===== FILOSOFIA DO VEDANTA ===== [[lexico:v:vedanta|vedanta]] significa primeiramente o final do Veda ou [[lexico:c:ciencia|ciência]] sagrada dos indianos; em seguida, designa também a doutrina que vê no final do Veda o [[lexico:p:ponto|ponto]] culminante do [[lexico:v:verdadeiro|verdadeiro]] [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]]. O Vedanta procurou elaborar um [[lexico:s:sistema|sistema]] acabado, à base das tradições, entre si contraditórias, contidas no [[lexico:g:genero|gênero]] literário dos Upanishades. No Vedanta há diversas escolas, das quais a de Shamkara (sée. IX d. C.) chegou a alcançar tamanha importância que, na maioria dos casos, entende se por Vedanta o sistema daquele pensador. Shamkara distingue um [[lexico:s:saber|saber]] [[lexico:s:superior|superior]] e [[lexico:o:outro|outro]] inferior. A [[lexico:v:verdade|verdade]] suprema é a não-dualidade = advaita ou [[lexico:m:monismo|monismo]] rigoroso. A [[lexico:d:dualidade|dualidade]] ou [[lexico:d:diversidade|diversidade]] é só encobrimento da verdade, ou seja, [[lexico:a:aparencia|aparência]] = [[lexico:m:maya|Maya]]. O [[lexico:p:principio|princípio]] fundamental [[lexico:a:absoluto|absoluto]] e espiritual do [[lexico:u:universo|universo]] = brama ou [[lexico:e:eu|eu]] [[lexico:d:divino|divino]] = atmã é [[lexico:u:unidade|unidade]] pura, mas, em [[lexico:v:virtude|virtude]] de sua maya, manifesta-se como [[lexico:p:pluralidade|pluralidade]], sem todavia [[lexico:s:ser|ser]] afetado por esta em [[lexico:s:si-mesmo|si mesmo]]. Como o [[lexico:p:produto|produto]] é unicamente uma [[lexico:t:transformacao|transformação]] da [[lexico:c:causa|causa]], [[lexico:n:nao|não]] se distingue desta e é, como ela, incausado. A verdadeira [[lexico:c:causalidade|causalidade]] e o verdadeiro [[lexico:d:devir|devir]] são absurdos. O atmã [[lexico:u:universal|universal]] e o atmã individual comportam-se como o [[lexico:e:espaco|espaço]] universal e o espaço de um [[lexico:p:pote|pote]]. Diferem só na [[lexico:l:limitacao|limitação]]. A este saber superior do absoluto contrapõe-se o saber inferior do [[lexico:r:relativo|relativo]], "conforme com a agitação do [[lexico:m:mundo|mundo]]". Deste ponto de vista, o brama tanto é causa eficiente como causa material, criador dos [[lexico:m:mundos|mundos]] dotado de atributos e senhor supremo que cria, governa e destrói o universo, e, ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]], [[lexico:m:materia|matéria]] do universo material que, numa [[lexico:r:repeticao|repetição]] sem princípio nem [[lexico:f:fim|fim]],dêle procede e a ele retorna. O mundo, tal como o percebemos, é, segundo Shamkara, não só construção mental ou [[lexico:n:nada|nada]], mas [[lexico:r:real|real]], sem [[lexico:d:duvida|dúvida]] só para o ponto de vista relativo que, todavia, é comum a nós todos e decisivo para a [[lexico:a:acao|ação]], ao passo que o ponto de vista absoluto, só o [[lexico:i:individuo|indivíduo]] o pode obter para si mesmo. A maya não é existente, porque em [[lexico:s:sentido|sentido]] absoluto é [[lexico:i:ilusao|ilusão]], nem não-existente, porque é realmente vivida. A [[lexico:a:alma|alma]] é, por sua [[lexico:e:essencia|essência]], espiritualidade pura e brama. A cisão do [[lexico:u:uno|uno]] na pluralidade das almas individuais vem do não-saber, que submete a alma a diversas condições. Ao [[lexico:n:numero|número]] destas pertencem o [[lexico:c:corpo|corpo]] grosseiro, o corpo sutil que na passagem de uma [[lexico:v:vida|vida]] a outra vida serve de apoio à alma e é o portador da carma, e os diversos órgãos e potências inferiores. Carma são os efeitos das obras que determinam o [[lexico:r:renascimento|Renascimento]] ([[lexico:m:metempsicose|metempsicose]]). As boas obras ajudam a alcançar um renascimento [[lexico:b:bom|Bom]], afastam os obstáculos à [[lexico:s:salvacao|salvação]], sem que todavia possam produzi-la. A verdadeira salvação (não do [[lexico:p:pecado|pecado]] e da [[lexico:c:culpa|culpa]], senão do [[lexico:m:mal|mal]] do renascimento reiterado) só será outorgado a [[lexico:q:quem|quem]] possua o saber superior. Nele se conhece como situado para [[lexico:a:alem|além]] do [[lexico:b:bem|Bem]] e do mal, como ser, [[lexico:e:espirito|espírito]] e gozo absoluto. — Entre os filósofos que, levados as mais das vezes por [[lexico:m:motivos|motivos]] religiosos estruturaram o Vedanta em sentido teísta, sobressai principalmente Ramanuja (séc. XII). — [[lexico:b:brugger|Brugger]].