===== FILOSOFIA E EXPERIÊNCIA ===== Em um [[lexico:g:grau|grau]] inteiramente inferior do [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]], observa [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]] (Metaf., A. C. I, 980 a 19), encontramos a [[lexico:s:sensacao|sensação]], [[lexico:t:tipo|tipo]] de conhecimento que temos em comum com os animais. Estes já têm uma [[lexico:p:perfeicao|perfeição]] mais ou menos grande segundo a sensação se acompanhe ou [[lexico:n:nao|não]] de [[lexico:m:memoria|memória]]. Da memória, com [[lexico:e:efeito|efeito]], nasce, por acumulação de lembranças, a [[lexico:e:experiencia|experiência]]. Com o [[lexico:h:homem|homem]], nós nos elevamos mais alto, até ao nível da [[lexico:a:arte|arte]] e do [[lexico:r:raciocinio|raciocínio]]. A arte aparece quando, de uma [[lexico:m:multidao|multidão]] de noções experimentais, se desprende um [[lexico:u:unico|único]] [[lexico:j:julgamento|julgamento]] [[lexico:u:universal|universal]] aplicável a todos os casos semelhantes. Com efeito, formar o julgamento de que tal remédio aliviou Cállias, atingido por tal [[lexico:d:doenca|doença]], depois [[lexico:s:socrates|Sócrates]], depois vários outros individualmente considerados, é o [[lexico:f:fato|fato]] da experiência. Porém declarar que tal remédio aliviou a todos os indivíduos atingidos pela mesma doença, isto já pertence à arte. Com a arte nós estamos no [[lexico:p:plano|plano]] do conhecimento verdadeiramente [[lexico:r:racional|racional]], que se distingue do grau inferior do [[lexico:s:saber|saber]], nisso que o homem não se contenta mais em constatar simplesmente a [[lexico:e:existencia|existência]] dos fatos, mas procura-lhe também a [[lexico:r:razao|razão]] explicativa ou a [[lexico:c:causa|causa]]. A [[lexico:c:ciencia|ciência]], que se encontra no mesmo nível, acrescenta à arte o [[lexico:c:carater|caráter]] de conhecimento desinteressado. O [[lexico:s:sabio|sábio]] busca o saber pelo saber, e sem se preocupar diretamente com sua [[lexico:u:utilidade|utilidade]] ou aceitação. Destas considerações resulta que a [[lexico:f:filosofia|Filosofia]], que é eminentemente ciência, é um conhecimento pelas [[lexico:c:causas|causas]]: "[[lexico:p:philosophia|philosophia]] est cognitio per causas". Na mesma [[lexico:o:ordem|ordem]] de [[lexico:i:ideias|ideias]] procurou-se, hoje, precisar as [[lexico:r:relacoes|relações]] da filosofia com o [[lexico:s:senso-comum|senso comum]], que é também uma [[lexico:f:forma|forma]] não cientificamente elaborada de conhecimento. Basta reproduzir aqui a conclusão do [[lexico:e:estudo|estudo]] que [[lexico:m:maritain|Maritain]] consagrou a [[lexico:e:esse|esse]] assunto (Élements de Philosophie thomiste, 1. Introduction générale à la philosophie, pp. 87-94) : "A filosofia não é fundamentada sobre a [[lexico:a:autoridade|autoridade]] do [[lexico:s:senso|senso]] comum tomado como consenso [[lexico:g:geral|geral]] ou como [[lexico:i:instinto|instinto]] comum da [[lexico:h:humanidade|humanidade]], ela deriva todavia do senso comum se se considera nele a [[lexico:i:inteligencia|inteligência]] dos [[lexico:p:principios|princípios]] imediatamente evidentes. Ela é [[lexico:s:superior|superior]] ao senso comum como o [[lexico:e:estado|Estado]] [[lexico:p:perfeito|perfeito]] ou "científico" de um conhecimento [[lexico:v:verdadeiro|verdadeiro]] é superior ao estado imperfeito ou "[[lexico:v:vulgar|vulgar]]" deste mesmo conhecimento. Todavia, a filosofia pode [[lexico:s:ser|ser]], [[lexico:p:por-acidente|por acidente]], julgada pelo senso comum". Exprimindo-se assim, Maritain entende colocar a filosofia tomista, na qual ele pensa, entre as afirmações simplistas da [[lexico:e:escola-escocesa|escola escocesa]], e algumas pretensões da [[lexico:c:critica|crítica]] [[lexico:m:moderna|moderna]]. A filosofia não tem de buscar [[lexico:o:outro|outro]] [[lexico:f:fundamento|fundamento]] senão ela mesma, sendo ela o estado superior e científico da possessão dos princípios. Todavia, ela está em [[lexico:a:acordo|acordo]] e em continuidade com o conhecimento vulgar desses mesmos princípios. Disto pode-se concluir, como precedentemente, que a filosofia se distingue das formas comuns do saber pelo seu caráter de ciência ou de conhecimento [[lexico:e:explicativo|explicativo]].