===== EXTERIOR ===== Diz-se que algo é exterior quando está fora de algo [[lexico:d:dado|dado]]. exterior significa, pois, fora, fora de. Diz-se que algo é [[lexico:e:externo|externo]] quando se manifesta no exterior. Os sentidos de exterior e externo estão intimamente interligados. Em [[lexico:f:filosofia|Filosofia]], costumam usar-se indistintamente, tal como as expressões “[[lexico:m:mundo|mundo]] externo”, mundo exterior”. exterior usa-se comummente em [[lexico:s:sentido|sentido]] espacial. x é exterior a y porque está num [[lexico:l:lugar|lugar]] diferente de y. Por sua vez, o [[lexico:e:espaco|espaço]] é considerado em [[lexico:s:si-mesmo|si mesmo]] como algo exterior, porque cada uma das suas partes é exterior a qualquer outra [[lexico:p:parte|parte]]. Contudo, é [[lexico:p:possivel|possível]] usar o vocábulo exterior sem lhe dar sentido espacial. Por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], pode dizer-se que o [[lexico:t:transcendente|transcendente]] é exterior ao [[lexico:i:imanente|imanente]].. Tomado no seu sentido mais [[lexico:g:geral|geral]], o exterior define-se como o [[lexico:s:ser|ser]] fora de si... Metafisicamente, o exterior define-se como o “o ser fora de si” contrariamente ao interior ou íntimo, que se carateriza como um “ser para si mesmo”. Em [[lexico:t:teoria-do-conhecimento|teoria do conhecimento]] e em [[lexico:m:metafisica|metafísica]], levantou-se o [[lexico:c:chamado|chamado]] “[[lexico:p:problema|problema]] da [[lexico:e:existencia|existência]] do mundo exterior”. Trata-se de [[lexico:s:saber|saber]] se existe [[lexico:e:esse|esse]] mundo independentemente de um [[lexico:s:sujeito|sujeito]] e se pode provar-se concludentemente a sua existência. A independência [[lexico:n:nao|não]] significa que o mundo exterior esteja num lugar distinto do que ocupa o sujeito. A [[lexico:r:relacao|relação]] entre o sujeito (metafísico ou gnoseológico) no mundo exterior determina-se por [[lexico:m:meio|meio]] dos [[lexico:c:conceitos|conceitos]] de [[lexico:t:transcendencia|transcendência]] e [[lexico:i:imanencia|imanência]]. O problema da relação entre um sujeito gnoseológico e o mundo exterior encontra-se explicado no artigo [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]]. Pode acrescentar-se aqui que este problema consiste numa [[lexico:s:serie|série]] de perguntas como as seguintes: “é o mundo exterior [[lexico:i:independente|independente]] do seu ser conhecido?” “Como pode ter-se uma [[lexico:c:certeza|certeza]] absoluta de que há um mundo exterior?””está o conhecimento do mundo exterior determinado, pelo menos em parte, por um [[lexico:s:sistema|sistema]] de conceitos impostos ou justapostos pelo sujeito?” Como exemplos clássicos do [[lexico:m:modo|modo]] de [[lexico:p:por|pôr]] o problema do mundo exterior, podem citar-se os de [[lexico:d:descartes|Descartes]], [[lexico:b:berkeley|Berkeley]] e [[lexico:k:kant|Kant]], mas, em geral, foram duas as teses que se defrontaram no que diz [[lexico:r:respeito|respeito]] à [[lexico:q:questao|questão]] gnoseológica do mundo exterior: o [[lexico:r:realismo|realismo]] e o [[lexico:i:idealismo|Idealismo]], com numerosas posições intermédias. O realismo defende que há um mundo exterior independente do sujeito cognoscente; mas há muitos modos de defender esta independência: pode afirmar-se que o que há na [[lexico:v:verdade|verdade]] é aquilo a que se chama “mundo exterior” ou “as [[lexico:c:coisas|coisas]]” e que esse mundo é não só transcendente ao sujeito, mas o chamado sujeito é simplesmente uma parte do mundo que se limita a refleti-lo e a atuar sobre ele. Ou que existe e que é tal como existe. Ou que existe mas a sua [[lexico:r:realidade|realidade]] “em si” é [[lexico:i:incognoscivel|incognoscível]], sendo cognoscíveis só as aparências desse mundo. Ou que existe e pode ser conhecido tal e qual é desde que se examine criticamente o [[lexico:p:processo|processo]] do conhecimento, etc. Para fazer [[lexico:j:justica|justiça]] a esta [[lexico:d:diversidade|diversidade]] de opiniões, costuma acrescentar-se um adjectivo ao realismo e, assim, diz-se que é ingénuo, crítico, [[lexico:t:transcendental|transcendental]], etc. O idealismo defende, por sua vez, que o mundo exterior não é independente do sujeito cognoscente; mas há também muitos modos de entender esta [[lexico:f:falta|falta]] de independência: pode sustentar-se que não há propriamente mundo exterior, uma vez que ser é apenas ser percebido (Berkeley). Ou que o chamado mundo exterior é cognoscível só por que metafisicamente engendrado ou produzido por um sujeito, etc. Também se adjectiva de um modo muito variado a [[lexico:p:posicao|posição]] idealista: idealismo [[lexico:a:absoluto|absoluto]], crítico, transcendental, etc. Note-se que algumas posições do realismo e do idealismo se aproximam muito entre si, o que torna ainda mais difícil manter um [[lexico:e:esquema|esquema]] rígido. Do [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista metafísico, as duas principais tendências que se defrontaram receberam também o [[lexico:n:nome|nome]] de [[lexico:r:realismo-e-idealismo|realismo e idealismo]]. Segundo o idealismo, o mundo exterior - ou, em geral, o mundo - é imanente ao sujeito, ao [[lexico:e:eu|eu]], ao [[lexico:e:espirito|espírito]], à [[lexico:c:consciencia|consciência]], etc. O idealismo [[lexico:e:extremo|extremo]] defende que o mundo é produzido, ou engendrado, pelo eu, etc, mas mesmo assim não deve pensar-se que esse idealismo defende que o sujeito produz o mundo tal [[lexico:c:como-se|como se]] produzem as coisas. O idealismo moderado defende que o mundo é conteúdo do sujeito, embora, de certo, não espacialmente. Nenhuma [[lexico:f:forma|forma]] de idealismo nega que haja coisas externas. Mas interpreta haver num sentido muito diferente do proposto pelas doutrinas realistas. As coisas externas carecem de suficiência [[lexico:o:ontologica|ontológica]], o seu ser consiste em “[[lexico:e:estar|estar]] fundado no sujeito”. Segundo o realismo, pelo contrário, o mundo é transcendente ao sujeito. O eu está no mundo, embora tão pouco em sentido espacial. O sujeito não é, em rigor, uma [[lexico:c:coisa|coisa]]; é um “conhecer o mundo”. No nosso século, procurou-se [[lexico:s:superar|superar]] a [[lexico:d:dicotomia|dicotomia]] realismo-idealismo, por se considerarem infundados alguns dos seus supostos. A [[lexico:i:ideia|ideia]] da consciência como “consciência [[lexico:i:intencional|intencional]]”, promovida especialmente por [[lexico:h:husserl|Husserl]], postula que se a consciência é “consciência de”não há propriamente um sujeito substante que esteja no mundo ou que contenha ou engendre o mundo: essa consciência não é uma realidade, mas uma direção. Ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]], não pode haver consciência de se não houver um [[lexico:o:objeto|objeto]] ao qual a consciência se dirija: portanto, há pelo menos um objeto intencional. O [[lexico:d:desenvolvimento|desenvolvimento]] da doutrina deu lugar a que ela fosse considerada próxima do idealismo. [[lexico:o:outro|outro]] propósito significativo é o de [[lexico:h:heidegger|Heidegger]]. Segundo ele, não se trata de dar “uma [[lexico:p:prova|prova]]” da existência do mundo exterior o [[lexico:f:fato|fato]] de exterior; o fato de, até [[lexico:a:agora|agora]], não se [[lexico:t:ter|ter]] encontrado não é “o [[lexico:e:escandalo|escândalo]] da filosofia”. É-o antes o fato de se esperar que algum dia apareça essa prova. Em [[lexico:s:suma|suma]], não há um problema da realidade do mundo exterior. A existência é “[[lexico:e:estar-no-mundo|estar no mundo]]”, o que não significa que há já um mundo em qual está a existência, mas que esta é enquanto existência-que-está-no-mundo na qual as coisas do mundo aparecem manifestas. Isto parece favorecer a [[lexico:t:tese|tese]] do realismo mas, ao contrário dela, não pressupõe que o mundo requer prova e que pode provar-se. Por outro lado, parece favorecer a tese idealista porque afirma que o ser não se pode [[lexico:e:explicar|explicar]] por meio dos entes, isto é, que o ser é transcendente aos entes, mas difere dela na [[lexico:m:medida|medida]] em que o idealismo defende que todos os entes se reduzem a um sujeito ou consciência. Realismo e idealismo são unânimes em considerar o mundo exterior como algo “acrescentado” a um sujeito, e este é o [[lexico:p:pressuposto|pressuposto]] que Heidegger considera [[lexico:f:falso|falso]] e que, a seu [[lexico:v:ver|ver]], o habilita a situar-se para lá da [[lexico:a:alternativa|alternativa]] tradicional. O sujeito não é um [[lexico:e:ente|ente]] e a [[lexico:e:exterioridade|exterioridade]] do mundo não é um [[lexico:s:simples|simples]] fato, mas a [[lexico:e:estrutura|estrutura]] ontológica [[lexico:f:formal|formal]] da existência. Para alguns positivistas lógicos, a questão do mundo exterior é fundamentalmente a questão de como se pode [[lexico:f:falar|falar]] do mundo inter-subjectivamente se os enunciados básicos descrevem só “o que existe” para cada sujeito dado. Positivistas lógicos, [[lexico:a:atomistas|atomistas]] lógicos e, em geral, os filósofos de [[lexico:t:tendencia|tendência]] analista tenderam a pôr o problema em [[lexico:f:funcao|função]] da relação entre a [[lexico:l:linguagem|linguagem]] e a realidade.