===== FANEROSCOPIA ===== Para [[lexico:p:peirce|Peirce]], existem três tipos de [[lexico:r:raciocinio|raciocínio]] ([[lexico:d:deducao|dedução]], [[lexico:i:inducao|indução]] e [[lexico:a:abducao|abdução]]) e o [[lexico:s:sinal|sinal]] é de [[lexico:n:natureza|natureza]] triádica. Ora, em sua [[lexico:o:opiniao|opinião]] também existem três diferentes [[lexico:c:categorias|categorias]] fundamentais, que ele chama de primidade (Firstness), secundidade (Secondness) e tercidade (Thirdness), embora às vezes também as chame de modos de [[lexico:s:ser|ser]] (Modes of Being) ou também [[lexico:i:ideias|ideias]] (Ideas). Trata-se, segundo Peirce, de três [[lexico:c:conceitos|conceitos]] tão amplos e indefinidos que, por isso, são difíceis de captar e podem ser facilmente desprezados, mas que, porém, são três conceitos "perpetuamente presentes em qualquer [[lexico:p:ponto|ponto]] da [[lexico:t:teoria|teoria]] da [[lexico:l:logica|lógica]]". O primeiro, o segundo e o [[lexico:t:terceiro|terceiro]] constituem as características essenciais do [[lexico:f:fenomeno|fenômeno]] ou, como o chama Peirce, phaneron. E a [[lexico:i:investigacao|investigação]] relativa a tais características é a faneroscopia, que, no [[lexico:p:pensamento|pensamento]] de Peirce, se configura como "a mais primária das ciências positivas", como "[[lexico:m:metodo|método]] para examinar qualquer [[lexico:e:experiencia|experiência]] com a [[lexico:i:intencao|intenção]] de extrair suas características mais gerais e mais absolutamente necessárias (...); é [[lexico:c:caminho|caminho]] para alcançar as categorias [[lexico:u:universais|universais]]". E o caminho trilhado por [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]], [[lexico:k:kant|Kant]] e [[lexico:h:hegel|Hegel]]. Desde o início, Peirce estava convencido do [[lexico:c:carater|caráter]] restritivo das categorias kantianas, [[lexico:r:razao|razão]] por que concebeu as categorias [[lexico:n:nao|não]] como estruturas estáticas, senão como modelos dinâmicos. Então, o "primeiro é o [[lexico:c:conceito-de-ser|conceito de ser]] ou [[lexico:e:existir|existir]] independentemente de qualquer outra [[lexico:c:coisa|coisa]]". O primeiro é a pura [[lexico:p:presenca|presença]] do fenômeno. O primeiro é o [[lexico:u:universo|universo]] em sua aurora. "O que foi o [[lexico:m:mundo|mundo]] para Adão no dia em que ele abriu os olhos para o mundo, antes que pudesse realizar distinções ou tornar-se [[lexico:c:consciente|consciente]] de sua própria [[lexico:e:existencia|existência]] — isso é o primeiro, presente, [[lexico:i:imediato|imediato]], fresco, vital, original, espontâneo, livre, vívido, consciente e evanescente". Talvez somente a [[lexico:l:linguagem|linguagem]] da [[lexico:m:musica|música]], a [[lexico:p:poesia|poesia]] ou determinada pintura podem nos permitir entrever a indizibilidade, a imediaticidade e o puramente qualitativo das [[lexico:c:coisas|coisas]], como elas se apresentariam [[lexico:a:alem|além]] das diversas redes conceituais através das quais nós entramos em intercâmbio com o mundo. O primeiro é o domínio do feeling, isto é, do sentir. Expressa as "ideias de frescor, de [[lexico:v:vitalidade|vitalidade]], de [[lexico:e:espontaneidade|espontaneidade]] e de [[lexico:l:liberdade|liberdade]]", manifestando uma natureza "espontaneamente viva". O segundo é o [[lexico:f:fato|fato]] bruto. Existência quer dizer presença no universo de experiências. "E essa presença implica que cada existente esteja em [[lexico:r:relacao|relação]] de [[lexico:r:reacao|reação]] [[lexico:d:dinamica|dinâmica]] com todas as outras coisas do universo. A existência, portanto, tem caráter [[lexico:d:diadico|diádico]]", no [[lexico:s:sentido|sentido]] de que a existência é aquele [[lexico:m:modo|modo]] de ser que se exterioriza na [[lexico:o:oposicao|oposição]] a [[lexico:o:outro|outro]]. Assim, exemplifica Peirce, dizer que uma mesa existe quer dizer que ela é dura, opaca, pesada e ressonante, isto é, que produz efeitos imediatos sobre os sentidos e que também produz efeitos puramente físicos: atrai a [[lexico:t:terra|Terra]] (ou seja, é pesada); reage dinamicamente com as outras (isto é, tem [[lexico:f:forca|força]] de inércia); resiste à pressão (ou seja, é elástica); tem [[lexico:c:capacidade|capacidade]] definida de calor etc. "O fato [[lexico:l:luta|luta]] para vir à existência (...). O fato ‘vem’. Tem o seu aqui e o seu [[lexico:a:agora|agora]]. Deve levar sua [[lexico:v:vida|vida]] em tal [[lexico:e:espaco|espaço]]. (...) Só se pode conceber um fato quando conquista a sua [[lexico:r:realidade|realidade]] em luta com as outras realidades". A existência, por conseguinte, é diádica. A secundidade é o [[lexico:c:conceito|conceito]] de relação com. Enquanto o primeiro apresenta a presença [[lexico:p:possivel|possível]] de um fato e o segundo a presença efetiva bruta do fato, a tercidade diz [[lexico:r:respeito|respeito]] ao [[lexico:a:aspecto|aspecto]] [[lexico:i:inteligivel|inteligível]] da realidade. O terceiro é o [[lexico:r:reino|reino]] da [[lexico:l:lei|lei]], que "excede toda [[lexico:m:multidao|multidão]]" e não tem [[lexico:n:nada|nada]] de rígido e de monolítico. A lei é "o [[lexico:h:habito|hábito]] de contrair hábitos, que um universo em [[lexico:c:continuo|contínuo]] [[lexico:d:desenvolvimento|desenvolvimento]] vem adquirindo e manifestando sempre mais".