===== EXISTÊNCIA DE DEUS ===== VIDE [[lexico:p:provas-da-existencia-de-deus|provas da existência de Deus]] Finalmente, o [[lexico:t:terceiro|terceiro]] [[lexico:p:postulado|postulado]] da [[lexico:r:razao-pratica|razão prática]] é a [[lexico:e:existencia-de-deus|existência de Deus]]. A [[lexico:e:existencia|existência]] de [[lexico:d:deus|Deus]] é igualmente trazida pelas necessidades evidentes da [[lexico:e:estrutura|estrutura]] [[lexico:i:inteligivel|inteligível]] [[lexico:m:moral|moral]] do [[lexico:h:homem|homem]]. Porque nessa estrutura inteligível moral do homem, que nos permitiu chegar a [[lexico:e:esse|esse]] [[lexico:m:mundo|mundo]] de [[lexico:c:coisas|coisas]] em si, que [[lexico:n:nao|não]] é o mundo dos fenômenos, aí nos encontramos cora um certo [[lexico:n:numero|número]] de condições metafísicas que hão de se cumprir, visto que são condições da [[lexico:c:consciencia-moral|consciência moral]] humana. Já vimos uma delas: a [[lexico:l:liberdade-da-vontade|liberdade da vontade]]. Outra delas é a [[lexico:i:imortalidade-da-alma|imortalidade da alma]]. A terceira é a [[lexico:g:garantia|garantia]] de que neste mundo não há [[lexico:a:abismo|abismo]] entre o [[lexico:i:ideal|ideal]] e a [[lexico:r:realidade|realidade]]; a [[lexico:c:certeza|certeza]] de que neste mundo não há [[lexico:s:separacao|separação]] ou [[lexico:d:diferenciacao|diferenciação]] entre aquilo que [[lexico:e:eu|eu]] queria [[lexico:s:ser|ser]] e aquilo que sou. Entre aquilo que minha [[lexico:c:consciencia|consciência]] moral quer que eu seja e aquilo que a fraqueza humana no [[lexico:c:campo|campo]] do [[lexico:f:fenomenico|fenomênico]] faz que seja. A [[lexico:c:caracteristica|característica]] de nossa [[lexico:v:vida|vida]] moral, concreta, neste mundo fenomenológico é a [[lexico:t:tragedia|tragédia]], a [[lexico:d:dor|dor]], a dilaceração profunda que produz em nós essa distância, esse abismo entre o ideal e a realidade. A realidade fenomênica está regida pela [[lexico:n:natureza|natureza]], pela engrenagem [[lexico:n:natural|natural]] de [[lexico:c:causas|causas]] e efeitos, que são cegos para os valores morais. Porém nós não somos cegos para os valores morais, antes, ao contrário, os percebemos, e constatamos que na nossa vida [[lexico:p:pessoal|pessoal]], na vida pessoal dos demais, na vida histórica, esses valores morais, a [[lexico:j:justica|justiça]], a [[lexico:b:beleza|beleza]], a [[lexico:b:bondade|bondade]], não estão realizados. Na nossa vida, verificamos que quereríamos ser santos, mas não o somos, antes somos pecadores. Na nossa vida coletiva comprovamos que quereríamos que a justiça fosse total, plena e completa, mas constatamos que muitas vezes prevalece a injustiça e o crime. E na vida histórica acontece a mesma [[lexico:c:coisa|coisa]]. Há, pois, essa tragédia do abismo que dentro de nossa vida fenomênica, neste mundo, existe entre a consciência moral, que tem exigências ideais, e a realidade fenomênica, que, cega para essas exigências ideais, segue seu curso natural de causas e efeitos, sem se preocupar em [[lexico:n:nada|nada]] da realização desses valores morais. Portanto, é absolutamente [[lexico:n:necessario|necessário]], que após este mundo num [[lexico:l:lugar|lugar]] metafísico [[lexico:a:alem|além]] deste mundo, esteja realizada esta plena conformidade entre aquilo que "é" no [[lexico:s:sentido|sentido]] de realidade e aquilo que "deve ser" no sentido da consciência moral. Esse [[lexico:a:acordo|acordo]] entre aquilo que "é" e aquilo que "deve ser", que não se dá na nossa vida fenomênica, porque nela predomina a [[lexico:c:causalidade|causalidade]] [[lexico:f:fisica|física]] e natural, é um postulado que requer uma [[lexico:u:unidade|unidade]] sintética [[lexico:s:superior|superior]] entre esse "ser" e o [[lexico:o:outro|outro]] "deve ser". A essa [[lexico:u:uniao|união]] ou unidade sintética do mais [[lexico:r:real|real]] que pode haver com o mais ideal que pode haver, chama [[lexico:k:kant|Kant]] Deus. Deus é, pois, aquele [[lexico:e:ente|ente]] metafísico no qual a mais plena realidade está unida à mais plena [[lexico:i:idealidade|idealidade]]; em que não há a menor divergência entre aquilo que se considera [[lexico:b:bom|Bom]] mas não existente e aquilo que se considera existente. Pensamos um ideal de beleza, de bondade, e aquilo que encontramos ao nosso redor e dentro de nós mesmos está [[lexico:b:bem|Bem]] distante desse ideal de beleza e de bondade. Mas então necessariamente tem que haver, além do mundo fenomênico em que nós nos movemos, um ente no qual, com [[lexico:e:efeito|efeito]], esta [[lexico:a:aspiracao|aspiração]] nossa, de que o real e o ideal estejam perfeitamente unidos, em [[lexico:s:sintese|síntese]], se realize. Esse ente é, justamente, Deus. Assim, pois, por estes caminhos, que não são os caminhos do [[lexico:c:conhecimento-cientifico|conhecimento científico]], mas que são vias que têm sua [[lexico:o:origem|origem]] na consciência moral, na [[lexico:a:atividade|atividade]] da consciência moral, não na consciência cognoscente, por esses caminhos chega Kant aos objetos metafísicos que na [[lexico:c:critica-da-razao-pura|Crítica da Razão Pura]] declarara inacessíveis para o [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] [[lexico:t:teorico|teórico]].