===== FENÔMENO PURO ===== Pureza: a «camada» fenomenológica dos vividos [[lexico:n:nao|não]] é uma [[lexico:p:propriedade|propriedade]] [[lexico:p:particular|particular]] do psiquismo de um [[lexico:s:ser|ser]] da [[lexico:n:natureza|natureza]] que se chamaria «[[lexico:h:homem|homem]]». [[lexico:c:compreender|compreender]] aquilo que é uma natureza, aquilo que é o [[lexico:p:proprio|próprio]] ser, exige, com [[lexico:e:efeito|efeito]], o [[lexico:r:retorno|retorno]] à [[lexico:e:evidencia|evidência]] originária do [[lexico:v:vivido|vivido]] no qual eles são dados. A não [[lexico:f:factualidade|factualidade]] do vivido só parece paradoxal se se admitir a concepção corrente do ser do psiquismo como um [[lexico:m:meio|meio]] existente no [[lexico:m:mundo|mundo]], como um [[lexico:a:acontecimento|acontecimento]]. A clarificação do [[lexico:s:sentido|sentido]] completo da [[lexico:r:relacao|relação]] [[lexico:i:intencional|intencional]] ([[lexico:c:consciencia|consciência]] de) implica, pelo contrário, o afastamento do [[lexico:p:principio|princípio]] do vivido fenomenológico em relação a qualquer acontecimento do mundo. Este afastamento remete, [[lexico:b:bem|Bem]] entendido, a uma anterioridade teórica e não [[lexico:t:temporal|temporal]]: afirmar a não factualidade do vivido na sua [[lexico:e:essencia|essência]] é afirmar simplesmente que ele é [[lexico:d:dado|dado]] não como [[lexico:f:fato|fato]] [[lexico:p:psiquico|psíquico]], mas como [[lexico:f:forma|forma]] universalmente pressuposta: nisto consiste a sua pureza. Esta propriedade parecerá menos estranha se se notar que é já unicamente em [[lexico:v:virtude|virtude]] da sua forma pura, ou ainda da sua [[lexico:i:idealidade|idealidade]] que o vivido se reporta a ele mesmo na consciência. Mas a [[lexico:t:transformacao|transformação]] desta pureza universalmente implicada em [[lexico:t:tema|tema]] contém em si a [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] de uma reflexividade ainda mais radical. Uma [[lexico:r:reflexao|reflexão]] dum primeiro [[lexico:t:tipo|tipo]], a que constrói a abstracção [[lexico:e:eidetica|eidética]], permite sem [[lexico:d:duvida|dúvida]] aceder à pureza das [[lexico:e:essencias|essências]], incluindo a da consciência. Ela não lhe faz ainda surgir a [[lexico:u:unidade|unidade]]. A evidência das essências indica diversos sistemas fechados de «regiões» do ser. Mas ela não dá ainda o [[lexico:m:metodo|método]] próprio para aceder a uma reflexão radical sobre o ser e sobre «o enigma» do [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]]. [Schérer]