===== ÉTICA MEDIEVAL ===== A [[lexico:e:etica-medieval|ética medieval]] [[lexico:n:nao|não]] começou com a difusão da [[lexico:e:etica|Ética]] de [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]]. A [[lexico:r:reflexao|reflexão]] [[lexico:p:patristica|patrística]] sobre o [[lexico:m:mal|mal]] e o [[lexico:p:pecado|pecado]] alimentou toda uma [[lexico:t:teologia|teologia]] da [[lexico:m:moral|moral]] que encontrou uma [[lexico:e:expressao-filosofica|expressão filosófica]] desde o Scito te ipsum de [[lexico:a:abelardo|Abelardo]]. A ética medieval também não se contentou em assimilar Aristóteles; ela desenvolveu para si a moral filosófica e a concepção aristotélica da [[lexico:f:felicidade|felicidade]]. Sem nunca [[lexico:t:ter|ter]] sido dominante, essa tentativa existiu suficientemente para [[lexico:s:ser|ser]] expressamente condenada em 1277. Nascida na [[lexico:f:faculdade|faculdade]] de artes, a corrente que alimentou a exaltação da [[lexico:v:vida|vida]] filosófica como tal pode ser chamada de "[[lexico:a:aristotelismo|aristotelismo]] radical", mas também de "aristotelismo ético". Este se define pelo encontro de uma [[lexico:p:psicologia|psicologia]] filosófica [[lexico:p:particular|particular]] — a [[lexico:t:teoria|teoria]] do [[lexico:i:intelecto|intelecto]] do peripatetismo greco-árabe — posta a serviço da [[lexico:i:interpretacao|interpretação]] da [[lexico:s:significacao|significação]] ética e [[lexico:m:metafisica|metafísica]] da [[lexico:c:contemplacao|contemplação]] filosófica — a "[[lexico:s:sabedoria|sabedoria]] [[lexico:t:teoretica|teorética]]" de Aristóteles. A [[lexico:p:posicao-filosofica|posição filosófica]] do aristotelismo ético é a [[lexico:p:posicao|posição]] do [[lexico:v:valor|valor]] [[lexico:i:incondicionado|incondicionado]] da [[lexico:f:filosofia|Filosofia]] como vida ética perfeita e realização da própria [[lexico:e:essencia|essência]] da [[lexico:h:humanidade|humanidade]] do [[lexico:h:homem|homem]], da qual o [[lexico:p:pensamento|pensamento]] é a [[lexico:p:perfeicao|perfeição]] própria e última. Contrariamente ao que diz [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]] com sua doutrina da [[lexico:b:beatitudo|beatitudo]] imperfecta, as [[lexico:p:palavras|palavras]] de Aristóteles — "bem-aventurados como homens" (1101a, 19-21) — não significam que a felicidade desta vida realiza imperfeitamente o [[lexico:c:conceito|conceito]] de uma felicidade reservada à pátria celeste, mas antes que ela "realiza perfeitamente o conceito de uma felicidade humana, tal como esta é [[lexico:p:possivel|possível]] a homens, nesta vida" (R. A. Gauthier). Essa felicidade perfeita é a contemplação filosófica., o [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] metafísico de [[lexico:d:deus|Deus]] e das [[lexico:s:substancias|substâncias]] separadas, que, só ela, pode "apaziguar (quie-tare) o intelecto do homem". A convergência da ética, da metafísica e da psicologia define o [[lexico:e:espaco|espaço]] de um [[lexico:h:humanismo|humanismo]] aristotélico. no qual, de [[lexico:m:modo|modo]] muito surpreendente, se inscrevem figuras tão diversas quanto [[lexico:a:alberto-magno|Alberto Magno]], [[lexico:m:mestre|mestre]] [[lexico:e:eckhart|Eckhart]], Gilles de Orléans ou João de Jandun. Mesmo se as censuras de 1277 condenam proposições como "os únicos sábios do [[lexico:m:mundo|mundo]] são os filósofos" (prop. 154) e "não há [[lexico:e:estado|Estado]] mais excelente do que consagrar-se à filosofia" (prop. 40), a reivindicação do "filosofar" não é, entretanto, apenas a [[lexico:m:manifestacao|manifestação]] das pretensões de um [[lexico:c:corpo|corpo]] [[lexico:s:social|social]], os magistri artium, é também a marca da [[lexico:m:mistica|mística]] especulativa dominicana do século XIV. O "[[lexico:f:filosofo|filósofo]]" é certamente um intelectual, mas no [[lexico:s:sentido|sentido]] preciso de que ele é o homem do intelecto e de que a intelectualidade é o [[lexico:d:destino|destino]] do homem fundado em sua essência. É "filósofo [[lexico:t:todo|todo]] homem que vive segundo a [[lexico:o:ordem|ordem]] verdadeira da [[lexico:n:natureza|natureza]], e que conquistou o [[lexico:f:fim|fim]] melhor e mais elevado da vida humana" ([[lexico:b:boecio|Boécio]] de Dácia, De summo bono, § 31): [[lexico:e:esse|esse]] programa não diz [[lexico:r:respeito|respeito]] apenas aos mestres. Como sublinhará Dante, a vida segundo o intelecto é "o fim de toda [[lexico:s:sociedade|sociedade]] humana" (De monarchia, I, 3, 1). Essa perfeição que reside no "[[lexico:e:existir|existir]] capaz de [[lexico:a:apreender|apreender]] por [[lexico:m:meio|meio]] do [[lexico:i:intelecto-possivel|intelecto possível]]", sendo uma [[lexico:o:operacao|operação]], o pensamento "ao qual não pode chegar um só [[lexico:i:individuo|indivíduo]], nem uma só [[lexico:f:familia|família]], nem uma só aldeia, nem uma só [[lexico:c:cidade|cidade]], nem um só [[lexico:r:reino|reino]] particular", se dirige à humanidade inteira (I. 3. 4-6), por intermédio dos "homens segundo o intelecto". Se o [[lexico:m:modelo|modelo]] da vida filosófica acaba por elogiar a monarquia [[lexico:t:temporal|temporal]] — longínquo [[lexico:e:eco|Eco]] da celebração do Imã-filósofo por al-Farabi, que a Divina [[lexico:c:comedia|Comédia]] redescobre, a seu modo, na [[lexico:f:figura|figura]] histórica concreta do imperador Frederico II, se o aristotelismo ético se realiza em Dante na "politização do aristotelismo" (R. Imbach), ele se realiza também mais geralmente na [[lexico:q:questao|questão]] do fim do pensamento e do destino intelectual do homem. Uma questão que transcende a própria [[lexico:d:distincao|distinção]] entre a filosofia e a teologia, o [[lexico:a:acaso|acaso]] dos nascimentos (judeu, árabe, latino), a [[lexico:o:oposicao|oposição]] dos estados (clérigo, leigo) e a rigidez dos discursos. É a isto que chamaremos o [[lexico:e:espirito|espírito]] da [[lexico:f:filosofia-medieval|filosofia medieval]].