===== EU PURO ===== VIDE [[lexico:s:subjetividade-transcendental:start|subjetividade transcendental]] Qual é o resultado dessa [[lexico:o:operacao:start|operação]] redutora? Na [[lexico:m:medida:start|medida]] em que o [[lexico:e:eu:start|eu]] [[lexico:c:concreto:start|concreto]] está entrelaçado com o [[lexico:m:mundo:start|mundo]] [[lexico:n:natural:start|natural]], é claro que está ele mesmo reduzido; em outros termos, eu devo me abster de toda [[lexico:t:tese:start|tese]] a [[lexico:r:respeito:start|respeito]] do eu como existente; mas é igualmente claro que existe um eu, que justamente se abstém, e que é o [[lexico:p:proprio:start|próprio]] eu da [[lexico:r:reducao:start|redução]]. [[lexico:e:esse:start|esse]] eu é [[lexico:c:chamado:start|chamado]] [[lexico:e:eu-puro:start|eu puro]] e a epoqué é o [[lexico:m:metodo:start|método]] [[lexico:u:universal:start|universal]] pelo qual eu me apreendo como eu [[lexico:p:puro:start|puro]]. Esse eu puro encerra um conteúdo? [[lexico:n:nao:start|Não]], no [[lexico:s:sentido:start|sentido]] em que ele não é um continente; sim, no sentido em que esse eu é alvo de [[lexico:a:alguma-coisa:start|alguma coisa]]; mas não se deverá aplicar a redução a esse conteúdo? Antes de responder a essa [[lexico:q:questao:start|questão]], convém constatar que à primeira vista a redução dissocia plenamente, de um lado o mundo como [[lexico:t:totalidade:start|totalidade]] das [[lexico:c:coisas:start|coisas]] e de [[lexico:o:outro:start|outro]] a [[lexico:c:consciencia:start|consciência]] [[lexico:s:sujeito:start|sujeito]] da redução. Procedamos à [[lexico:a:analise:start|análise]] [[lexico:e:eidetica:start|eidética]] da [[lexico:r:regiao:start|região]] [[lexico:c:coisa:start|coisa]] e da região consciência. A coisa natural, por [[lexico:e:exemplo:start|exemplo]] aquela árvore, me é dada dentro e por um fluxo incessante de esboços, de silhuetas. (Abschaüungen). Estas silhuetas, através das quais se perfila a coisa, são vivências que se relacionam à coisa pelo seu sentido de [[lexico:a:apreensao:start|apreensão]]. A coisa é como um "mesmo" que me é [[lexico:d:dado:start|dado]] através das modificações incessantes e aquilo que faz com que ela seja coisa para mim (isto é em si para mim) é precisamente a inadequação necessária de minha apreensão dessa coisa. Mas essa [[lexico:i:ideia:start|ideia]] de inadequação é equívoca: enquanto a coisa se perfila através das silhuetas sucessivas, eu acedo a ela apenas unilateralmente, por uma de suas faces, mas simultanamente me são "dadas" as outras faces da coisa, não "em [[lexico:p:pessoa:start|pessoa]]", mas sugeridas pela face dada sensorialmente; em outros termos, a coisa tal como é dada pela [[lexico:p:percepcao:start|percepção]] é sempre aberta sobre horizontes de [[lexico:i:indeterminacao:start|indeterminação]], "ela indica com antecedência um diversificado de percepções cujas fases, passando continuamente uma para a outra, se fundem na [[lexico:u:unidade:start|unidade]] de uma percepção" (Ideen, 80). Assim, a coisa não pode jamais [[lexico:s:ser:start|ser]] dada a mim como um [[lexico:a:absoluto:start|absoluto]], há portanto "uma imperfeição indefinida que depende da [[lexico:e:essencia:start|essência]] insuprimível da [[lexico:c:correlacao:start|correlação]] entre coisa e percepção de coisa" (ibid). No curso da percepção os esboços sucessivos são retocados e uma silhueta nova da coisa pode vir a corrigir uma silhueta precedente, não havendo, entretanto, [[lexico:c:contradicao:start|contradição]], pois o fluxo de todas essas silhuetas se funde na unidade de uma percepção, mas ocorre que a coisa emerge através de retoques sem [[lexico:f:fim:start|fim]]. A própria [[lexico:v:vivencia:start|vivência]], pelo contrário, é dada a si mesma numa "percepção [[lexico:i:imanente:start|imanente]]". A consciência de si dá a vivência em si mesma, isto é, tomada como um absoluto. Isto não significa que a vivência seja sempre apreendida adequadamente em sua plena unidade: na medida em que é um fluxo, está sempre já longe passada quando a quero tomar; eis por que, como vivência, é retida, somente como [[lexico:r:retencao:start|retenção]] que posso apreendê-la e por que o "fluxo total de minha vivência é uma unidade de vivência [[lexico:i:impossivel:start|impossível]], por [[lexico:p:principio:start|princípio]], de ser apreendido numa percepção, deixando-nos inteiramente "ao sabor" dele" (Ideen, 82). A dificuldade [[lexico:p:particular:start|particular]], que é ao mesmo [[lexico:t:tempo:start|tempo]] uma [[lexico:p:problematica:start|problemática]] [[lexico:e:essencial:start|essencial]] da consciência, se prolonga no [[lexico:e:estudo:start|estudo]] da consciência do tempo interior, mas ainda que não haja [[lexico:a:adequacao:start|adequação]] imediata da consciência a si mesma, verifica-se que toda vivência traz em si a [[lexico:p:possibilidade:start|possibilidade]] de princípio de sua [[lexico:e:existencia:start|existência]]. "O fluxo da vivência, que é meu fluxo, o do sujeito pensante, pode ser, na medida da nossa [[lexico:v:vontade:start|vontade]], não apreendida, desconhecido quanto às partes já decorridas e a decorrerem, bastando que eu aplique o olhar sobre a [[lexico:v:vida:start|vida]] que se desenrola na sua [[lexico:p:presenca:start|presença]] [[lexico:r:real:start|real]] e que nesse [[lexico:a:ato:start|ato]] eu me apreenda a mim mesmo como sujeito puro dessa vida, para que eu possa dizer sem restrições e necessariamente: eu sou, esta vida é, eu vivo: [[lexico:c:cogito:start|cogito]]" (Ideen, 85). Por conseguinte, o primeiro resultado da redução era obrigar-nos a dissociar nitidamente o [[lexico:m:mundano:start|mundano]] ou natural em [[lexico:g:geral:start|geral]] de um sujeito não mundano; mas, prosseguindo na [[lexico:d:descricao:start|descrição]], conseguimos hierarquizar de certo [[lexico:m:modo:start|modo]] essas duas regiões do ser em geral: concluímos com [[lexico:e:efeito:start|efeito]] pela [[lexico:c:contingencia:start|contingência]] da coisa (tomada como [[lexico:m:modelo:start|modelo]] do mundano) e pela [[lexico:n:necessidade:start|necessidade]] do eu puro, resíduo da redução. A coisa e o mundo em geral) não são apodíticos (Meditações Cartesianas), não excluem a possibilidade de se duvidar deles, portanto, não excluem a possibilidade de sua não-existência; [[lexico:t:todo:start|todo]] o conjunto das experiências (no sentido kantiano) pode revelar-se [[lexico:s:simples:start|simples]] [[lexico:a:aparencia:start|aparência]] e ser apenas um [[lexico:s:sonho:start|sonho]] coerente. Nesse sentido a redução e já por ela mesma, enquanto [[lexico:e:expressao:start|expressão]] da [[lexico:l:liberdade:start|liberdade]] do eu puro, a [[lexico:r:revelacao:start|revelação]] do [[lexico:c:carater:start|caráter]] [[lexico:c:contingente:start|contingente]] do mundo. O sujeito da redução, ou eu puro é, pelo contrário, evidente a [[lexico:s:si-mesmo:start|si mesmo]] de uma [[lexico:e:evidencia-apoditica:start|evidência apodítica]], o que significa que o fluxo de vivência que o constitui enquanto ele se aparece a si mesmo não pode ser questionado nem na sua essência, nem na sua existência. Esta apodicidade não implica numa adequação; a [[lexico:c:certeza:start|certeza]] do ser do eu não garante a certeza do [[lexico:c:conhecimento:start|conhecimento]] do eu; mas ela basta para opor a percepção [[lexico:t:transcendental:start|transcendental]] da coisa e do mundo em geral à percepção imanente: "A [[lexico:p:posicao:start|posição]] do mundo que é uma posição "contingente" se opõe à posição de meu eu puro e de minha vivência egológica, que é uma posição "necessária" e absolutamente indubitável. Toda coisa dada em "pessoa" pode também não ser, nenhuma vivência dada "em pessoa" pode não ser (Ideen, 86). Esta [[lexico:l:lei:start|lei]] é uma lei de essência. Indagamos anteriormente: a redução fenomenológica deve aplicar-se ao conteúdo do eu puro? Compreendemos [[lexico:a:agora:start|agora]] que essa [[lexico:i:indagacao:start|indagação]] supõe um contra-senso radical, o mesmo que [[lexico:h:husserl:start|Husserl]] imputa a [[lexico:d:descartes:start|Descartes]]: consiste ele em admitir o sujeito como coisa ([[lexico:r:res-cogitans:start|res cogitans]]). O eu puro não é uma coisa, pois ele não se dá a si mesmo como a coisa lhe é dada. Ele não "coabita pacificamente" com o mundo e não tem igualmente necessidade do mundo para ser; pois, imaginemos que o mundo seja aniquilado (reconhecemos de passagem a [[lexico:t:tecnica:start|técnica]] das variações imaginárias que fixam a essência), "o ser da consciência seria certamente modificado. . ., mas não seria atingido na sua própria existência". Com efeito, um mundo aniquilado significaria somente para a consciência que yisa este mundo o desaparecimento no fluxo de suas vivências de certas conexões empíricas ordenadas, desaparecimento que acarretaria o de certas conexões racionais reguladas pelas primeiras. Mas esse aniquilamento não implica a exclusão de outras vivências e de outras conexões entre as vivências. Em outro termos, "nenhum ser real é [[lexico:n:necessario:start|necessário]] para o ser da própria consciência. O ser imanente é, portanto, indubitavelmente, um ser absoluto, na medida em que nulla "res" indiget ad existendum. Por outro lado, o mundo das res transcendentes se refere totalmente a uma consciência, e de modo algum, a uma consciência concebida logicamente, mas a uma consciência [[lexico:a:atual:start|atual]]" (ibid., 92). Assim, a epoqué tomada na etapa dos Ideen I tem uma [[lexico:s:significacao:start|significação]] dupla: de um lado negativa, porquanto isola a consciência como [[lexico:r:residuo-fenomenologico:start|resíduo fenomenológico]] e é nesse nível que a análise eidética (isto é ainda natural) da consciência se opera; por outro lado, positiva porque faz emergir a consciência como radicalidade absoluta., Com a redução fenomenológica, o programa husserliano de um [[lexico:f:fundamento:start|fundamento]] indubitável e originário se realiza numa nova etapa: da radicalidade eidética ela nos faz descer a uma radicalidade pela qual toda [[lexico:t:transcendencia:start|transcendência]] tem fundamento. (Lembremos que é preciso entender por transcendência o modo de [[lexico:a:apresentacao:start|apresentação]] do [[lexico:o:objeto:start|objeto]] em geral). Perguntamos como uma [[lexico:v:verdade:start|verdade]] [[lexico:m:matematica:start|matemática]] ou científica pode ser [[lexico:p:possivel:start|possível]] e, contra o [[lexico:c:ceticismo:start|ceticismo]], vimos que ela só é possível pela posição de essência daquilo que é pensado; esta posição de essência fazia intervir apenas um "[[lexico:v:ver:start|ver]]" (Schau) e a essência era tomada numa doação originária. Depois, meditando sobre essa própria doação e mais precisamente sobre a doação originária das coisas (percepção) descobrimos, aquém da [[lexico:a:atitude:start|atitude]] pela qual somos para as coisas, uma consciência cuja essência é heterogênea a tudo aquilo de que ela é consciência a toda transcendência, e pela qual o próprio sentido da transcendência é colocado. Tal é a verdadeira significação da colaboração entre [[lexico:p:parenteses:start|parênteses]]: voltar o olhar da consciência sobre si mesma, inverter a direção desse olhar e retirar, ao suspender o mundo, o véu que ocultava ao eu sua própria verdade. Sua suspensão exprime que o eu permanece exatamente aquilo que ele é, isto é, "entrelaçado" com o mundo e que seu conteúdo concreto continua a ser o fluxo dos Abschaüungen através do qual se desenha a coisa. "O conteúdo concreto da vida subjetiva não desaparece na passagem para a [[lexico:d:dimensao:start|dimensão]] filosófica, mas revela-se ali em toda a sua autenticidade. A posição do mundo foi "posta fora de [[lexico:a:acao:start|ação]]" e não aniquilada: ela permanece viva ainda que sob uma [[lexico:f:forma:start|forma]] "modificada" que permite à consciência ser plenamente [[lexico:c:consciente:start|consciente]] dela mesma. A epoqué não é uma operação [[lexico:l:logica:start|lógica]] exigida petas condições de um [[lexico:p:problema:start|problema]] [[lexico:t:teorico:start|teórico]], ela é o passo que dá [[lexico:a:acesso:start|acesso]] a um modo novo da existência a existência transcendental como existência absoluta. Tal significação só pode realizar-se num ato de liberdade (Tuan-Duc-Thao, Phénoménologie et matérialisme dialectique, págs. 73-74. Tudo que se dissesse a favor desse livro notável seria insuficiente)." **O eu puro, o eu [[lexico:p:psicologico:start|psicológico]], o sujeito kantiano.** Não se trata, portanto, de uma volta ao [[lexico:s:subjetivismo:start|subjetivismo]] psicologista, pois o eu revelado pela redução não é exatamente o eu natural psicológico ou psicofísico; não se trata tampouco de uma retomada da posição kantiana, pois o [[lexico:e:eu-transcendental:start|eu transcendental]] não é "uma consciência concebida logicamente, mas uma consciência atual." 1) Não se pode confundir eu transcendental e eu psicológico e sobre este [[lexico:p:ponto:start|ponto]] insistem as Meditações Cartesianas. É certo que, diz Husserl, "eu, que permaneço na [[lexico:a:atitude-natural:start|atitude natural]], eu sou também e a todo [[lexico:i:instante:start|instante]] eu transcendental. Mas (acrescenta) só o percebo efetuando a redução fenomenológica". O eu [[lexico:e:empirico:start|empírico]] é "interessado no mundo", aí vive naturalmente; sobre a base deste eu a atitude fenomenológica constitui um desdobramento do eu, pelo qual se estabelece o espectador desinteressado, o eu fenomenológico. É esse eu do espectador desinteressado que examina a [[lexico:r:reflexao-fenomenologica:start|reflexão fenomenológica]], sustentada ela própria por uma atitude desinteressada de espectador. É necessário, portanto, admitir simultaneamente que o eu de que se trata é o eu concreto, pois não existe Cambem nenhumas [[lexico:d:diferenca:start|diferença]] de conteúdo entre [[lexico:p:psicologia:start|psicologia]] e [[lexico:f:fenomenologia:start|fenomenologia]] e que não é o eu concreto, porquanto está separado do seu ser no mundo. A psicologia [[lexico:i:intencional:start|intencional]] e a fenomenologia transcendental partirão ambas do cogito, mas a primeira permanece no nível mundano enquanto que a segunda desenvolve sua análise a partir de um cogito transcendental que envolve o mundo em sua totalidade, inclusive o eu psicológico. 2) Estaremos, por conseguinte, diante do sujeito transcendental kantiano? Muitas passagens tanto nas Ideen I como nas Meditações Cartesianas dão-nos tal [[lexico:i:impressao:start|impressão]] e não foi por [[lexico:a:acaso:start|acaso]] que o criticista [[lexico:n:natorp:start|Natorp]] manifestou sua concordância com as Ideen I (Husserls Ideen zun einer reinen Phänomenologie, [[lexico:l:logos:start|Logos]], VII, 1917-18). Tais sugestões provém principalmente do [[lexico:f:fato:start|fato]] de Husserl insistir sobre o ser absoluto da consciência, a fim de evitar que se creia que esse eu não passa de uma regiáo da [[lexico:n:natureza:start|natureza]] ([[lexico:o:o-que-e:start|o que é]] o próprio [[lexico:p:postulado:start|postulado]] da psicologia). ftle demonstra que, pelo contrário, a natureza só é possível pelo eu: "A natureza só é possível a título de unidade intencional motivada na consciência por [[lexico:m:meio:start|meio]] de conexões imanentes... O domínio das vivências enquanto essência absoluta... é essencialmente [[lexico:i:independente:start|independente]] de todo ser pertencente ao mundo, à natureza e não tem necessidade dele nem para a sua existência. A existência de uma natureza não pode condicionar a existência da consciência, pois uma natureza se manifesta ela mesma como correlato da consciência" (Ideen, 95-6). Os criticistas (Natorp, [[lexico:r:rickert:start|Rickert]], Kreis, Zocher) se apoiam nessa [[lexico:f:filosofia:start|Filosofia]] transcendental, mostram que para Husserl assim como para [[lexico:k:kant:start|Kant]] a [[lexico:o:objetividade:start|objetividade]] depende do conjunto dessas condições [[lexico:a:a-priori:start|a priori]] e que o grande problema fenomenológico é o mesmo que o da [[lexico:c:critica:start|Crítica]]: como é possível um dada? Quanto ao [[lexico:a:aspecto:start|aspecto]] intuicionista, e especialmente quanto a esta pura apreensão da vivência por ela mesma na percepção imanente, não resta [[lexico:d:duvida:start|dúvida]] de que para Kreis sua [[lexico:o:origem:start|origem]] está num [[lexico:p:pressuposto:start|pressuposto]] empirista: como, com efeito, poderia ocorrer que um sujeito, que é apenas o conjunto das condições a priori de toda objetividade possível, seja também um fluxo empírico de vivência apto a [[lexico:a:apreender:start|apreender]] sua indubitabilidade radical numa presença originária para si? Kant escrevia: "Fora da significação lógica do eu, não possuímos nenhum conhecimento do sujeito em si, que está na base do eu como de todos os [[lexico:p:pensamentos:start|Pensamentos]], na [[lexico:q:qualidade:start|qualidade]] de [[lexico:s:substrato:start|substrato]]." O princípio de [[lexico:i:imanencia:start|imanência]] husserliano resulta de uma psicologia empirista, é incompatível com a [[lexico:c:constituicao:start|constituição]] da objetividade. Salvo essa ressalva, Husserl seria um [[lexico:b:bom:start|Bom]] kantiano. Num artigo célebre (Die phanomenologische Philosophie E. Husserls inder gegenwartigen Kritik, Kantstudien, 1933. Referendado por Husserl), E. [[lexico:f:fink:start|Fink]], na [[lexico:o:ocasiao:start|ocasião]] assistente de Husserl, responde a esses comentários de forma propícia a esclarecer nosso problema: a fenomenologia não se coloca o problema da origem do mundo, problema que se propunham as religiões e as metafísicas. Sem dúvida o problema foi eliminado pelo [[lexico:c:criticismo:start|criticismo]] porque era sempre colocado e resolvido em termos aporísticos. O criticismo substituiu-o pelo das condições de possibilidade do mundo para mim. Mas essas condições são [[lexico:p:por-si:start|por si]] mesmas mundanas e toda a análise kantiana fica no nível [[lexico:e:eidetico:start|eidético]] apenas, isto é, mundano. É, portanto, evidente que o criticismo comete um [[lexico:e:erro:start|erro]] de [[lexico:i:interpretacao:start|interpretação]] sobre a fenomenologia. Esse erro é especialmente manifesto no que concerne à questão da imanência e da "[[lexico:f:fusao:start|fusão]]" do sujeito transcendental com o sujeito concreto. Na [[lexico:r:realidade:start|realidade]] não existe fusão, mas, ao contrário, desdobramento; pois aquilo que é dado anteriormente a toda construção conceituai é a unidade do sujeito; e o que é incompreensível no criticismo em geral é que o [[lexico:s:sistema:start|sistema]] das condições o priori da objetividade seja um sujeito, o sujeito transcendental. Na realidade o sujeito perceptivo é o mesmo que constrói o mundo, no qual entretanto ele está pela percepção. Quando se explora na [[lexico:p:perspectiva:start|perspectiva]] de seu entrelaçamento com o mundo, para distingui-lo desse mundo, utiliza-se o [[lexico:c:criterio:start|critério]] da imanência; mas a [[lexico:s:situacao:start|situação]] paradoxal provém do fato de que o próprio conteúdo dessa imanência é tão-somente o mundo enquanto visado, intencional, [[lexico:f:fenomeno:start|fenômeno]], ao passo que esse mundo é colocado como existência real e [[lexico:t:transcendente:start|transcendente]] pelo eu. A redução que provém desse [[lexico:p:paradoxo:start|paradoxo]] permite-nos precisamente apreender como existe para nós um em si, isto é, como a transcendência do objeto pode [[lexico:t:ter:start|ter]] um sentido de transcendência na imanência do sujeito. A redução devolve ao sujeito sua verdade de constituinte das transcendências, implícita na atitude alienada que é a atitude natural. {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}