===== GÊNIO MALÍGNO ===== [[lexico:d:descartes|Descartes]] expressa isto de uma maneira muito [[lexico:p:particular|particular]] sua. Como Descartes é um [[lexico:f:filosofo|filósofo]] que gosta de expressar-se em termos acessíveis a [[lexico:t:todo|todo]] [[lexico:m:mundo|mundo]], que gosta de [[lexico:f:falar|falar]] como diziam os franceses de sua [[lexico:e:epoca|época]], le langage des honnêtes gens, a [[lexico:l:linguagem|linguagem]] das pessoas [[lexico:b:bem|Bem]] educadas, evita no [[lexico:p:possivel|possível]] o que ele chama termos da [[lexico:e:escola|escola]]; e para dar a entender isto que acabo de expressar aqui, ou seja que em nenhum [[lexico:p:pensamento|pensamento]], por claro e distinto que seja, há a menor [[lexico:g:garantia|garantia]] da [[lexico:e:existencia|existência]] do seu [[lexico:o:objeto|objeto]], para dizer isto faz um rodeio algo estranho que é a [[lexico:h:hipotese|hipótese]] de que algum [[lexico:g:genio|gênio]] maligno e todo-poderoso está empenhado em enganar-me; põe na [[lexico:m:mente|mente]] [[lexico:p:pensamentos|Pensamentos]] de uma clareza e de uma simplicidade, de uma [[lexico:e:evidencia|evidência]] indubitável, e, todavia, estes pensamentos, apesar de sua evidência, talvez sejam falsos porque este gênio todo poderoso, maligno e burlão tenha o [[lexico:p:prazer|prazer]] de botar na minha mente pensamentos evidentes e, sem embargo, falsos. Claro que esta é uma maneira metafórica de falar. O que quer dizer aqui Descartes é que um pensamento [[lexico:n:nao|não]] contém nunca, na sua [[lexico:e:estrutura|estrutura]] como pensamento, nenhuma garantia de que o objeto pensado corresponda a uma [[lexico:r:realidade|realidade]] fora do pensamento.