===== GERAÇÃO ===== (gr. [[lexico:g:genesis|genesis]]; lat. generatio; in. Generation; fr. Génération; al. Erzeugung; it. Generazioné). Segundo [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]], "a [[lexico:m:mudanca|mudança]] que vai do [[lexico:n:nao-ser|não-ser]] ao [[lexico:s:ser|ser]] do [[lexico:s:sujeito|sujeito]], segundo a [[lexico:c:contradicao|contradição]]": a passagem da [[lexico:n:negacao|negação]] da [[lexico:c:coisa|coisa]] à coisa. A geração pode ser absoluta, e nesse caso é a passagem do não-ser ao ser da [[lexico:s:substancia|substância]], ou qualificada, e nesse caso é a passagem do não-ser ao ser de uma [[lexico:q:qualidade|qualidade]] da substância (Fís., V, I 225 a I2 ss.).0 oposto de geração é [[lexico:c:corrupcao|corrupção]] . geração e corrupção constituem a primeira das [[lexico:q:quatro|Quatro]] espécies de mudança, mais precisamente a mudança [[lexico:s:substancial|substancial]] (Ibid, 225 a 1) (v. [[lexico:d:devir|devir]]). Em muitos dos seus escritos, tratou Aristóteles do [[lexico:p:problema|problema]] da geração juntamente com o seu oposto, o da corrupção. Assim, na sua [[lexico:m:metafisica|metafísica]], diz: “a mudança de um não-ser para um ser, que é o seu contraditório, é a geração, que para a mudança absoluta é a geração absoluta e para a mudança relativa é a geração relativa. A mudança de um ser para um não-ser é a corrupção, que para a mudança absoluta é a corrupção absoluta e para a mudança relativa é a corrupção relativa”. [[lexico:a:absoluto-e-relativo|absoluto e relativo]] têm aqui os sentidos de [[lexico:n:nao|não]] qualificado e qualificado, respectivamente. Aristóteles estuda o “chegar a ser” e o “deixar de ser” enquanto são por [[lexico:n:natureza|natureza]] e podem predicar-se uniformemente em todas as [[lexico:c:coisas|coisas]] naturais. Este chegar a ser (geração) e deixar de ser (corrupção) são espécies de mudança estreitamente relacionadas com as mudanças de qualidade e as mudanças de tamanho. Aristóteles opõe-se às teorias dos filósofos anteriores, sublinhando as dificuldades que encontra em cada uma delas. Em seu entender, não se pode [[lexico:f:falar|falar]] de uma geração absoluta e de uma corrupção absoluta (ou não qualificada) se isto equivale a afirmar que uma substância procede do [[lexico:n:nada|nada]] e se converte em nada. Mas pode introduzir-se o [[lexico:c:conceito|conceito]] de geração, e o de corrupção em [[lexico:r:relacao|relação]] com a [[lexico:i:ideia|ideia]] de [[lexico:p:privacao|privação]] e, por conseguinte, com [[lexico:r:referencia|referência]] a alguma [[lexico:f:forma|forma]] de não-ser - pelo menos enquanto “não ser qualquer coisa determinada”. Mais propriamente se [[lexico:f:fala|fala]] de geração e corrupção relativas ou qualificadas, porquanto assume a [[lexico:e:existencia|existência]] de uma [[lexico:m:materia|matéria]] ou [[lexico:s:substrato|substrato]] que adota diversas formas substanciais. A maioria dos autores antigos tratou a [[lexico:q:questao|questão]] da geração e corrupção dos corpos e das [[lexico:s:substancias|substâncias]] do [[lexico:m:mundo|mundo]] [[lexico:s:sensivel|sensível]]. Os autores medievais, e em [[lexico:p:particular|particular]] os escolásticos, tenderam a distinguir entre diversas noções de geração. O mais comum foi distinguir antes de tudo entre geração e [[lexico:c:criacao|criação]]. A primeira é produção a partir de algo, e especialmente pela introdução de uma nova forma na matéria. Entende-se sempre a geração como mudança, não como [[lexico:m:movimento|movimento]]. A mudança em questão é súbita, pois não se pode dizer que entre duas coisas, a e b, há uma terceira, c, que se interpõe de maneira que a produz c e depois b; isto equivaleria a três coisas, e não só a duas. Deve advertir-se que a geração não afeta propriamente nem a forma nem a matéria, mas apenas o [[lexico:c:composto|composto]]; com [[lexico:e:efeito|efeito]], [[lexico:m:materia-e-forma|matéria e forma]] não podem mudar em si mesmas. Em [[lexico:s:sentido|sentido]] diferente se fala de geração como uma [[lexico:r:realidade-primaria|realidade primária]] para [[lexico:c:compreender|compreender]] o [[lexico:p:processo|processo]] [[lexico:h:historico|histórico]]. A [[lexico:t:tese|tese]] das gerações foi fundamentada e consequentemente desenvolvida por [[lexico:o:ortega-y-gasset|Ortega y Gasset]]. Para ele a [[lexico:h:historia|história]] compõe-se de gerações, as quais constituem dados culturais próprias que seguem um [[lexico:r:ritmo|ritmo]] específico e perfeitamente determinável. A geração é “uma e a mesma coisa com a [[lexico:e:estrutura|estrutura]] da [[lexico:v:vida|vida]] humana em cada [[lexico:m:momento|momento]]”, de [[lexico:m:modo|modo]] que “não se pode tentar perceber o que na [[lexico:v:verdade|verdade]] se passou em tal ou tal data se não se averiguar antes em que geração se passou, isto é, dentro de que [[lexico:f:figura|figura]] de existência humana aconteceu” ([[lexico:e:esquema|esquema]] DAS CRISES). A [[lexico:t:teoria-das-geracoes|teoria das gerações]] forma assim uma [[lexico:p:parte|parte]] [[lexico:e:essencial|essencial]] da historiologia que não é nem uma [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] construtiva em história nem uma mera [[lexico:t:tecnica|técnica]] historiográfica. A geração torna-se, segundo ele, o [[lexico:u:unico|único]] substantivo na história e o que permite articulá-la numa continuidade que rompe os quadros de qualquer [[lexico:c:classificacao|classificação]] [[lexico:f:formal|formal]].