===== HILEMORFISMO E ATOMISMO ===== Nos modernos tratados de cosmologia, usa-se confrontar a [[lexico:t:teoria:start|teoria]] aristotélica dos [[lexico:p:principios:start|princípios]], chamada [[lexico:h:hilemorfismo:start|hilemorfismo]] com as teorias [[lexico:r:rivais:start|Rivais]] do [[lexico:a:atomismo:start|atomismo]] e do [[lexico:d:dinamismo:start|dinamismo]]. [[lexico:n:nao:start|Não]] será [[lexico:i:interessante:start|interessante]] entrar nessas discussões senão depois de se tomar [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] da extrema complexidade das explicações colocadas em [[lexico:q:questao:start|questão]] e da própria [[lexico:a:ambiguidade:start|ambiguidade]] do vocabulário empregado. Assim pode-se muito [[lexico:b:bem:start|Bem]] sustentar que no hilemorfismo de [[lexico:a:aristoteles:start|Aristóteles]] é [[lexico:l:latente:start|latente]] um atomismo e um [[lexico:m:mecanicismo:start|mecanicismo]] dos, mais caracterizados, e deve-se afirmar que [[lexico:d:descartes:start|Descartes]] é um anti-atomista convicto. Termos tão ambíguos como estes, em [[lexico:p:particular:start|particular]], de atomismo e de mecanicismo, não devem [[lexico:s:ser:start|ser]] utilizados senão com grande [[lexico:p:prudencia:start|prudência]]. A base mais segura para este debate parece ser a [[lexico:c:critica:start|crítica]] que Aristóteles opõe ao atomismo, tal como Leucipes e [[lexico:d:democrito:start|Demócrito]] o apresentavam. Com [[lexico:e:efeito:start|efeito]], estes dois filósofos tinham elaborado um [[lexico:s:sistema:start|sistema]] da [[lexico:n:natureza:start|natureza]] onde se encontrava a [[lexico:e:explicacao:start|explicação]] atomista do [[lexico:m:mundo:start|mundo]] sob a [[lexico:f:forma:start|forma]] mais ingênua, mas também a mais rigorosa. O mundo é [[lexico:c:composto:start|composto]] de partículas extremamente pequenas, não qualificadas, indivisíveis, somente dotadas de figuras diversas, e que, através, de associações variadas constituíam os corpos que nos rodeiam e produziam suas transformações. Da forte [[lexico:d:discussao:start|discussão]] sobre esta questão, colocada no [[lexico:p:principio:start|princípio]] do De Generatione, resultou que Aristóteles não pôde aceitar o atomismo pela [[lexico:r:razao:start|razão]] principal de que um tal sistema é impotente para [[lexico:e:explicar:start|explicar]] a [[lexico:g:geracao:start|geração]] de novas [[lexico:s:substancias:start|substâncias]]: um nôvo conjunto de. átomos não é uma [[lexico:s:substancia:start|substância]] nova. [[lexico:d:dito:start|dito]] de outra forma, a substância não pode resultar de um [[lexico:s:simples:start|simples]] [[lexico:a:agregado:start|agregado]] de [[lexico:e:elementos:start|elementos]] pré-existentes: "com efeito, há geração e [[lexico:c:corrupcao:start|corrupção]] absolutas, não em [[lexico:c:consequencia:start|consequência]] da [[lexico:u:uniao:start|união]] e da [[lexico:s:separacao:start|separação]] (no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] [[lexico:m:mecanico:start|mecânico]]), mas quando há [[lexico:m:mudanca:start|mudança]] total de uma tal [[lexico:c:coisa:start|coisa]] em uma outra coisa" (De Gener., I, c. 2, 317 a 20). "Que seja bem estabelecido, diz para concluir, que a geração não pode ser uma união" (317 a 30). Como sistema [[lexico:e:explicativo:start|explicativo]] [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]] o atomismo vai de encontro com o [[lexico:f:fato:start|fato]], demonstrado por Aristóteles, da geração [[lexico:s:substancial:start|substancial]] concebida como a [[lexico:d:destruicao:start|destruição]] total de um ser, ligada ao nascimento de um ser essencialmente novo. Se se continua a admitir com o Estagirita que há tais transformações no mundo [[lexico:f:fisico:start|físico]], o que evidentemente supõe previamente que há substâncias, a [[lexico:a:argumentacao:start|argumentação]] do De Generatione parece conservar [[lexico:t:todo:start|todo]] seu [[lexico:v:valor:start|valor]] e, no [[lexico:p:plano:start|plano]] filosófico, o hilemorfismo deve ser mantido. Ora, já o vimos, pelo menos para o caso dos viventes, para os quais os têrmos [[lexico:i:individuo:start|indivíduo]], nascimento ou destruição parecem conservar sua [[lexico:s:significacao:start|significação]] plena, parece difícil refutá-lo. Mas o atomismo, e é sob este [[lexico:p:ponto:start|ponto]] de vista que [[lexico:g:geral:start|geral]] [[lexico:m:mente:start|mente]] se colocam os estudiosos, pode ser considerado como uma ordenação e uma solução sobre o plano da [[lexico:q:quantidade:start|quantidade]], ou do [[lexico:c:continuo:start|contínuo]] espacial do mundo dos corpos. [[lexico:n:nada:start|nada]] impede, parece, imaginar [[lexico:a:agora:start|agora]] que estes sejam constituídos de corpúsculos nos quais a [[lexico:d:disposicao:start|disposição]] e os movimentos serão analisáveis matematicamente. Assim o [[lexico:u:universo:start|universo]] se revelará sob esta [[lexico:l:luz:start|luz]] como um sistema mecânico: [[lexico:v:visao:start|visão]] de fato fundamentada na [[lexico:r:realidade:start|realidade]] e que no [[lexico:p:proprio:start|próprio]] [[lexico:a:aristotelismo:start|aristotelismo]] encontra, com a doutrina do [[lexico:p:primado:start|primado]] do [[lexico:m:movimento:start|movimento]] local, como uma pedra fundamental. Mas esta visão é obtida, convém não esquecermos, ao preço de uma [[lexico:a:abstracao:start|abstração]] e sob um ponto de vista [[lexico:r:relativo:start|relativo]]. A explicação hilemórfica e a explicação atomista poderão portanto ser igualmente mantidas, cada uma em seu plano. Mas, filosoficamente falando, é a [[lexico:a:analise:start|análise]] de Aristóteles que vai mais ao fundo das [[lexico:c:coisas:start|coisas]]. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}