===== FATALISMO ===== (in. Fatalism; fr. Fatalisme, al. Fatalismus; it. Fatalismó). [[lexico:l:leibniz:start|Leibniz]] já distinguira do [[lexico:f:fatum:start|fatum]] estoico e cristão o ‘fatum mahometanum" ou "[[lexico:f:fatalidade:start|fatalidade]] maometana", segundo a qual "os efeitos aconteceriam mesmo se a [[lexico:c:causa:start|causa]] fosse evitada, pois são dotados de [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]] absoluta" (Op., ed. Erdmann, pp. 660, 764). [[lexico:w:wolff:start|Wolff]] empregava, para indicar essa doutrina;por ele atribuída a [[lexico:s:spinoza:start|Spinoza]], o [[lexico:t:termo:start|termo]] fatalismo no [[lexico:t:texto:start|texto]] De differentia nexus rerum sapientis et fatalis necessitais(1723), que é justamente dirigido contra Spinoza. Na [[lexico:v:verdade:start|verdade]], porém, todas as concepções de fatalidade ([[lexico:d:destino:start|destino]]) elaboradas pelos filósofos admitem que dela fazem [[lexico:p:parte:start|parte]] outras [[lexico:c:causas:start|causas]] determinantes, mas que estas são, por sua vez, determinadas pelas antecedentes, que são as próprias [[lexico:a:acoes:start|ações]] humanas, voltadas a evitar ou a alcançar certos resultados. E é, portanto, um termo [[lexico:p:polemico:start|polêmico]] com o qual os filósofos em [[lexico:g:geral:start|geral]] designam a [[lexico:f:forma:start|forma]] de [[lexico:n:necessitarismo:start|necessitarismo]] de que [[lexico:n:nao:start|não]] compartilham. Com mais rigor, [[lexico:e:esse:start|esse]] termo pode [[lexico:s:ser:start|ser]] adotado não para designar uma doutrina filosófica, mas a [[lexico:a:atitude:start|atitude]] de [[lexico:q:quem:start|quem]] se entrega aos acontecimentos sem procurar alterá-los nem reagir. A doutrina ou atitude que considera todos os acontecimentos como irrevogavelmente determinados por [[lexico:a:antecipacao:start|antecipação]]. — O fatalismo é uma atitude religiosa que concerne aos acontecimentos da [[lexico:v:vida:start|vida]] humana. Distingue-se do "[[lexico:d:determinismo:start|determinismo]]", que se focaliza nas ocorrências da [[lexico:n:natureza:start|natureza]] e que é um [[lexico:p:principio:start|princípio]] científico; enquanto o determinismo científico se opõe ao "[[lexico:i:indeterminismo:start|indeterminismo]]" (indeterminação dos fenômenos da natureza), o fatalismo se opõe à [[lexico:l:liberdade:start|liberdade]] humana: segundo ele, a [[lexico:e:existencia:start|existência]] é determinada anteriormente, de [[lexico:a:acordo:start|acordo]] com uma certa [[lexico:l:lei:start|lei]], por um destino inelutável. A maioria das doutrinas da [[lexico:a:antiguidade:start|antiguidade]] grega reconhece que uma igual necessidade ([[lexico:a:ananke:start|ananke]]) dirige a vida dos homens e dos [[lexico:d:deuses:start|deuses]]: essa fatalidade toda-poderosa está presente na [[lexico:t:tragedia:start|tragédia]] grega, onde o [[lexico:t:tragico:start|trágico]] é marcado precisamente pela impotência das vontades humanas em [[lexico:r:relacao:start|relação]] ao destino (por ex.: Édipo rei, de Sófocles); encontramo-la no fundo da [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] estoica. Todas as teorias cristãs da "[[lexico:p:predestinacao:start|predestinação]]" sacrificam a liberdade à [[lexico:p:providencia:start|Providência]]. Fatalismo ou liberdade? Digamos que o destino é um [[lexico:o:objeto:start|objeto]] de [[lexico:c:crenca:start|crença]] e o fatalismo uma atitude [[lexico:s:sentimental:start|sentimental]], uma [[lexico:s:simples:start|simples]] [[lexico:h:hipotese:start|hipótese]], enquanto que a liberdade é um [[lexico:d:dado:start|dado]] da [[lexico:c:consciencia:start|consciência]], presente na [[lexico:e:experiencia:start|experiência]] do [[lexico:a:ato:start|ato]] voluntário, confirmado pelo da [[lexico:a:acao:start|ação]] eficaz, quando nossa liberdade realiza [[lexico:a:alguma-coisa:start|alguma coisa]] que, sem a sua iniciativa, não teria existido. Não é por [[lexico:a:acaso:start|acaso]] que, na filosofia [[lexico:e:escolastica:start|escolástica]], o fatalismo era tido como um "[[lexico:a:argumento:start|argumento]] preguiçoso". Contrariamente à [[lexico:o:opiniao:start|opinião]] corrente, há vários tipos de fatalismo. Leibniz propôs uma [[lexico:c:classificacao:start|classificação]] que, embora incompleta, se tornou clássica. Segundo Leibniz, existem três [[lexico:i:ideias:start|ideias]] de fatalismo: há um fatalismo maometano, [[lexico:o:outro:start|outro]] estoico e outro cristão. De acordo com o primeiro, o [[lexico:e:efeito:start|efeito]] verifica-se ainda que se evite a causa, com se houvesse necessidade absoluta. O segundo ordena ao [[lexico:h:homem:start|homem]] que aceite o destino porque é [[lexico:i:impossivel:start|impossível]] resistir ao curso dos acontecimentos. Quanto ao [[lexico:t:terceiro:start|terceiro]], afirma que há um certo destino de cada [[lexico:c:coisa:start|coisa]] regulado pela [[lexico:p:presciencia:start|presciência]] e a providência de [[lexico:d:deus:start|Deus]]. Leibniz manifesta que este [[lexico:u:ultimo:start|último]] fatalismo não é o mesmo que os dois anteriores e que, embora se pareça com o fatalismo estoico, se distingue deste porquanto o cristão, diferentemente do estoico, não só possui paciência perante o destino como também, [[lexico:a:alem:start|além]] disso, se sente contente como que foi estabelecido por Deus. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}