===== FÉNELON ===== François de Salignac de la Móthe Fénelon, arcebispo de Cambrai, nasceu em 1651 e morreu em 1715. Representa, em certo [[lexico:s:sentido|sentido]], uma continuação do [[lexico:p:pensamento|pensamento]] de [[lexico:b:bossuet|Bossuet]]; como ele, realiza essa [[lexico:s:sintese|síntese]] da [[lexico:t:tradicao|tradição]] filosófica medieval e do [[lexico:c:cartesianismo|cartesianismo]], que antes indicamos, e prepara o [[lexico:c:caminho|caminho]] para uma [[lexico:s:superacao|superação]] da [[lexico:a:atitude|atitude]] que vê no pensamento da Idade Média e no da modernidade duas realidades díspares e antagônicas, inconciliáveis. O que em uma [[lexico:d:dimensao|dimensão]] mais profunda e eficaz realizou a [[lexico:m:mente|mente]] genial de [[lexico:l:leibniz|Leibniz]], já estava de certa maneira antecipado nestes pensadores católicos franceses, mais modestos sem [[lexico:d:duvida|dúvida]], mas de [[lexico:s:singular|singular]] acerto e eficácia. A rigor, Fénelon vai mais longe que Bossuet e outros teólogos contemporâneos. [[lexico:n:nao|Não]] só incorpora a seu pensamento uma [[lexico:s:serie|série]] de descobertas cartesianas, por [[lexico:e:exemplo|exemplo]] o [[lexico:d:dualismo|dualismo]] e a [[lexico:a:apreensao|apreensão]] do [[lexico:h:homem|homem]] como um [[lexico:e:ente|ente]] pensante, como faz seu o [[lexico:m:metodo|método]] de [[lexico:d:descartes|Descartes]]: a dúvida [[lexico:u:universal|universal]]. E por esta via chega à [[lexico:e:evidencia|evidência]] imediata do [[lexico:e:eu|eu]], que não pode não [[lexico:e:existir|existir]], e a partir dela tenta reconstruir a [[lexico:r:realidade|realidade]], para chegar, sobretudo, a [[lexico:d:deus|Deus]]. Por [[lexico:o:outro|outro]] lado, apela às idéias claras e distintas, e repele tudo o que se lhe apresente como dubitável. A segunda [[lexico:p:parte|parte]] de seu Tratado da [[lexico:e:existencia-de-deus|existência de Deus]] é inteiramente cartesiana, inclusive em sua [[lexico:f:forma|forma]] externa e em seu [[lexico:e:estilo|estilo]] intelectual. Não esqueçamos porém que, enquanto Descartes é um [[lexico:f:filosofo|filósofo]], e talvez ainda demasiado alheio à [[lexico:t:teologia|teologia]], Fénelon é um teólogo mais que outra [[lexico:c:coisa|coisa]], um teólogo agudo e preciso, homem de seu [[lexico:t:tempo|tempo]], que tenciona abordar os problemas sobre o fundo da [[lexico:d:disciplina|disciplina]] tradicional, já constituída, recorrendo porém explicitamente aos pontos de vista de sua [[lexico:e:epoca|época]] e aos meios intelectuais que a [[lexico:f:filosofia-moderna|filosofia moderna]] alcançara. A [[lexico:o:obra|obra]] de Fénelon significa em certo sentido, se é válida a [[lexico:e:expressao|expressão]], um ensaio de teologia cartesiana ou, se se quiser, [[lexico:m:moderna|moderna]]; tentativa cujas conseqüências históricas não são muito visíveis, mas que seria [[lexico:i:interessante|interessante]] perscrutar e filiar com alguma [[lexico:p:precisao|precisão]], e, sobretudo, que importaria colocar talvez com [[lexico:t:todo|todo]] rigor, dentro do nível de nosso tempo. Veja-se Gosselin: Histoire littéraire de Fénelon. [Marías]