===== FULGURAÇÃO ===== (in. Fulguration; fr. Fulguration; it. Fulgurazioné). [[lexico:t:termo|termo]] com o qual [[lexico:l:leibniz|Leibniz]] indicou o [[lexico:m:modo|modo]] como as [[lexico:m:monadas|mônadas]] dimanam de [[lexico:d:deus|Deus]], porquanto nascem "por assim dizer por [[lexico:m:meio|meio]] de fulgurações contínuas da divindade de [[lexico:m:momento|momento]] em momento" (Monad., § 47). [[lexico:e:esse|esse]] termo pretende ressaltar a continuidade da [[lexico:c:criacao|criação]] divina. Assim consideradas, as religiões constituem-se, portanto, como que em [[lexico:f:forma|forma]] [[lexico:a:a-priori|a priori]] de todas as possíveis ou efetivas configurações culturais. Mas temos de atenuar um pouco o sabor kantiano desta [[lexico:t:terminologia|terminologia]], de converter este significante em mera [[lexico:s:sugestao|sugestão]] de [[lexico:o:outro|outro]] [[lexico:s:significado|significado]]. Temos, sobretudo, de subtraí-lo à precária vigência do [[lexico:m:mito|mito]] do [[lexico:h:homem|homem]]. O a priori tenta sugerir, [[lexico:n:nao|não]] o não-experimental que condicionaria a nossa [[lexico:e:experiencia|experiência]], mas a primeira experiência ou a primeira [[lexico:o:ordem|ordem]] de experiência da «Fulguração Ofuscante», em que «Fulguração» corresponde ao mostrar-se uma daquelas contenções da [[lexico:e:excessividade|excessividade]] Caótica, um desses subprodutos do [[lexico:c:caos|caos]] Excessivo, e o «Ofuscante», ao ocultar-se, por [[lexico:v:virtude|virtude]] da mesma Fulguração, o que só a outras Fulgurações ficou reservado desocultar, ou, em mais perfeita consonância com o [[lexico:h:heidegger|Heidegger]] tão [[lexico:b:bem|Bem]] interpretado, quanto parcialmente refutado por Vicente [[lexico:f:ferreira-da-silva|Ferreira da Silva]], a primeira forma em que se instaura um «[[lexico:r:regime|regime]] de Fascinação», em que o «Fascinator» é o [[lexico:s:ser|ser]], o [[lexico:r:real|real]], o [[lexico:a:absoluto|absoluto]] ou não importa [[lexico:c:como-se|como se]] designe a Divindade que «quer e não quer ser chamada pelo [[lexico:n:nome|nome]] de [[lexico:z:zeus|Zeus]]». No [[lexico:u:uso|uso]] desta [[lexico:l:linguagem|linguagem]] ou, antes, desta [[lexico:c:codificacao|codificação]], à [[lexico:m:medida|medida]] em que se propõe, para [[lexico:a:alem|além]] da [[lexico:r:relacao|relação]] [[lexico:s:sujeito-objeto|sujeito-objeto]], o conjugarem-se, na mesma [[lexico:p:projecao|projeção]] entitativa, o homem que está para o [[lexico:m:mundo|mundo]] e o mundo que está para o homem, desvanece-se a [[lexico:i:ilusao|ilusão]] do «[[lexico:p:progresso|progresso]]», que ficou para trás, como preferido [[lexico:a:arranjo|arranjo]] das escórias residuais do mesmo incêndio, provocado por uma, e só uma, de todas as possíveis Fulgurações que põem a nossa irredutível [[lexico:s:subjetividade|subjetividade]] como um Absoluto em relação direta com o Absoluto. Porque a nossa subjetividade irredutível, o [[lexico:p:ponto|ponto]] central e indiferente, a [[lexico:c:condicao|condição]] incondicionada de todas as objetivações, dentro e fora das nossas diversas individuações ou personificações, é a que tem por [[lexico:o:objeto|objeto]] o [[lexico:p:proprio|próprio]] Real. Para ela, e só para ela, [[lexico:o:objetividade|objetividade]] e [[lexico:r:realidade|realidade]] são uma e a mesma [[lexico:c:coisa|coisa]]. Diante de qualquer das esferas nela concentradas, por maior que seja o seu raio (contando que não exceda o da nossa «[[lexico:p:personalidade|personalidade]]», por muito que ela se dilate) há sempre um mundo «[[lexico:o:objetivo|objetivo]]» que oculta ou em que se oculta a transobjetividade do Real e do Absoluto, isto é, do Secretum ou do Separado, que não deixará de sê-lo, senão quando, descendo nós em nós mesmos, até ao ínfimo de todos os Infernos, virmos que ele se casou com o supremo de todos os Céus.