===== EXPRESSÃO ===== É a [[lexico:m:manifestacao|manifestação]] da índole psíquica ou de uma [[lexico:v:vivencia|vivência]] passageira em formas aparentes do [[lexico:c:corpo|corpo]] ou no [[lexico:m:movimento|movimento]] voluntário ou involuntário e instintivo do mesmo corpo. Inclui-se aqui a expressividade dos olhos, da mímica do rosto, da [[lexico:a:atitude|atitude]], da marcha (dança, pantomima, euritmia), etc. — Desde a [[lexico:a:antiguidade|antiguidade]], a [[lexico:i:investigacao|investigação]] científica procura distinguir e [[lexico:c:compreender|compreender]] melhor as formas particulares de expressão, indagar sua [[lexico:c:correspondencia|correspondência]] com determinadas configurações psíquicas [[lexico:b:bem|Bem]] como a [[lexico:g:genese|gênese]] desta correspondência e tirar a limpo a importância e a repercussão das formas expressivas, na [[lexico:t:tarefa|tarefa]] de configuração do [[lexico:e:espirito|espírito]]. [[lexico:t:teofrasto|Teofrasto]], discípulo de [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]], ocupou-se de [[lexico:s:semelhante|semelhante]] tarefa, bem como o [[lexico:m:mestre|mestre]] de [[lexico:r:retorica|retórica]], Quintiliano. No século XVIII, trabalhos de Gall, Lavaler, [[lexico:e:engels|Engels]] e [[lexico:g:goethe|Goethe]], despertaram [[lexico:i:interesse|interesse]] pela fisiognomia ([[lexico:t:teoria|teoria]] da expressão). No século XIX, Carus retomou esses trabalhos. Duchenne e Gratiolet investigaram, em clínicas de Paris, os movimentos expressivos. [[lexico:d:darwin|Darwin]] e, noutro [[lexico:s:sentido|sentido]], [[lexico:w:wundt|Wundt]] formularam teorias sobre a gênese da correspondência entre vivência e expressão Piderit criou uma [[lexico:e:especie|espécie]] de léxico dos movimentos de expressão. [[lexico:k:klages|Klages]] constituiu cientificamente a doutrina da expressão, tomando para base a sua [[lexico:m:metafisica|metafísica]] do espírito e da [[lexico:a:alma|alma]] e fundou a grafologia científica (tudo da [[lexico:e:escrita|escrita]] como expressão da índole psíquica). O interesse pela [[lexico:p:psicologia|psicologia]] das raças levou à teoria de F. Clauss sobre o [[lexico:t:tipo|tipo]] racial fisiológico como expressão do tipo racial [[lexico:p:psiquico|psíquico]] [[lexico:p:primario|primário]]. A doutrina da expressão de K. Buhler compendia os trabalhos anteriores e apresenta [[lexico:a:alem|além]] disso uma ampla e [[lexico:s:sistematica|sistemática]] teoria da expressão. As formas de expressão assumem importância filosófica, porque dão a entender a íntima vinculação existente entre [[lexico:c:corpo-e-alma|corpo e alma]] ([[lexico:r:relacao|relação]] entre corpo e alma), bem como o [[lexico:f:fato|fato]] e a [[lexico:e:estrutura|estrutura]] da [[lexico:n:natureza-social|natureza social]] do [[lexico:h:homem|homem]], pois o sentido [[lexico:u:ultimo|último]] da expressão é, evidentemente, manifestar a outros as vivências internas. O [[lexico:i:impulso|impulso]] irresistível do homem para dar expressão [[lexico:s:sensivel|sensível]] e [[lexico:s:simbolica|simbólica]] ao psíquico, mediante o corpo e seus movimentos, funda-se [[lexico:n:nao|não]] só na [[lexico:e:esfera|esfera]] biológico-instintiva de seu [[lexico:s:ser|ser]], mas também na [[lexico:n:natureza|natureza]] de seu espírito unido ao corpo. Ao invés, o cultivo ou o desleixo das formas expressivas do psíquico, sua autenticidade ou degeneração no [[lexico:f:falso|falso]] ou meramente formalista, refluem também e são de grande importância para a estruturação e curso da [[lexico:v:vida-psiquica|vida psíquica]] [[lexico:c:consciente|consciente]]. — WlLLWOLL. Neste artigo, tratamos das formas de expressão e [[lexico:e:exposicao|exposição]] das filosofias, do [[lexico:s:significado|significado]] do [[lexico:t:termo|termo]] expressão na [[lexico:s:semiotica|semiótica]] e na [[lexico:l:logica|lógica]] e, por último, da expressão em [[lexico:e:estetica|estética]]. [[lexico:f:forma|forma]] DE EXPRESSÃO EM [[lexico:f:filosofia|Filosofia]]: estas formas foram e são muito variáveis: o poema ([[lexico:p:parmenides|Parmênides]], Lucrécio), o [[lexico:d:dialogo|diálogo]] ([[lexico:p:platao|Platão]], [[lexico:b:berkeley|Berkeley]]), o tratado ou as notas magistrais (Aristóteles), a [[lexico:d:diatribe|diatribe]] ([[lexico:c:cinicos|cínicos]]), a exortação e as epístolas (estoicos), as confissões ([[lexico:s:santo|santo]] [[lexico:a:agostinho|Agostinho]]), as glosas, comentários, questões, disputas, sumas (escolásticos), a autobiografia espiritual ([[lexico:d:descartes|Descartes]]), o tratado à maneira da [[lexico:g:geometria|geometria]] (Espinosa), o ensaio ([[lexico:l:locke|Locke]], [[lexico:l:leibniz|Leibniz]], [[lexico:h:hume|Hume]]), os aforismos (Francis [[lexico:b:bacon|Bacon]], moralistas em [[lexico:g:geral|geral]], [[lexico:n:nietzsche|Nietzsche]], [[lexico:w:wittgenstein|Wittgenstein]]),etc. Quase todos os autores citados utilizaram outras formas de expressão, mas as mencionadas são tão caraterísticas de uma [[lexico:p:parte|parte]] fundamental das suas respectivas filosofias que se levanta um [[lexico:p:problema|problema]]: o da relação entre conteúdo ([[lexico:i:ideia|ideia]]) e forma (expressão, exposição). Pode formular-se assim: “está a expressão ligada ao conteúdo?” A resposta é, em [[lexico:p:principio|princípio]], afirmativa. Uma filosofia exortativa como a dos estoicos novos não pode adotar por um tratado magistral; uma filosofia omni-compreensiva, como a dos tomistas medievais não pode utilizar a diatribe. Contudo, alguns autores, por [[lexico:e:exemplo|exemplo]] Berkeley, defendem a [[lexico:t:tese|tese]] contrária. A teoria bergsoniana da [[lexico:i:intuicao|intuição]] filosófica pressupõe a independência da expressão relativamente à ideia (ou intuição), pois a primeira não é mais que o invólucro acidental da segunda; uma mesma ideia pode, pois, expressar-se de formas muito diferentes. Mais imparcial, parece afirmar que, em épocas diferentes de crise, se manifesta uma [[lexico:s:separacao|separação]] entre a expressão e o conteúdo e, em épocas mais estáveis, uma quase completa identificação entre eles. O TERMO EXPRESSÃO NA SEMIÓTICA E NA LÓGICA usar-se este termo para designar uma [[lexico:s:serie|série]] de signos de qualquer espécie numa [[lexico:l:linguagem|linguagem]] escrita. São exemplos de expressões: “Buenos Aires é a [[lexico:c:capital|capital]] federal da Argentina”, Vénus é um planeta que”, “175”, “regg tiel up”. [[lexico:c:como-se|como se]] vê, é indiferente que uma expressão tenha significado dentro de uma dada linguagem. Requer-se apenas uma [[lexico:c:condicao|condição]] para que se possa [[lexico:f:falar|falar]] de uma expressão: que tenha ou possa [[lexico:t:ter|ter]] uma forma linear. Parece opor-se a esta condição o fato de certos signos não aparecerem linearmente em algumas expressões. Assim, o [[lexico:a:acento|acento]] agudo em vendré não está ordenado da forma requerida. Contudo, os signos podem reduzir-se a uma forma linear, isto é, a uma série na qual cada um deles ocupa um [[lexico:l:lugar|lugar]] determinado. É frequente, na semiótica e na lógica, chamar expressão a qualquer [[lexico:s:sequencia|sequência]] de signos em [[lexico:o:ordem|ordem]] linear ou redutível à ordem linear quando se quer evitar o [[lexico:u:uso|uso]] de um vocábulo mais específico, tala como [[lexico:f:formula|fórmula]], [[lexico:p:proposicao|proposição]], etc. A EXPRESSÃO EM ESTÉTICA: discutiu-se muitas vezes qual a relação de um conteúdo estético com a sua expressão. Por vezes, identificou-se esta com a forma. Mas como a forma tem um [[lexico:c:carater|caráter]] [[lexico:u:universal|universal]] objetou-se que, nesse caso, se deve identificar a expressão com um conjunto de normas ou regras de um caráter [[lexico:o:objetivo|objetivo]]. Em [[lexico:s:suma|suma]], a expressão seria então a [[lexico:i:imitacao|imitação]]. Para evitar esta [[lexico:o:objetivacao|objetivação]] da expressão, afirmou-se que a expressão é sempre, em todos os casos, de índole subjectiva e depende da [[lexico:e:experiencia|experiência]] estética e suas inúmeras variações. Neste último caso, ligou-se a expressão à [[lexico:i:imaginacao|imaginação]]. Na [[lexico:e:etica|ética]] contemporânea, discutiu-se especialmente quais as [[lexico:r:relacoes|relações]] da expressão com a intuição. Alguns autores distinguiram cuidadosamente entre ambas; segundo eles, a intuição (artística) pode manifestar-se em expressões muito diferentes. [[lexico:c:croce|Croce]], pelo contrário, defendeu que “a intuição é expressão e [[lexico:n:nada|nada]] mais - nada mais e nada menos - que a expressão”. Segundo ele, em [[lexico:a:arte|arte]] não há propriamente sentimentos; a arte é a expressão dos sentimentos (ou, se se quiser, os sentimentos enquanto expressos). L. Expressio; F. Expression; It. Expressione; I. Expression; A. Ausdruck. Psic.: [[lexico:a:acao|Ação]] que traduz uma [[lexico:r:realidade|realidade]] interior. As expressões pertencem ao [[lexico:m:mecanismo|mecanismo]] das emoções. Segundo [[lexico:s:scheler|Scheler]], ap. Dwelshauvers, Traite, 407, a expressão seria a primeira [[lexico:c:coisa|coisa]] que o homem compreende do que o cerca. O que em primeiro lugar o menino percebe é a expressão: estrutura complexa que ao mesmo [[lexico:t:tempo|tempo]] engloba sentimentos e representações. Fil.: Maneira de falar; [[lexico:e:enunciado|enunciado]] ou [[lexico:n:notacao|notação]] que representa uma ideia ou uma relação entre certos termos. Fnomn.: Na [[lexico:f:fenomenologia|fenomenologia]] de [[lexico:h:husserl|Husserl]], ap. Gurvitch, Tendances, 33, uma expressão não está apenas inseparavelmente ligada a uma [[lexico:s:significacao|significação]]; visa, também, por intermédio desta última, ainda [[lexico:o:outro|outro]] correlativo, que Husserl, Investigaciones, designa de forma mais geral e indeterminada: [[lexico:o:objeto|objeto]]: "[[lexico:i:intencional|intencional]]" ou "[[lexico:f:fenomeno|fenômeno]]". A relação de uma expressão com um objeto está constituída por sua significação na intuição. É muito importante notar que a significação não é nunca diretamente idêntica a seu objeto. Uma expressão designa [[lexico:a:alguma-coisa|alguma coisa]] e [[lexico:f:fala|fala]] de alguma coisa; tem uma significação e tende para um objeto. Husserl, Investigaciones, dedica [[lexico:t:todo|todo]] o primeiro capítulo ao [[lexico:e:estudo|estudo]] fenomenológico da expressão e significação. (lat. expressio; in. Expression; fr. Expression; al. Ausdruck; it. Espressioné). Em sentido geral e [[lexico:m:moderno|moderno]], manifestação por [[lexico:m:meio|meio]] de [[lexico:s:simbolos|símbolos]] ou comportamentos simbólicos. [[lexico:e:esse|esse]] termo foi introduzido no uso filosófico na segunda metade do séc. XVII, quando começou a substituir o termo [[lexico:a:aparencia|aparência]] para indicar a relação entre [[lexico:d:deus|Deus]] e [[lexico:m:mundo|mundo]], graças à qual o mundo é "manifestação" de Deus. [[lexico:s:spinoza|Spinoza]] e Leibniz usam o termo nesse sentido. Spinoza diz que um [[lexico:m:modo|modo]] da [[lexico:e:extensao|extensão]] e a ideia desse modo são "uma só e mesma coisa expressa de duas maneiras; o que parece ter sido vagamente entrevisto, por alguns hebreus, que apresentam Deus, o [[lexico:i:intelecto|intelecto]] [[lexico:d:divino|divino]] e as [[lexico:c:coisas|coisas]] por ele percebidas como uma e mesma coisa" (Et., II, 7, scol). Leibniz, por sua vez, considera as [[lexico:s:substancias|substâncias]] espirituais ou [[lexico:m:monadas|mônadas]] como "expressão ou manifestações" de Deus (Disc. de mét., § 9,14; Monad., § 60). Mas com Leibniz começa também a [[lexico:h:historia|história]] [[lexico:m:moderna|moderna]] desse termo, que do domínio metafísico passa para o domínio antropológico, onde é empregado para designar o [[lexico:c:comportamento|comportamento]] tipicamente [[lexico:h:humano|humano]] de falar por símbolos ou utilizá-los. Leibniz diz: "O [[lexico:m:modelo|modelo]] de uma [[lexico:m:maquina|máquina]] expressa a máquina e, assim, um desenho [[lexico:p:plano|plano]] em [[lexico:p:perspectiva|perspectiva]] expressa um corpo com três dimensões, uma proposição exprime um [[lexico:p:pensamento|pensamento]], um [[lexico:s:sinal|sinal]] expressa um [[lexico:n:numero|número]] e uma [[lexico:e:equacao|equação]] algébrica expressa um [[lexico:c:circulo|círculo]] ou outra [[lexico:f:figura|figura]] geométrica: todas essas expressão têm em comum o fato de que da [[lexico:s:simples|simples]] consideração das relações da expressão pode-se chegar ao [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] das propriedades correspondentes da coisa que se quer expressar. Disso resulta que não é [[lexico:n:necessario|necessário]] [[lexico:p:pensar|pensar]] numa [[lexico:s:semelhanca|semelhança]] recíproca entre expressão e coisa, contanto que seja mantida uma certa [[lexico:a:analogia|analogia]] de todas as relações" ([[lexico:q:quid|quid]] sit [[lexico:i:idea|idea]], Op., ed. Gerhardt, VII, p. 263). Essas considerações de Leibniz marcam a extensão do termo expressão a toda espécie ou forma da relação entre o [[lexico:s:simbolo|símbolo]] e o que ele designa e constituem, portanto, também o início do uso desse termo para significar "[[lexico:f:frase|frase]]", "enunciado", "fórmula", etc. No trecho citado, Leibniz continua observando que "algumas expressão possuem [[lexico:f:fundamento|fundamento]] [[lexico:n:natural|natural]], ao passo que outras, como as [[lexico:p:palavras|palavras]] da linguagem e os sinais de qualquer [[lexico:g:genero|gênero]], dependem, ao menos em parte, de uma convenção arbitrária". E acrescenta que a ideia é uma expressão nesse sentido: "Embora a ideia da circunferência não seja semelhante à circunferência tal como esta é, na natureza da primeira podem ser deduzidas verdades que serão, sem [[lexico:d:duvida|dúvida]], confirmadas pela experiência [[lexico:r:referente|referente]] à circunferência [[lexico:r:real|real]]" (Ibid., p. 263). Começava a história moderna desse termo; com [[lexico:k:kant|Kant]] ele entraria no [[lexico:d:dominio-da-estetica|domínio da estética]]. Com [[lexico:e:efeito|efeito]], Kant utilizou o [[lexico:c:conceito|conceito]] de expressão para classificar as [[lexico:b:belas-artes|belas-artes]]. "Em geral, pode-se dizer que a [[lexico:b:beleza|beleza]] (da natureza ou da arte) é a expressão das [[lexico:i:ideias|ideias]] estéticas; a [[lexico:d:diferenca|diferença]] entre natureza e arte é que na arte a ideia pode ser ocasionada por um conceito, ao passo que na bela natureza basta a [[lexico:r:reflexao|reflexão]] sobre uma intuição dada, sem o conceito do que deve ser o objeto, para suscitar e comunicar a ideia, cuja expressão o objeto é considerado." Portanto, para classificar as belas-artes, podemos utilizar "a mesma espécie de expressão que os homens utilizam para falar, para comunicar do melhor modo [[lexico:p:possivel|possível]] não só seus [[lexico:c:conceitos|conceitos]], mas também suas sensações". E como essa espécie de expressão consiste na [[lexico:p:palavra|palavra]], no gesto e no tom, Kant distingue as artes da palavra, as artes figurativas e as artes musicais. E acrescenta: "Poder-se-ia também conduzir essa [[lexico:d:divisao|divisão]] dicotomicamente, distinguindo as belas-artes nas que exprimem o pensamento e nas que exprimem a intuição; e estas últimas, segundo a forma ou a [[lexico:m:materia|matéria]]" (Crít. do [[lexico:j:juizo|Juízo]], § 51). Desse modo, a [[lexico:n:nocao|noção]] de expressão servia a Kant para interligar arte e linguagem, o que se manteria e reforçaria na estética contemporânea. Por outro lado, o conceito de expressão era cada vez mais empregado para designar a relação entre as manifestações corpóreas das emoções e as próprias emoções: relação que, a partir da [[lexico:o:obra|obra]] de Darwin (A expressão das emoções no homem e nos animais, 1872), mostrou-se [[lexico:e:essencial|essencial]] à teoria das emoções (v. [[lexico:e:emocao|emoção]]). Mas nem esse uso do termo, nem o uso ainda mais amplo que dele se fez em estética contribuíram muito para determinar o seu significado, que na [[lexico:m:maioria-das-vezes|maioria das vezes]] é [[lexico:p:pressuposto|pressuposto]] pelas investigações estéticas ou psicológicas, mas não é questionado nem esclarecido em suas possibilidades constitutivas. P. ex., não esclarece muito o significado de expressão a [[lexico:i:identidade|identidade]] estabelecida por Benedetto Croce, como fundamento da sua estética, entre intuição e expressão (Estética, cap. I). Veremos, aliás, que a [[lexico:t:tendencia|tendência]] a identificar essas duas coisas constitui a fase primitiva do comportamento expressivo. Tampouco são esclarecedoras as determinações de [[lexico:d:dewey|Dewey]], segundo as quais a expressão é "o aclaramento de uma emoção turva", sendo, pois, a "objetivação da emoção" (Art as Experience, 1934, cap. IV). É [[lexico:p:provavel|provável]] que essas características possam ser atribuídas legitimamente à expressão estética, mas ainda não a descrevem suficientemente. Sem dúvida, é [[lexico:f:fonte|fonte]] de confusão a [[lexico:o:observacao|observação]] de Wölfflin de que "a arte é expressão, a história da arte é história da alma" (Das Erklären von Kunstwerken, 1921, § 3). Mais profícua foi a investigação sobre o conceito de expressão feita em [[lexico:c:campo|campo]] estritamente filosófico. [[lexico:d:dilthey|Dilthey]] já ressaltava em Construção do mundo [[lexico:h:historico|histórico]] (1910) a [[lexico:f:funcao|função]] da expressão e, em primeiro lugar, da linguagem em relação ao pensamento [[lexico:d:discursivo|discursivo]] do juízo (Aufbau, III, 1). E Husserl via na expressão a consecução perfeita dos atos significativos próprios da [[lexico:c:consciencia|consciência]] teórica. Como tal, a expressão não é meio nem [[lexico:i:instrumento|instrumento]], mas um [[lexico:e:estado|Estado]] final, uma conclusão. "O estrato da E", diz Husserl, "sem considerar que fornece expressão a todos os outros [[lexico:e:elementos|elementos]] intencionais é — e isso constitui a sua peculiaridade — improdutivo. Ou, se se quiser, sua [[lexico:p:produtividade|produtividade]], sua ação normativa, esgota-se na expressão e na forma do conceitual, que sobrevém nova com ele" (Ideen, I, § 124). Desse modo, Husserl acolhia em sua filosofia uma das características que hoje são consideradas próprias da expressão: ela não se limita a provir daquilo que expressa, mas, de certo modo, realiza-o e aperfeiçoa-o. [[lexico:h:heidegger|Heidegger]] insistiu nesse caráter afirmando que "ao falar, o [[lexico:s:ser-ai|ser-aí]] se expressa, mas não porque esteja antes de tudo envolto num dentro oposto a um fora, mas porque, enquanto [[lexico:s:ser-no-mundo|ser-no-mundo]], já está fora, na sua [[lexico:c:compreensao|compreensão]]". Isso equivale a definir o homem com base em sua [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] de expressar-se, o que os gregos entreviram ao definir o homem como "[[lexico:a:animal|animal]] [[lexico:r:racional|racional]]" (em que [[lexico:r:razao|razão]] equivale a "[[lexico:d:discurso|discurso]]") (Sein und Zeit, § 34). Mas os esclarecimentos mais importantes sobre o conceito de expressão foram feitos por [[lexico:c:cassirer|Cassirer]]. Ele mostrou a função constitutiva que as formas simbólicas exercem na construção da [[lexico:v:vida|vida]] espiritual, de que não são aspectos acidentais e derivados, mas fatores condicionantes. Cassirer também foi [[lexico:q:quem|quem]] mais contribuiu para esclarecer os [[lexico:c:caracteres|caracteres]] e as condições da expressão. Distinguiu no [[lexico:d:desenvolvimento|desenvolvimento]] das formas linguísticas três estágios, que designou, respectivamente, expressão mimética, expressão analógica e expressão simbólica. Na expressão mimética ainda não há [[lexico:t:tensao|tensão]] entre o [[lexico:s:signo|signo]] linguístico e o conteúdo intuitivo ao qual se refere: as duas coisas tendem a resolver-se uma na outra e a coincidir. "Só gradualmente encontramos uma distância, uma [[lexico:d:diferenciacao|diferenciação]] crescente entre signo e conteúdo, e só então se realiza o fenômeno [[lexico:c:caracteristico|característico]] e fundamental da linguagem, a separação entre som e significado. Só quando essa separação ocorre, a esfera do significado linguístico constitui-se como tal. No início, a palavra pertence à esfera da mera [[lexico:e:existencia|existência]]: o que se aprende não é um significado, mas um ser [[lexico:s:substancial|substancial]] ou uma [[lexico:f:forca|força]] sua" (Phil. der symbolischen Formen; trad. in., I, pp. 186 ss.; II, p. 237). Do mesmo modo, o [[lexico:m:mito|mito]] não aparece, no início, como [[lexico:i:imagem|imagem]] ou "expressão espiritual", mas como uma realidade objetiva ou arte essencial dessa realidade. Essa [[lexico:c:caracteristica|característica]] da expressão certamente é fundamental e constitui a [[lexico:c:confirmacao|confirmação]], no plano antropológico, da [[lexico:d:diversidade|diversidade]] entre a expressão e seu conteúdo, já evidenciada por Leibniz. Podemos então resumir do seguinte modo as características fundamentais da expressão, tais como esclarecidas pela investigação moderna: 1) a expressão é uma consecução, um termo final, mais do que um instrumento ou um meio; 2) a expressão consiste em manifestar-se por meio de símbolos, sendo, por isso, um comportamento característico e [[lexico:p:proprio|próprio]] do homem; 3) a expressão, ao menos em sua forma madura, implica diversidade, "distância", ou seja, [[lexico:a:alteridade|alteridade]] entre símbolo e conteúdo [[lexico:s:simbolico|simbólico]] (ou, como também se diz, entre símbolo e intuição correspondente) . Pela primeira característica, a expressão se diferencia da [[lexico:c:comunicacao|comunicação]], que tem [[lexico:v:valor|valor]] instrumental: a linguagem como expressão não é um simples meio de comunicação, mas um modo de ser ou de realizar-se do homem. Nesse sentido, diz-se que a arte é expressão: nela, com efeito, os instrumentos de comunicação assumem valor final. Nesse sentido, Scheler afirma que o [[lexico:a:ato|ato]] sexual é "um movimento de expressão, não um movimento com vistas a um objetivo".. De fato, não se quer, no [[lexico:a:amor|amor]], o ato sexual (querê-lo significa inibi-lo), mas é o ato que exprime o amor, que é o seu modo de realização (Sympathie, I, cap. 7; trad. fr., p. 182). Pela segunda característica, a expressão é própria de qualquer espécie de comportamento que consista na produção ou no uso dos símbolos, estando, pois, ligada ao conceito geral de linguagem . Pela terceira característica, a expressão é diferente da intuição e de todas as relações de identificação.