===== HIERARQUIA DAS MÔNADAS ===== As [[lexico:m:monadas|mônadas]] têm percepções; porém algumas dentre as mônadas [[lexico:a:alem|além]] de percepções, têm apercepções. As mônadas que têm apercepções e [[lexico:m:memoria|memória]] constituem o que se chama as almas, ou seja um [[lexico:p:plano|plano]] [[lexico:s:superior|superior]], na [[lexico:h:hierarquia|hierarquia]] [[lexico:m:metafisica|metafísica]], ao das [[lexico:s:simples|simples]] mônadas com percepções, ou seja, com [[lexico:i:ideias|ideias]] confusas e obscuras. Esforça-se [[lexico:l:leibniz|Leibniz]],, em muitas passagens de suas obras, para tornar patente a [[lexico:e:existencia|existência]] de percepções inconscientes; pois se [[lexico:n:nao|não]] houvesse ou não pudesse haver percepções inconscientes, toda sua [[lexico:t:teoria|teoria]] viria abaixo. Se toda [[lexico:p:percepcao|percepção]] fosse também, necessariamente [[lexico:a:apercepcao|apercepção]], então [[lexico:t:todo|todo]] o [[lexico:s:sistema|sistema]] metafísico de Leibniz viria abaixo. Porém Leibniz esforça-se por mostrar como na nossa própria [[lexico:v:vida-psiquica|vida psíquica]], tão desenvolvida, pois somos almas com apercepção e memória, encontramos também percepções sem [[lexico:c:consciencia|consciência]], e alude a uma porção de fatos psicológicos [[lexico:b:bem|Bem]] conhecidos desde então na [[lexico:p:psicologia|psicologia]] e que revelam que a cada [[lexico:m:momento|momento]] estamos percebendo sem aperceber. Temos percepções e não apercepção disso. Por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], quando Leibniz faz notar que o ruído das ondas do mar sobre a praia tem que se compor necessariamente de uma [[lexico:m:multidao|multidão]] enorme de pequenos ruídos: o que cada gota de água faz sobre cada grão de areia; e sem embargo, não somos conscientes desses pequenos ruídos, disso que ele chama petites perceptions, [[lexico:p:pequenas-percepcoes|pequenas percepções]]. Somos conscientes somente da [[lexico:s:soma|soma]] deles, do conjunto deles, mas não de cada um deles. À [[lexico:p:parte|parte]] as sensações, alude também a uma porção de outros fenômenos psíquicos que não são conscientes. Seria bem fácil mostrar como em nossa [[lexico:v:vida|vida]] psíquica estamos a cada momento tendo percepções e sensações das quais não nos damos conta. Pois bem: quando a [[lexico:m:monada|mônada]], além da percepção [[lexico:i:inconsciente|Inconsciente]], tem percepção [[lexico:c:consciente|consciente]], ou seja, a percepção e [[lexico:c:capacidade|capacidade]] de relembrar, ou seja, a memória, essa mônada é [[lexico:a:alma|alma]]. Aqui Leibniz opõe-se radicalmente à teoria de [[lexico:d:descartes|Descartes]], que afirmava que os animais não têm alma, que são puros mecanismos, iguais aos relógios, e funcionam como relógios. Pois bem; Leibniz considera que não há tal, antes que os animais têm alma, porque têm apercepção, se dão conta e ademais têm memória. [[lexico:o:outro|outro]] degrau superior na hierarquia metafísica das mônadas seriam os [[lexico:e:espiritos|espíritos]]. Leibniz chama espíritos às almas que ademais possuem a [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]], capacidade ou [[lexico:f:faculdade|faculdade]] de conhecer as verdades racionais, as [[lexico:v:verdades-de-razao|verdades de razão]]. A possibilidade de intuir as verdades de [[lexico:r:razao|razão]], de [[lexico:t:ter|ter]] percepção aperceptiva das verdades de razão, é para Leibniz o [[lexico:s:sinal|sinal]] distintivo dos espíritos. E, por [[lexico:u:ultimo|último]], no mais alto, no [[lexico:p:ponto|ponto]] supremo da [[lexico:h:hierarquia-das-monadas|hierarquia das mônadas]], está [[lexico:d:deus|Deus]], que é uma mônada perfeita, ou seja, em que todas as percepções são apercebidas, em que todas as ideias são claras, nenhuma confusa, e em que o [[lexico:m:mundo|mundo]], o [[lexico:u:universo|universo]], está refletido não de um ponto de vista, mas de todos os pontos de vista. Imaginemos, pois, um [[lexico:s:ser|ser]] que veja o universo, como o vemos nós, de um setor do universo. Todo o universo está nesse setor, porque sem descontinuidade nenhuma poderíamos passar desse setor a outro; porém simultaneamente não podemos [[lexico:e:estar|estar]] situados mais que num ponto de [[lexico:o:observacao|observação]]; de maneira que, embora tendo o máximo [[lexico:c:conhecimento-cientifico|conhecimento científico]] não poderíamos refletir o mundo mais que de um certo ângulo visual. Mas imaginemos [[lexico:a:agora|agora]] um ser que possa refletir, da soma de todos os ângulos visuais, o mundo, um ser que tenha uma [[lexico:p:perspectiva|perspectiva]] [[lexico:u:universal|universal]]: [[lexico:e:esse|esse]] é Deus. Desta maneira, o enxame [[lexico:i:infinito|infinito]] das mônadas constitui um edifício hierárquico em cuja base estão as mônadas inferiores, as mônadas materiais, cujos conglomerados constituem os corpos mesmos, que são pontos de [[lexico:s:substancia|substância]] imaterial, pontos de substância psíquica com percepção e [[lexico:a:apeticao|apetição]]. Mas logo em cima estão as almas, ou seja aquelas mônadas dotadas de apercepção e de, memória. Por cima ainda, os espíritos, aquelas mônadas dotadas de apercepção memória e [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] das [[lexico:v:verdades-eternas|verdades eternas]]. E finalmente, no ápice, está Deus, mônada perfeita, na qual toda [[lexico:i:ideia|ideia]] é clara, nenhuma confusa, e toda percepção é apercebida ou consciente.