===== HERMES ===== Hermes de sandálias aladas tinha por pai a [[lexico:z:zeus:start|Zeus]], o [[lexico:e:espaco:start|espaço]] celeste de onde proveem os ventos e, por mãe, a Maia, uma Ninfa das chuvas. As águas do [[lexico:c:ceu:start|Céu]], com [[lexico:e:efeito:start|efeito]], escapando do seio cavernoso das nuvens, parecem dar nascimento e empurrar à sua frente o [[lexico:d:deus:start|Deus]] do vento, Hermes. Dizem que [[lexico:e:esse:start|esse]] [[lexico:d:divino:start|divino]] mensageiro nasceu na Arcádia, em uma gruta sombreada, que se abria, vasta e profunda, nas altas encostas do Monte Cilene. [[lexico:m:mal:start|mal]] nasceu, livrou-se dos cueiros, saiu da caverna e partiu para a montanha. [[lexico:n:nao:start|Não]] longe da gruta em que nascera, encontrou, por [[lexico:a:acaso:start|acaso]], uma tartaruga que se arrastava, lentamente, enquanto pastava as flores do [[lexico:p:prado:start|Prado]]. Hermes agarrou-a e voltou para a caverna. Com um ferro resplandecente, esvaziou o [[lexico:c:corpo:start|corpo]] do [[lexico:a:animal:start|animal]], recobriu-o com um flexível couro de boi; depois, cortando hastes de cana, passou-as através da concha mosqueada, adaptou a essa carapaça dois braços atados por um [[lexico:b:belo:start|belo]] cavalete, distendeu sete cordas sobre fortes cravelhas e assim construiu o [[lexico:i:instrumento:start|instrumento]] melodioso que, sob o [[lexico:n:nome:start|nome]] de lira, deveria acompanhar a dança e aumentar a [[lexico:a:alegria:start|alegria]] ruidosa dos festins. Hermes acariciou as cordas [[lexico:b:bem:start|Bem]] tesas e delas tirou um som maravilhoso e encantador. Entusiasmado, o Deus pôs-se a cantar. Celebrou em versos harmoniosos, acompanhados pelos acordes da lira, os amores de Zeus e de Maia, a [[lexico:b:beleza:start|beleza]] das Ninfas de cabelos perfumados que habitavam a gruta em que nascera. Aí começa uma [[lexico:s:serie:start|série]] de episódios da [[lexico:l:lenda:start|lenda]] de Hermes. Deus viajante, predestinado a [[lexico:e:estar:start|estar]] sempre de partida para levar a todos os [[lexico:l:lugares:start|lugares]] as mensagens de Zeus, Hermes tornou-se, em [[lexico:c:consequencia:start|consequência]], o Deus que servia de guia aos homens em viagem e que protegia a segurança das vias de [[lexico:c:comunicacao:start|comunicação]]. Sua [[lexico:e:estatua:start|estátua]] erguia-se nos lugares em que os caminhos se bifurcam, e os marcos que balizam as estradas eram-lhe consagrados. De protetor de viagens, Hermes, em seguida, passou a [[lexico:s:ser:start|ser]] considerado como o Deus do tráfego, do negócio e do lucro. Era ele, com efeito, que, dirigindo os ventos que inflavam os velames e impeliam as querenas, conduzia os comerciantes de um balcão para [[lexico:o:outro:start|outro]], prodigalizando-lhes grandes negócios. Entretanto, malgrado suas numerosas e diversas atribuições, era sobretudo o papel de mensageiro dos [[lexico:d:deuses:start|deuses]] que constituía o apanágio [[lexico:e:essencial:start|essencial]] de Hermes. Mas, por ser o [[lexico:i:interprete:start|intérprete]] cujo [[lexico:d:dever:start|dever]] era transmitir e [[lexico:e:explicar:start|explicar]] os desejos divinos, o [[lexico:f:filho:start|filho]] de Maia devia possuir, para bem desempenhar-se das funções a seu cargo, a elocução clara, a [[lexico:p:palavra:start|palavra]] exata e o [[lexico:d:dom:start|dom]] soberano da [[lexico:p:persuasao:start|persuasão]]. Tornou-se, pois, a esse título, o Deus da eloquência e da [[lexico:a:arte:start|arte]] oratória. Como Hermes tivesse também [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]], para levar as ordens que lhe eram confiadas, de um corpo ágil, dotado de elasticidade e de rapidez, esse Deus de formas esguias tornou-se o [[lexico:i:ideal:start|ideal]] que a mocidade ateniense, nos exercícios que tornavam flexíveis os membros, unindo a [[lexico:f:forca:start|força]] à [[lexico:g:graca:start|graça]], jamais cessou de tomar como [[lexico:m:modelo:start|modelo]]. Não satisfeito de tratar dos negócios dos homens quando em [[lexico:v:vida:start|vida]], Hermes, após a [[lexico:m:morte:start|morte]], ocupava-se ainda deles. Os antigos, com efeito, comparavam a [[lexico:a:alma:start|alma]] humana a um [[lexico:s:sopro:start|sopro]]. No [[lexico:m:momento:start|momento]] do desenlace, esse sopro evolava-se. Hermes, então, recolhia-o nos ares, e o levava com sua varinha de ouro até os supremos juízes, que tinham assento nos Infernos. O deus Thot, egípcio é considerado como equivalente a Hermes, e inclusive citado como o inventor da [[lexico:e:escrita:start|escrita]] em [[lexico:m:mito:start|mito]] relatado por [[lexico:s:socrates:start|Sócrates]] no [[lexico:f:fedro:start|Fedro]]. Sob a inspiração deste deus, em [[lexico:a:alexandria:start|Alexandria]] “grega” nos primeiros séculos depois de Cristo, surgiram vários escritos que vieram a alimentar uma [[lexico:t:tradicao:start|tradição]] denominada [[lexico:h:hermetismo:start|hermetismo]], e foram reunidos em uma coleção sob o título de [[lexico:c:corpus:start|corpus]] hermeticum. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}