===== EXISTÊNCIA INTENCIONAL ===== As análises precedentes levam a uma outra conclusão. Para cada [[lexico:c:coisa|coisa]] há dois modos de [[lexico:e:existir|existir]], ou dois "[[lexico:e:esse|esse]]" absolutamente diferentes: o "esse" [[lexico:s:simples|simples]], às vezes qualificado de "entitativo", designa a [[lexico:e:existencia|existência]] mesma da coisa na [[lexico:r:realidade|realidade]]; e o "esse" [[lexico:i:intencional|intencional]], o qual significa a coisa enquanto é conhecida, ou sua existência de [[lexico:o:objeto|objeto]]; pelo [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] a coisa vem existir em mim, mas de [[lexico:m:modo|modo]] diferente, isto é, diferente do modo como existe em si. O "intencional", nesta doutrina, designa tudo [[lexico:o:o-que-e|o que é]] conhecido, considerado como tal; o objeto conhecido, no [[lexico:p:pensamento|pensamento]], será assim [[lexico:s:significado|significado]] pela [[lexico:e:expressao|expressão]] "intentio intellecta"; fala-se equivalentemente para o [[lexico:s:ser|ser]] conhecido em "esse [[lexico:o:objetivo|objetivo]]". -É [[lexico:e:essencial|essencial]] observar que para [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]] a [[lexico:i:intencionalidade|intencionalidade]], da qual aqui se trata, [[lexico:n:nao|não]] corresponde a nenhuma [[lexico:t:tendencia|tendência]] ativa para o objeto. Deve ser, pois, cuidadosamente distinguida da intencionalidade voluntária que, esta sim, implica uma inclinação efetiva: a [[lexico:o:ordem|ordem]] da realidade do conhecimento tem um significado puramente [[lexico:r:representativo|representativo]] e de modo algum [[lexico:d:dinamico|dinâmico]]. Por este [[lexico:p:ponto|ponto]], e graças à introdução desta [[lexico:c:categoria|categoria]] de intencional, distinguem-se no [[lexico:m:mundo|mundo]] do ser duas grandes ordens: a do [[lexico:c:chamado|chamado]] ser "entitativo", que corresponde à existência pura e simples das [[lexico:c:coisas|coisas]] e, como que duplicando-a, a do ser intencional ou do ser enquanto conhecido. Assim aparece, explica-nos Cajetano, "que [[lexico:t:testemunho|testemunho]] de incultura dão aqueles que, tratando do [[lexico:s:sentido|sentido]] e do [[lexico:s:sensivel|sensível]], da [[lexico:i:inteligencia|inteligência]] e do [[lexico:i:inteligivel|inteligível]], julgam-nos como coisas diferentes. Aprende, pois, continua o douto autor, a elevar mais teu [[lexico:e:espirito|espírito]] e a penetrar em uma outra ordem de coisas" (Comm. in Iam Part. q. 14, a. 1, VII). Que podem, pois, tais considerações [[lexico:r:representar|representar]] às vistas do psicólogo [[lexico:m:moderno|moderno]]? Elas nos conduzem evidentemente para [[lexico:b:bem|Bem]] longe das observações detalhadas e minuciosas que enchem as páginas de nossos atuais tratados. Na realidade, engajamo-nos aqui no [[lexico:p:plano|plano]] da resolução [[lexico:m:metafisica|metafísica]]. Toda [[lexico:e:experiencia|experiência]], sabemos, não é excluída: parte-se do [[lexico:f:fato|fato]] do conhecimento tal qual nos é [[lexico:d:dado|dado]]; mas este fato é apenas considerado segundo seus aspectos mais comuns e conforme os [[lexico:p:principios|princípios]] de uma metafísica [[lexico:g:geral|geral]] do ser, especialmente do ser [[lexico:f:fisico|físico]] que serve aqui de ponto de [[lexico:r:referencia|referência]]. Os resultados obtidos poderão parecer bastante desprovidos de [[lexico:i:interesse|interesse]] para [[lexico:q:quem|quem]] pretenda não ir [[lexico:a:alem|além]] do plano da [[lexico:o:observacao|observação]] positiva. Mas desde que se queira ir mais a fundo, desde que sobretudo se tente, com as fracas possibilidades de nossa inteligência de [[lexico:h:homem|homem]], penetrar no mundo dos [[lexico:e:espiritos|espíritos]], o nosso, que nos é em [[lexico:p:parte|parte]] [[lexico:o:oculto|oculto]], o dos [[lexico:a:anjos|anjos]] e de [[lexico:d:deus|Deus]] que nos são inteiramente escondidos, então parece que só as generalidades de uma autêntica metafísica do conhecimento são capazes de assegurar uma base às transposições que se impõem.