===== FRUIÇÃO ===== (lat. fruitio; in. Fruition; fr. Fruition; al. Genus; it. Fruizioné). Na [[lexico:e:escolastica|escolástica]] medieval foi assim [[lexico:c:chamado|chamado]] o usufruto de [[lexico:d:deus|Deus]] por [[lexico:p:parte|parte]] do [[lexico:h:homem|homem]] ou, em [[lexico:g:geral|geral]], por parte das criaturas racionais, na [[lexico:m:medida|medida]] em que Ele constitui o [[lexico:f:fim|fim]] [[lexico:u:ultimo|último]] delas (cf. [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]], S. Th., II, 1, q. 11, a. 3). A [[lexico:d:distincao|distinção]] entre a fruição de Deus e [[lexico:u:uso|uso]] das [[lexico:c:coisas|coisas]] já fora considerada fundamental por Pedro Lombardo, servindo de base as seções de seu Livro das [[lexico:s:sentencas|sentenças]] (séc. XII). Também encontramos a distinção entre uso e fruição em [[lexico:h:hobbes|Hobbes]]: "Do [[lexico:b:bem|Bem]] que desejamos por [[lexico:s:si-mesmo|si mesmo]] [[lexico:n:nao|não]] fazemos uso, visto que o uso é das coisas que servem de meios e de instrumentos, mas a fruitio é como o fim da [[lexico:c:coisa|coisa]] proposta" (De [[lexico:b:bom|Bom]]., XI, § 5). Às vezes essa [[lexico:p:palavra|palavra]] é usada em [[lexico:s:sentido|sentido]] [[lexico:a:analogo|análogo]] na [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] contemporânea, p. ex. por [[lexico:d:dewey|Dewey]] (Experience and Nature, 1926, cap. 3), outras vezes com [[lexico:s:significacao|significação]] diferente como em S. Alexander (Space, Time andDeity, 1920), indicando a [[lexico:p:percepcao|percepção]] imediata que a [[lexico:c:consciencia|consciência]] tem de si mesma (percepção [[lexico:i:imanente|imanente]] no sentido de [[lexico:h:husserl|Husserl]]) (v. Consciência). Whitehead falou de autofruição (Autofruition) como [[lexico:c:caracteristica|característica]] da [[lexico:v:vida|vida]], porquanto esta se apropria dos processos físicos da [[lexico:n:natureza|natureza]] (Nature and Life, 1934, II).