexico:d:dito:start|dito]] somente que o homem é animal "capaz de [[lexico:c:ciencia:start|ciência]]" (Def., 415a), [[lexico:d:determinacao:start|determinação]] que Aristóteles repete, considerando-a como peculiaridade do homem (Top., V, 4, 133 a 20). Mas em [[lexico:p:politica:start|Política]] Aristóteles afirma que "o homem é o [[lexico:u:unico:start|único]] animal que possui [[lexico:r:razao:start|razão]]", e que a razão serve para indicar-lhe o [[lexico:u:util:start|útil]] e o pernicioso, portanto também o justo e o injusto (Pol, I, 2, 1253a 9; cf. VII, 13, 1382b, 5). Aceita pelos estoicos ([[lexico:s:sexto-empirico:start|Sexto Empírico]], Pirr. hyp., II, 26; J. Stobeo, Ecl, II, 132), essa definição tornou-se clássica e a ela recorrem habitualmente os escritores medievais (cf, p. ex., [[lexico:t:tomas-de-aquino:start|Tomás de Aquino]], S. Th., II, 1, q. 71, a. 2; II, 2, q. 34, a. 5). É essa a única definição que penetrou na [[lexico:c:cultura:start|cultura]] comum, e os filósofos também se referem a ela para introduzir variações que se coadunem com o sentido específico que deem à [[lexico:p:palavra:start|palavra]] razão. P. ex., a definição de Rosmini, "o homem é um [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] animal dotado da [[lexico:i:intuicao:start|intuição]] do ser ideal [[lexico:i:indeterminado:start|indeterminado]]" ([[lexico:a:antropologia:start|antropologia]], § 23), expressa a mesma [[lexico:c:coisa:start|coisa]] que a definição tradicional, porque, para Rosmini, a "[[lexico:p:percepcao:start|percepção]] do ser ideal indeterminado" é a razão (Nuovo saggio, § 396). A definição de De Bonald, famosa por algum [[lexico:t:tempo:start|tempo]], "o homem é uma [[lexico:i:inteligencia:start|inteligência]] servida por órgãos" (CEuvres, 1864,1, p. 41; III, p. 149), também nada mais é que uma paráfrase da definição tradicional, porquanto nela o "serviço dos órgãos" é equivalente a "animalidade". É ainda mais famosa a definição de [[lexico:p:pascal:start|Pascal]], "o homem nada mais é que um junco, o mais frágil da natureza, mas é um junco pensante" (Pensées, 347), que também pode ser considerada variante da definição tradicional, em que a [[lexico:c:conotacao:start|conotação]] da fragilidade [[lexico:n:natural:start|natural]] do homem tomou o [[lexico:l:lugar:start|lugar]] da "animalidade". Por outro lado, [[lexico:d:descartes:start|Descartes]] dispensara a animalidade e reduzira o homem a pensamento, como [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] imediata: "Para [[lexico:f:falar:start|falar]] com [[lexico:p:precisao:start|precisão]], sou apenas uma coisa que pensa, um espírito, um [[lexico:i:intelecto:start|intelecto]] ou uma razão" (Méd., II). Mas, na definição tradicional, a animalidade servia, por um lado, para [[lexico:e:explicar:start|explicar]] a óbvia [[lexico:l:limitacao:start|limitação]] da [[lexico:a:atividade:start|atividade]] pensante do homem e, por outro, para reconhecer no homem um ser terrestre ou [[lexico:m:mundano:start|mundano]], que necessita de órgãos. Em sentido cartesiano, [[lexico:h:husserl:start|Husserl]] disse: "Se o homem é um ser racional (animal rationale), só o é na medida em que toda a sua [[lexico:h:humanidade:start|humanidade]] é uma humanidade racional, na medida em que é latentemente orientado para a razão ou abertamente orientado para a [[lexico:e:entelequia:start|enteléquia]] que se revelou e guia, conscientemente e por [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]] [[lexico:e:essencial:start|essencial]], o [[lexico:d:devir:start|devir]] [[lexico:h:humano:start|humano]]" ([[lexico:k:krisis:start|krisis]], 1954, § 6). A última e mais atualizada versão da antiga definição diz que o homem é um animal [[lexico:s:simbolico:start|simbólico]], ou seja, um animal que [[lexico:f:fala:start|fala]] ([[lexico:c:cassirer:start|Cassirer]], Essay on Man, cap. II). Esta característica, na [[lexico:v:verdade:start|verdade]], estava presente no mesmo [[lexico:t:termo:start|termo]] grego que significa razão: [[lexico:l:logos:start|Logos]], que é o [[lexico:d:discurso:start|discurso]] racional ou a razão que se faz discurso. Na filosofia contemporânea, essa definição serve para expressar o poder condicionante da [[lexico:l:linguagem:start|linguagem]], do [[lexico:c:comportamento:start|comportamento]] sígnico em todas as [[lexico:a:atividades:start|atividades]] do homem. Esse poder dificilmente poderia ser exagerado, e a definição em pauta está, com [[lexico:j:justica:start|justiça]], entre as mais difundidas e aceitas na filosofia contemporânea. Contudo, não pode ser compreendida sem levar em conta a característica da auto-projetabilidade, que o [[lexico:t:terceiro:start|terceiro]] grupo de definições atribui ao homem. Uma segunda e mais específica determinação, que tem servido frequentemente para definir o homem, é sua natureza política, sociável. Já mencionada por Platão (Def., 415a), esta determinação é estreitamente ligada por Aristóteles à natureza racional do homem. "[[lexico:q:quem:start|quem]] não pode fazer [[lexico:p:parte:start|parte]] de uma [[lexico:c:comunidade:start|comunidade]] ou quem não precisa de nada, bastando-se a si mesmo, não é parte de uma [[lexico:c:cidade:start|cidade]], mas é fera ou Deus" (Pol., I, 2, 1253 a 27). Obviamente, para Aristóteles, é estreita a conexão entre [[lexico:r:racionalidade:start|racionalidade]] e política, podendo-se dizer o mesmo de todos aqueles que, depois dele, adotarem a mesma definição. [[lexico:h:hobbes:start|Hobbes]], que combatia essa definição, interpretava-a [[lexico:c:como-se:start|como se]] significasse: "O homem está apto, desde o nascimento, a [[lexico:v:viver:start|viver]] em sociedade"; afirmava que, nesse sentido, ela é falsa, porque o homem só se torna apto para a [[lexico:v:vida:start|vida]] [[lexico:s:social:start|social]] graças à [[lexico:e:educacao:start|educação]] (De cive, I, 2, e [[lexico:n:nota:start|nota]]). Mas o [[lexico:s:significado:start|significado]] mais óbvio dessa definição é que o homem não pode deixar de viver em sociedade; nesse sentido, nem mesmo Hobbes duvida de sua fundamental exatidão. No entanto, essa definição não foi proposta para determinar a natureza do homem em sua [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]]. Quem tem a pretensão de expressar a totalidade do homem é [[lexico:b:bergson:start|Bergson]]: "Se pudéssemos despir-nos do nosso [[lexico:o:orgulho:start|orgulho]], se, para definir nossa [[lexico:e:especie:start|espécie]], nos ativéssemos estritamente àquilo que a [[lexico:h:historia:start|história]] e a pré-história nos apresentam como característica constante do homem e da inteligência, talvez não disséssemos Homo sapiens, mas [[lexico:h:homo-faber:start|homo faber]]. Em conclusão, a inteligência, considerada naquilo que parece ser a sua tarefa original, é a [[lexico:f:faculdade:start|faculdade]] de fabricar objetos artificiais, particularmente utensílios para fazer utensílios, e de variar indefinidamente a [[lexico:f:fabricacao:start|fabricação]] deles" (Évol. créatr., 8a ed., 1911, p. 151). Na realidade, porém, o [[lexico:p:proprio:start|próprio]] Bergson admite que em torno da inteligência há um "halo de [[lexico:i:instinto:start|instinto]]", considerando [[lexico:p:possivel:start|possível]] o [[lexico:r:retorno:start|retorno]] da inteligência ao instinto, por [[lexico:m:meio:start|meio]] da intuição-. isso deveria significar que o homem não é apenas homo faber. 3) O terceiro grupo de definições compreende as que interpretam o homem como [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] de autoprojeção. Quase todas as definições do segundo grupo, mesmo partindo de uma única determinação do homem, considerada própria e fundamental, interpretam-na, explícita ou implicitamente, como possibilidade, como capacidade ou [[lexico:d:disposicao:start|disposição]]. Ao defender a definição do homem como animal racional, [[lexico:l:leibniz:start|Leibniz]] observa que o fato de os idiotas carecerem da razão não é uma [[lexico:o:objecao:start|objeção]] contra ela: basta que eles, mesmo que apenas com seu [[lexico:c:corpo:start|corpo]], mostrem um indício de racionalidade (Nouv. ess., HI, 6, 22). Mas, na realidade, já em Aristóteles está suficientemente claro que a razão é uma possibilidade ou capacidade de [[lexico:j:juizo:start|juízo]], não uma determinação necessitante, que somente a esse título constitui a definição do homem. O [[lexico:c:carater:start|caráter]] indeterminado do homem talvez estivesse disfarçado na expressão de [[lexico:d:democrito:start|Demócrito]]: "O homem é aquilo que todos nós sabemos" (Fr. 165, Diels), mas está claramente expresso nas especulações dos neoplatônicos da [[lexico:a:antiguidade:start|antiguidade]] e do [[lexico:r:renascimento:start|Renascimento]] sobre a "natureza média" ou "central" do homem. [[lexico:p:plotino:start|Plotino]] já afirmava a este propósito: "O lugar do homem é no meio, entre os [[lexico:d:deuses:start|deuses]] e os animais; às vezes tende para uns, às vezes para outros; alguns homens assemelham-se aos deuses; outros, às feras; a maioria fica no meio" (Enn., III, 2, 8). Esse pensamento foi ilustrado no séc. EX por [[lexico:s:scotus-erigena:start|Scotus Erigena]]: "Não foi sem razão que o homem foi denominado oficina de todas as criaturas, de fato, todas as criaturas estão nele contidas. Ele entende como o [[lexico:a:anjo:start|anjo]], raciocina como o homem, sente como o animal [[lexico:i:irracional:start|irracional]], vive como um germe, constitui-se de alma e corpo e não está isento de coisa alguma criada" (De divis. nat., III, 37). Esses [[lexico:p:pensamentos:start|Pensamentos]] são repetidos no Renascimento por [[lexico:n:nicolau-de-cusa:start|Nicolau de Cusa]] (De visione Dei, 6; Excitationes, V; De ludo globi, II) e por Marsílio Ficino (Theol. Plat, III, 2), e ambos transferem-nos para a alma do homem; Ficino chama a alma de cópula do [[lexico:m:mundo:start|mundo]]. Mas estão expressos de maneira clássica na oração De hominis dignitate, de [[lexico:p:pico-della-mirandola:start|Pico della Mirandola]], em que Deus diz: "Não te dei, Adão, um lugar determinado, um [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] próprio, nem prerrogativa alguma, porque esse lugar, esse aspecto e essas prerrogativas que venhas a desejar, tudo segundo tua vontade e teu [[lexico:d:discernimento:start|discernimento]], deves obter e conservar. A natureza limitada dos outros está contida em leis por mim prescritas. Tu determinarás as tuas sem seres impedido por barreiras, segundo o teu arbítrio, a cujo poder te confiei. — Pus-te no meio do mundo, para que de lá avistasses tudo o que nele existe. Não te fiz celeste nem terreno, mortal nem imortal, para que, como livre e soberano artífice de ti mesmo, te plasmasses e esculpisses na forma que melhor te aprouvesse. Poderás degenerar para as [[lexico:c:coisas:start|coisas]] inferiores; poderás, segundo o teu desejo, regenerar-te nas coisas superiores, que são divinas" (De hom. dign., f. 131 r). Com [[lexico:c:certeza:start|certeza]], a ilimitada capacidade de autoprojeção do homem nunca mais foi exaltada com tanta eloquência e com [[lexico:o:otimismo:start|otimismo]] tão confiante quanto nesta página de Pico della Mirandola. Todavia, o conceito iluminista de homem como razão projetante, limitada e impedida, mas eficaz, pode ser considerado decorrente do conceito renascentista do homem. [[lexico:k:kant:start|Kant]] dizia: "Numa criatura, a razão é o poder de entender além dos instintos naturais as normas e os fins de [[lexico:u:uso:start|uso]] de todas as suas atividades; ela não conhece limites para os seus desígnios. No entanto, a razão não age instintivamente, mas por tentativas, com o exercício e aprendendo, para elevar-se pouco a pouco e passar de um [[lexico:g:grau:start|grau]] de [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] a outro" (Idee zu einer allgemeinen Geschichte in Weltbürgerlicher Absicht, 1784, [[lexico:t:tese:start|tese]] II). Kant julga, portanto, que só através da história da espécie humana na [[lexico:t:terra:start|Terra]] o homem realiza a sua natureza, que é a [[lexico:l:liberdade:start|liberdade]] de auto-projetar-se com a razão, especialmente de projetar para si uma sociedade civilizada alicerçada totalmente no [[lexico:d:direito:start|direito]]. Essas [[lexico:i:ideias:start|ideias]] expressam bem o ponto de vista do iluminismo, ao qual o próprio Kant as atribuía. Com maior clareza ainda, Kant assim descrevia o caráter da espécie humana: "Para poder atribuir ao homem o seu lugar no [[lexico:s:sistema:start|sistema]] da natureza viva e assim caracterizá-lo, só resta dizer que ele tem o caráter que ele mesmo faz, porquanto sabe aperfeiçoar-se segundo os fins por ele mesmo criados; por isso, de animal capaz de [[lexico:r:raciocinar:start|raciocinar]] (animal rationabile), pode tornar-se sozinho animal que raciocina (animal rationale)" (Antr., II, e). Na filosofia contemporânea, esse conceito de homem foi herdado pelo [[lexico:e:existencialismo:start|existencialismo]] e pelo [[lexico:i:instrumentalismo:start|instrumentalismo]] americano. Por um lado, eles frisam que o homem é aquilo que ele mesmo pode e quer tornar-se, e por isso é constantemente [[lexico:p:problema:start|problema]] para si mesmo e solução para esse problema, que projeta continuamente seu modo de ser ou de viver e que este [[lexico:p:projeto:start|projeto]] passa a constituir, em algum grau ou medida, seu modo de ser ou de viver [[lexico:e:efetivo:start|efetivo]]. Por outro lado, ambas as correntes reconhecem as limitações dessa possibilidade de projetar, que agem especialmente no fato de que, em certa medida, cada projeto já encontra como dados(como relativamente não modificáveis) os [[lexico:e:elementos:start|elementos]] que utiliza, que tudo o que ele pode projetar para o [[lexico:f:futuro:start|futuro]] já foi, de qualquer modo ou forma, no passado, e que, portanto, o passado condiciona, em certos limites (considerados mais ou menos amplos), o futuro do homem. É neste sentido que [[lexico:h:heidegger:start|Heidegger]] disse que o projeto é o modo de ser fundamental do homem (Sein und Zeit, § 31) e Sartre falou de um projeto fundamental do mundo (L’être et le néant, p. 540). No mesmo sentido, John [[lexico:d:dewey:start|Dewey]] falou da mutabilidade da [[lexico:n:natureza-humana:start|natureza humana]] e dos seus chamados instintos ou impulsos fundamentais (Human Nature and Conduct, pp. 95 ss.; 106 ss.). Heidegger insistiu também sobre a limitação da possibilidade de projetar, uma vez que todo projeto incidiria e se achataria naquilo que já foi, nisso consistindo a [[lexico:f:facticidade:start|facticidade]] do homem (v. Projeto). Sartre insistiu na liberdade absoluta da possibilidade de projetar e considerou puramente arbitrária ou gratuita a [[lexico:e:escolha:start|escolha]] de um projeto qualquer (L’être et le néant, p. 721). Por outro lado, Dewey retomou o conceito iluminista de racionalidade (que é ao mesmo tempo [[lexico:c:condicionamento:start|condicionamento]] e liberdade) dos projetos humanos, e o existencialismo [[lexico:p:positivo:start|positivo]] deu ênfase aos mesmos [[lexico:c:caracteres:start|caracteres]] de auto-projeção (cf. [[lexico:a:abbagnano:start|Abbagnano]], Possibilita e liberta, 1956,1, 7; II, 3; etc). Aliás, hoje parece que até os biólogos compartilham dessa concepção. G. G. Simpson diz: "O homem pode optar por desenvolver suas capacidades como animal [[lexico:s:superior:start|superior]] e tentar erguer-se ainda mais, ou sua escolha pode ser outra. A escolha é [[lexico:r:responsabilidade:start|responsabilidade]] sua e apenas sua. Não existe [[lexico:a:automatismo:start|automatismo]] que o eleve sem escolha ou [[lexico:e:esforco:start|esforço]], nem existe uma [[lexico:t:tendencia:start|tendência]] unilateral na direção certa. A [[lexico:e:evolucao:start|evolução]] não tem objetivos; o homem deve dar objetivos a si mesmo" (The Meaning of Evolution, 6a ed., 1952, p. 310). O vocábulo alemão equivalente "Mensch" está relacionado com "Mann": varão. Em seu sentido [[lexico:p:primitivo:start|primitivo]] [[lexico:o:obscuro:start|obscuro]], e oriundo talvez de uma [[lexico:r:raiz:start|raiz]] ainda hoje existente em "mahnen": advertir, exortar, "Mensch" significa "ser pensante". Não se conhece também com exatidão o sentido originário do termo grego "anthropos", interpretado hoje como "rosto varonil", mas que anteriormente foi interpretado como "o que olha para cima ou para a frente". Enfim, o termo latino "homo" significa "nascido da terra" (cf. humus). Estas considerações de [[lexico:o:ordem:start|ordem]] etimológica aludem já à essência do homem. Por um lado, o homem, ser formado de terra, como as restantes coisas terrestres, ergue-se, por outro lado, acima delas e penetra num mundo superior. Em todo caso, ele permanecerá sempre o [[lexico:e:ente:start|ente]] mundano que maior [[lexico:n:numero:start|número]] de questões suscita, o ente que, via de [[lexico:r:regra:start|regra]], evita formulá-las, mas também o ente cuja [[lexico:p:pesquisa:start|pesquisa]] resulta sobremaneira compensatória. A autêntica [[lexico:i:investigacao:start|investigação]] do ser humano descobre constantemente sua grandeza incomparável, em conformidade com o canto imortal do coro da "Antígona" de Sófocles: "Muitas são as coisas grandiosas dotadas de vida, nenhuma delas supera o homem em grandeza". Multiforme estratificação caracteriza a natureza humana, ou seja, o homem em seu ser e operar. Primeiramente, oferece-nos um ser corpóreo, na [[lexico:e:estrutura:start|estrutura]] do qual entram elementos do domínio inorgânico. Se, no entanto, pretendêssemos explicar o homem só por eles, teríamos o [[lexico:m:materialismo:start|materialismo]] antropológico, que falseia pela raiz a essência daquele. Vemos, além disso, que o homem é um corpo vivo ou [[lexico:o:organismo:start|organismo]], que em si congloba todos os fenômenos e atividades da vida corporal. Seu corpo assemelha-se ao dos animais superiores; daí, que as funções vegetativas (nutrição, crescimento, [[lexico:r:reproducao:start|reprodução]]), se realizem segundo o tipo fundamental do animal, com o qual ele compartilha também a [[lexico:v:vida-consciente:start|vida consciente]] sensitiva. O homem encontra-se tão vinculado aos organismos que, a propósito dele, podemos [[lexico:p:por:start|pôr]] a [[lexico:q:questao:start|questão]] da descendência somática ou da evolução de seu corpo a partir de formas prévias inferiores ([[lexico:e:evolucionismo:start|evolucionismo]]). Todavia o homem não pode ser explicado apenas partindo da vida corporal, como nem deve subordinar tudo o mais ao [[lexico:d:desenvolvimento:start|desenvolvimento]] desta. Tal primazia da vida seria materialismo biológico. Consideramos até aqui, o homem como membro da natureza; contudo, no que tem de mais [[lexico:c:caracteristico:start|característico]], ele supera a natureza. Possui uma vida espiritual intrinsecamente [[lexico:i:independente:start|independente]] de tudo [[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] corpóreo. Por isso, o conhecimento intelectual baixa ao mais [[lexico:p:profundo:start|profundo]] das coisas, até ao ser, e ergue-se até ao Ser absoluto (Deus), [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]] [[lexico:u:ultimo:start|último]] de todo ser. Por isso, a vontade se revela soberanamente livre em face dos [[lexico:b:bens:start|bens]] finitos e abarca todo o bem, incluindo o [[lexico:b:bem-supremo:start|bem supremo]] (Deus). Pelo que, a vida espiritual representa o grau mais elevado da vida, pois que, transcendendo todos os limites, se move no infinito. Embora o homem possua esta vida só em medida finita e Deus, pelo contrário, a possua em grau infinito, ambos coincidem em possuí-la, sendo por isso o homem imagem de Deus. Daí resulta para o homem a primazia do espirito, ao qual tudo o mais está subordinado. Esta realidade superior, o espírito, vivifica e imprime também seu cunho nos demais elementos estruturais do homem, p. ex., em sua [[lexico:v:vida-sensitiva:start|vida sensitiva]] e até em sua [[lexico:a:aparencia:start|aparência]] [[lexico:e:exterior:start|exterior]] (porte erecto, etc), de [[lexico:s:sorte:start|sorte]] que, malgrado sua múltipla estratificação, apresenta um conjunto unitário. Esta [[lexico:h:harmonia:start|harmonia]] global é particularmente garantida pelo fato de a alma espiritual una ser igualmente o princípio dos outros graus de vida e formar, juntamente com o corpo, um só existente. A natureza espiritual do homem dota-o da [[lexico:d:dignidade:start|dignidade]] e intangibilidade peculiar e exclusiva da [[lexico:p:pessoa:start|pessoa]]. Seu caráter único e [[lexico:s:singular:start|singular]] transparece sobretudo na [[lexico:i:imortalidade:start|imortalidade]] [[lexico:p:pessoal:start|pessoal]], mercê da qual, o homem, superando tudo quanto é terrestre, aspira a seu fim pessoal supra-terreno, que é a [[lexico:p:posse:start|posse]] de Deus. Daí, o nunca ser lícito utilizar o homem como [[lexico:s:simples:start|simples]] meio, bem como a [[lexico:o:obrigacao:start|obrigação]] de manter sempre intatos seus direitos fundamentais inalienáveis ( liberdade exterior e inviolabilidade, liberdade de consciência, livre exercício de [[lexico:r:religiao:start|religião]], [[lexico:p:propriedade-privada:start|propriedade privada]], etc). O [[lexico:a:autentico:start|autêntico]] valor do homem é determinado por sua comprovada pureza [[lexico:e:etica:start|ética]], não por sua [[lexico:o:operacao:start|operação]] visível. Todavia esta lhe é recomendada como [[lexico:c:campo:start|campo]] de sua atuação [[lexico:m:moral:start|moral]]. Além disso, sua natureza espiritual manifesta-se também na plasmação criadora da cultura histórica. A [[lexico:p:polaridade:start|polaridade]] sexual do homem não é menos informada pelo espírito do que os restantes domínios de sua atividade. O [[lexico:s:sexo:start|sexo]] é, primariamente, algo de biológico; homem e mulher guardam entre si mútua [[lexico:c:correspondencia:start|correspondência]] como ser fecundante e ser [[lexico:r:receptor:start|receptor]] respectivamente. Todavia tal fato implica no homem a nobreza da paternidade e na mulher a da maternidade, entrando então em [[lexico:j:jogo:start|jogo]] a [[lexico:p:personalidade:start|personalidade]] total tanto dos pais quanto a do [[lexico:f:filho:start|filho]]. Ao invés, a personalidade integral do ser humano apresenta o cunho de sua destinação à paternidade ou, respectivamente, à maternidade. Tal peculiaridade, superando sua repercussão no matrimônio e na [[lexico:f:familia:start|família]], reveste-se de [[lexico:s:suma:start|suma]] importância para o cumprimento das diversas tarefas da humanidade, principalmente para a edificação da humana comunidade. Esta, vivificada pelo fator espiritual, sobrepuja as demais associações infra-hu-manas; ela constitui o [[lexico:e:espaco:start|espaço]] vital do homem, o qual sem ela não conseguiria desdobrar plenamente suas virtualidades; por tal [[lexico:m:motivo:start|motivo]] não deve o [[lexico:i:individuo:start|indivíduo]] negar-lhe seu concurso. O desenvolvimento integral das disposições e forças da natureza do homem conduz à nobre humanização, que o [[lexico:h:humanismo:start|humanismo]] preconiza como fim da humana coletividade. Seus ideais devem subscrever-se, na medida em que não excluam da humanidade Deus e o [[lexico:s:sobrenatural:start|sobrenatural]]. — Lotz. ser vivo dotado de razão. —A questão do homem (quer se trate da questão metafísica de sua "natureza" ou da questão moral de sua "destinação") constitui o [[lexico:i:interesse:start|interesse]] fundamental da [[lexico:f:filosofia-moderna:start|filosofia moderna]]. Esta se distingue assim das filosofias do passado, para as quais o problema central era o da existência do mundo exterior (Ber-keley, [[lexico:h:hume:start|Hume]], Kant) ou o da existência e da natureza da alma só (Descartes). O homem designa a totalidade concreta de um corpo animado e de uma alma inteligente. Poder-se realmente conhecer o que é humano e como se poder conhecê-lo: tal é o [[lexico:p:problema-filosofico:start|problema filosófico]] de hoje. I. A [[lexico:f:formacao:start|formação]] da ciência do homem. Depois de Hegel, que descobriu poderia a história ser um [[lexico:m:metodo:start|método]] de conhecimento das realidades humanas, foi A. [[lexico:c:comte:start|Comte]] o primeiro a falar de uma "ciência do homem". Seu problema era fundar uma verdadeira ciência, uma [[lexico:s:sociologia:start|sociologia]] e uma [[lexico:p:psicologia:start|psicologia]] "positivas", que destacariam o conhecimento do homem das interpretações subjetivas que as paixões e emoções nos sugerem. Nada achou de melhor que transpor os métodos das ciências da natureza para o domínio das "realidades humanas". Desse ponto de vista, a "filosofia positiva" não traz nenhum método adaptado ao conhecimento do homem como [[lexico:i:interioridade:start|interioridade]] e personalidade. [[lexico:d:dilthey:start|Dilthey]] foi o [[lexico:v:verdadeiro:start|verdadeiro]] fundador da "ciência do homem". Segundo ele, a ciência deveria definir-se como a "[[lexico:t:teoria:start|teoria]] das intuições do mundo" (Weltanschauungslehre); agrupava essas intuições do mundo em três rubricas segundo dominassem nelas o elemento [[lexico:s:sentimental:start|sentimental]] (religião), o racional (ciência) ou o voluntário (moral): a ciência do homem decompunha-se fundamentalmente em [[lexico:f:filosofia-da-religiao:start|filosofia da religião]], [[lexico:t:teoria-da-ciencia:start|Teoria da Ciência]] e moral. O método [[lexico:g:geral:start|geral]] da ciência do homem deveria ser a "compreensão", e Dilthey contrapunha à "[[lexico:e:explicacao:start|explicação]]" das realidades físicas a "compreensão" dos fenômenos humanos. "Não explicamos um homem encolerizado, compreendê-mo-lo", escreverá [[lexico:j:jaspers:start|Jaspers]]; e todos os homens podem [[lexico:c:compreender:start|compreender]] a relação entre a injúria e a cólera, ainda que não se trate de uma relação causal de tipo [[lexico:f:fisico:start|físico]] e sim de uma relação espiritual. Essa universalidade confere ao método de compreensão uma certa [[lexico:o:objetividade:start|objetividade]]. Atualmente, o conhecimento do homem aprofundou-se graças à psicologia e à sociologia: 1.° a [[lexico:p:psicanalise:start|psicanálise]] ou "psicologia em profundidade" revelou a existência de uma segunda personalidade, [[lexico:i:inconsciente:start|Inconsciente]] e [[lexico:a:atuante:start|atuante]], escondida sob os traços da personalidade superficial e social; 2.° a sociologia descobriu que um indivíduo pode mudar totalmente se o consideramos isoladamente ou em grupo. O homem parece então "ondulante e diverso"; e, ainda que [[lexico:j:jung:start|Jung]] tenha deduzido de suas análises psicanalíticas a existência de uma [[lexico:v:vocacao:start|vocação]] religiosa do homem, a psicanálise e a sociologia mais modernas recusam-se a falar de uma "natureza" do homem: o sociólogo constata os infinitos recursos da [[lexico:a:adaptacao:start|adaptação]] humana, e o psicólogo descobre a [[lexico:i:impossibilidade:start|impossibilidade]], para as pessoas analisadas, em se reconhecerem totalmente em suas próprias imagens descobertas pela [[lexico:a:analise:start|análise]]. O homem é livre, e por isso rebelde a qualquer ciência objetiva. II. O problema filosófico do homem. Define-se como a busca de uma [[lexico:s:sintese:start|síntese]] global de todos os aspectos do homem. A tarefa é "revelar a unidade de uma [[lexico:f:funcao:start|função]] geral que coordena todas as criações do homem e apresenta o [[lexico:m:mito:start|mito]], a religião, a [[lexico:a:arte:start|arte]] etc. como variações sobre um mesmo [[lexico:t:tema:start|tema]]" (Cassirer). O homem seria sempre [[lexico:i:identico:start|idêntico]] a si próprio em todas as suas manifestações. Toda a dificuldade vem do fato de que a filosofia contemporânea (o existencialismo, a [[lexico:f:fenomenologia:start|fenomenologia]], a filosofia reflexiva, o [[lexico:m:marxismo:start|marxismo]]) quer [[lexico:a:apreender:start|apreender]] o homem total, não mais dividido arbitrariamente em "atividade, [[lexico:a:afetividade:start|afetividade]] e conhecimento", mas, simultaneamente, em [[lexico:a:acao:start|ação]], sentimento e razão. Digamos que ela ainda não o conseguiu. Entretanto, não é contraditório querer-se conhecer "através de seu pensamento" uma existência em si mesma irracional? E uma vez que somente na [[lexico:e:experiencia:start|experiência]] da vida o homem pode realmente conhecer o homem, não seria preciso concluir que, na [[lexico:a:ausencia:start|ausência]] de qualquer solução especulativa, a solução se encontre numa "filosofia engajada" (Sartre, [[lexico:m:merleau-ponty:start|Merleau-Ponty]], Jaspers)? O homem é menos para "conhecer" que para "realizar". III. A verdadeira ciência do homem é a moral. Seu problema é o da destinação do homem no mundo. Pode-se distinguir, a este respeito, as morais "formais" (Kant), que afirmam que o homem deve agir "por [[lexico:d:dever:start|dever]]", sem precisar concretamente o conteúdo dos deveres que deve realizar; e as morais "concretas" (Fichte, Max [[lexico:s:scheler:start|Scheler]]), que identificam o dever à "vocação", a lei profunda e criadora de uma personalidade. Como pode o homem conhecer seu [[lexico:d:destino:start|destino]]? Ele não tem um conhecimento [[lexico:t:teorico:start|teórico]] positivo dele, e sim uma consciência prática negativa: toma conhecimento de falsas orientações que dá à sua vida, e seu verdadeiro destino ressalta de seus erros por uma "[[lexico:t:teologia-negativa:start|teologia negativa]] praticamente vivida" (Scheler). É trabalhando, tomando consciência de seus limites e de suas verdadeiras possibilidades que cada homem pode conhecer e realizar seu [[lexico:c:caminho:start|caminho]], que poderá "fazer, e fazendo, fazer-se" (Nietzsche). {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}