===== EXTENSÃO ===== VIDE [[lexico:i:intensao|intensão]] L. Extenuo, extensio; F. Extensión; It. Estensíone; I. Extensión; A. Ausbreitung. Ausdehnung. Sent. com.: [[lexico:q:qualidade|qualidade]] do que está entendido. Sent. rest.: O [[lexico:f:fato|fato]] de estender uma [[lexico:a:assercao|asserção]] ou uma [[lexico:d:denominacao|denominação]]: extensão de [[lexico:t:tempo|tempo]], período de tempo concedido [[lexico:a:alem|além]] do que se combinara anteriormente; extensão de um [[lexico:s:sentimento|sentimento]]: [[lexico:m:manifestacao|manifestação]], por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], de ódio, de [[lexico:a:amor|amor]], envolvendo pessoas [[lexico:n:nao|não]] diretamente relacionadas com as que despertam o sentimento de [[lexico:a:afeicao|afeição]] ou de aversão. Lóg. form.: Conjunto de seres, fatos, objetos compreendidos numa [[lexico:i:ideia|ideia]] que seja [[lexico:c:consequencia|consequência]] de sua [[lexico:c:compreensao|compreensão]]: a ideia de cão estende-se a todos os representantes do [[lexico:g:genero|gênero]] canis. Assim, na [[lexico:t:terminologia|terminologia]] [[lexico:l:logica|lógica]], fala-se em extensão de um [[lexico:c:conceito|conceito]], referindo-se ao [[lexico:c:complexo|complexo]] de todos os [[lexico:c:conceitos|conceitos]] e indivíduos que nele podem caber. Filos.: [[lexico:d:descartes|Descartes]] considerou-a a qualidade [[lexico:e:essencial|essencial]] da [[lexico:r:realidade|realidade]] objetiva, que se opõe, como res extensa, à realidade do [[lexico:s:sujeito|sujeito]], [[lexico:r:res-cogitans|res cogitans]]. No [[lexico:c:cartesianismo|cartesianismo]], a extensão constitui toda a [[lexico:e:essencia|essência]] dos corpos. Para [[lexico:s:spinoza|Spinoza]], extensão e ideia eram os dois atributos da única [[lexico:s:substancia|substância]] a que se reduzia o [[lexico:m:mundo|mundo]]. V. Extensão infinita. O [[lexico:i:idealismo|Idealismo]] reduziu a extensão a qualidade subjetiva, e no idealismo espiritualista de [[lexico:b:berkeley|Berkeley]] ela é, como a [[lexico:m:materia|matéria]], uma [[lexico:a:abstracao|abstração]], isto é, não é [[lexico:n:nada|nada]]. Contra Descartes, [[lexico:l:leibniz|Leibniz]] entende que a extensão não pode [[lexico:s:ser|ser]] uma substância, porque a substância é una, ao passo que a extensão, sendo indefinidamente divisível, é [[lexico:m:multiplicidade|multiplicidade]] pura. Com [[lexico:k:kant|Kant]], a extensão ficou restrita à mesma [[lexico:f:funcao|função]] especializadora que a [[lexico:a:atividade|atividade]] cognoscitiva exercita sobre o material [[lexico:s:sensivel|sensível]] [[lexico:i:imediato|imediato]]. Extensão infinita. — Spinoza estabelece [[lexico:d:distincao|distinção]] entre "extensão finita", que é propriamente o [[lexico:c:corpo|corpo]], e "extensão infinita", que diz [[lexico:r:respeito|respeito]] à [[lexico:n:natureza|natureza]] de [[lexico:d:deus|Deus]]. Dizer que Deus é extensão não é dizer que Deus tenha comprimento, largura e profundidade, e que se [[lexico:l:limite|limite]] por uma [[lexico:f:figura|figura]]; porque, então, Deus seria um corpo, isto é, um ser [[lexico:f:finito|finito]]. Deus não é esta ou aquela extensão divisível e [[lexico:m:mobil|móbil]], mas a extensão em si, a imóvel e indivisível imensidade. Esta ó a [[lexico:t:teoria|teoria]] de Spinoza sobre a extensão divina. (gr. diastasis; lat. extensio; in. Extension; fr. Extension; al. Ausdehnung; it. Estensioné). [[lexico:c:carater|Caráter]] fundamental dos corpos físicos dotados das três dimensões do [[lexico:e:espaco|espaço]]. Com base nesse caráter, [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]] definiu o corpo (Fís., III, 5, 204 b 20). Descartes nada mais fez do que exprimir [[lexico:e:esse|esse]] mesmo conceito quando viu na extensão "a natureza da substância material, assim como o [[lexico:p:pensamento|pensamento]] constitui a natureza da substância pensante" (Princ. phil., I, 53) Para Spinoza, extensão era um dos atributos fundamentais de Deus, da Natureza (Et, II, 2). Mas Ockham, no séc. XIV, evidenciava o caráter fundamental da extensão como [[lexico:a:atributo|atributo]] dos corpos: "É [[lexico:i:impossivel|impossível]] que a matéria não tenha extensão: não há matéria que não tenha uma [[lexico:p:parte|parte]] distante da outra, donde resulta que, embora as partes da matéria possam interligar-se como as da água ou do [[lexico:a:ar|ar]], nunca poderão [[lexico:e:existir|existir]] no mesmo [[lexico:l:lugar|lugar]]. Ora, a distância recíproca das partes da matéria é a extensão" (Summulae physicorum, I, 19). Precisamente como [[lexico:c:caracteristica|característica]] do corpo, para [[lexico:h:hobbes|Hobbes]] a extensão é o espaço [[lexico:r:real|real]], ou seja, a [[lexico:g:grandeza|grandeza]] do corpo, diferente do espaço imaginário, que é o espaço [[lexico:p:puro|puro]] e [[lexico:s:simples|simples]], ou espaço [[lexico:v:vazio|vazio]] (De corp., 8, 4). As considerações de Leibniz não são muito diferentes. Ao lado da [[lexico:a:antitipia|antitipia]] , a extensão é uma das características fundamentais da matéria. É a continuidade no espaço, graças à qual suas modificações constituem a variedade das dimensões e das configurações (Op., ed. Erdmann, p . 463). [[lexico:l:locke|Locke]] identificava, como já Descartes, a extensão com o espaço (Ensaio, II, 13, 3). Com Berkeley, a extensão começa a reduzir-se a [[lexico:f:fenomeno|fenômeno]] [[lexico:s:subjetivo|subjetivo]]. É definida por ele como uma ideia, que existe enquanto é percebida (Principles of Knowledge, I, § 9): [[lexico:a:afirmacao|afirmação]] que [[lexico:h:hume|Hume]] reforçou dizendo que a extensão nada mais é que uma cópia de alguma [[lexico:i:impressao|impressão]] (Treatise. I, 2, 3). Essa subjetivação da extensão, realizada pelo [[lexico:e:empirismo|empirismo]] setecentista do [[lexico:p:ponto|ponto]] de vista da [[lexico:i:intuicao-sensivel|intuição sensível]], no idealismo romântico parte do ponto de vista da [[lexico:r:razao|razão]] especulativa. [[lexico:s:schelling|Schelling]] pretende demonstrar [[lexico:a:a-priori|a priori]] por que "se deve considerar necessariamente que a matéria se estende segundo três dimensões", e faz essa suposta [[lexico:d:demonstracao|demonstração]] deduzindo as três dimensões do espaço do [[lexico:m:modo|modo]] de operar da [[lexico:f:forca|força]] de atração e de repulsão (System des transzendentale Idealismus, 1800, III, 2, [[lexico:d:deducao|Dedução]] da matéria, Cor.). De modo [[lexico:a:analogo|análogo]], [[lexico:m:maine-de-biran|Maine de Biran]] julgava poder deduzir "necessariamente" a ideia de extensão da ideia de [[lexico:e:esforco|esforço]] e resistência que ele implica, no [[lexico:s:sentido|sentido]] de que a extensão seria uma "continuidade de resistência" (Fond. de la Psychologie, OEuvres, ed. Naville, II, p. 272). Tentativa [[lexico:s:semelhante|semelhante]] é a de [[lexico:b:bergson|Bergson]], que procura entender a extensão como o [[lexico:m:movimento|movimento]] oposto ao da [[lexico:v:vida|vida]], ou seja, como o movimento em que o [[lexico:e:eu|eu]], entregando-se à [[lexico:f:fantasia|fantasia]] caprichosa, espalha-se numa multiplicidade de sensações externas umas às outras. A extensão seria a distensão do esforço do eu (Évol. créatr., 8a ed., 1911, p. 220). Conceitos semelhantes aos expostos por Schelling, Maine de Biran e Bergson são muito comuns na [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] da segunda metade do século passado e dos primeiros decênios do séc. XX. Mas esse [[lexico:t:tipo|tipo]] de [[lexico:e:especulacao|especulação]] perdeu [[lexico:i:interesse|interesse]] filosófico ou científico nos últimos decênios, devido às mudanças na [[lexico:n:nocao|noção]] de corpo produzidas pela [[lexico:f:fisica|física]] relativista. A noção de corpo como [[lexico:i:intensidade|intensidade]] [[lexico:p:particular|particular]] de um [[lexico:c:campo|campo]] de [[lexico:e:energia|energia]] não precisa mais ser definida em termos de extensão; em outras [[lexico:p:palavras|palavras]], a extensão pode ser entendida só como [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] de medir a intensidade de energia em [[lexico:d:dado|dado]] campo.