===== ÉTICA DOS VALORES ===== É a corrente do [[lexico:p:pensamento|pensamento]] ético que vê no [[lexico:v:valor|valor]] o [[lexico:p:problema|problema]] [[lexico:e:essencial|essencial]] da [[lexico:e:etica|ética]]. Podemos distinguir a corrente neokantiana ([[lexico:w:windelband|Windelband]], [[lexico:r:rickert|Rickert]]) e a, fenomenológica ([[lexico:s:scheler|Scheler]], N. [[lexico:h:hartmann|Hartmann]]) da [[lexico:e:etica-dos-valores|ética dos valores]]. A primeira entende por valor só o [[lexico:e:elemento|elemento]] [[lexico:u:universal|universal]] e [[lexico:f:formal|formal]], mais ou menos equiparado ao "[[lexico:d:dever|dever]]" e distinto do [[lexico:s:ser|ser]] (concebido apenas empiricamente) como [[lexico:d:determinacao|determinação]] [[lexico:t:transcendental|transcendental]] (ética puramente formal, [[lexico:f:formalismo|formalismo]] ético). A ética fenomenológica dos valores vê no valor algo dotado de conteúdo [[lexico:m:multiplo|múltiplo]] e [[lexico:o:objetivo|objetivo]], mas também diverso do ser, sendo [[lexico:a:a-priori|a priori]], conferindo plenitude de [[lexico:s:sentido|sentido]] ao [[lexico:a:apetite|apetite]] e [[lexico:n:nao|não]] coincidindo, de maneira alguma, com a [[lexico:o:obrigacao|obrigação]] ou com o dever, porque é ele que primeiro funda a obrigação (ética material dos valores). Em [[lexico:t:todo|todo]] caso, a ética fenomenológica dos valores também não admite nenhum valor [[lexico:m:moral|moral]] [[lexico:p:proprio|próprio]], que, como [[lexico:o:objeto|objeto]] do querer, torne o [[lexico:a:ato|ato]] moralmente [[lexico:b:bom|Bom]]. Ao contrário, o valor moral é exclusivamente valor de ato, o qual se efetua quando o [[lexico:h:homem|homem]] escolhe, entre vários valores não morais em si, aquele que merece preferência por sua maior elevação axiológica ou por. outros [[lexico:m:motivos|motivos]] (p. ex., pela maior urgência). Comparada com o [[lexico:p:positivismo-moral|positivismo moral]], a ética dos valores tem o [[lexico:m:merito|mérito]] de haver defendido expressamente a [[lexico:o:objetividade-do-valor|objetividade do valor]] moral. Nisso a corrente fenomenológica supera a ética formal, por [[lexico:t:ter|ter]] acentuado com clareza e a [[lexico:p:prioridade|prioridade]] do conteúdo axiológico em [[lexico:r:relacao|relação]] à obrigação meramente formal. — Todavia, também esta corrente apresenta defeitos. Em primeiro [[lexico:l:lugar|lugar]], mantém a [[lexico:s:separacao|separação]] entre o ser e o valor (ética dos valores), por se achar também ainda presa demais à concepção positivista do ser como [[lexico:r:realidade|realidade]] simplesmente empírica Por [[lexico:c:consequencia|consequência]], não vê que o valor, como acabamento da [[lexico:e:essencia|essência]] dos entes, se baseia no ser e, p. ex., pode ser conhecido como valor por uma [[lexico:p:percepcao|percepção]] essencial, comparando-se o ato a perfazer com a essência que ele possui naturalmente. O [[lexico:s:sentimento|sentimento]] [[lexico:i:intencional|intencional]] do valor não é, pois, como admite Scheler, uma [[lexico:g:grandeza|grandeza]] última e [[lexico:s:simples|simples]], mas uma [[lexico:f:formacao|formação]] complexa, que une o [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]] e a tomada [[lexico:e:emocional|emocional]] de [[lexico:p:posicao|posição]]. Ademais, o valor moral do ato não pode ser reduzido a valores objetivos não morais em si, entre os quais o homem prefere o mais elevado ou o mais urgente ([[lexico:b:bem|Bem]]). Por [[lexico:u:ultimo|último]], a [[lexico:q:questao|questão]] do valor moral, apesar de básica, não é a única na ética de [[lexico:m:modo|modo]] [[lexico:p:particular|particular]], pergunta-se se a [[lexico:l:lei-moral|lei moral]] pode ser esclarecida só a partir do valor. — Schuster - De Vries.