===== ESTIMATIVA E COGITATIVA ===== A doutrina da "estimativa" e da "cogitativa" - se podemos traduzir assim os termos "estimativa" e "cogitativa" - é uma das mais notáveis concepções da [[lexico:p:psicologia|psicologia]] do [[lexico:c:conhecimento-sensivel|conhecimento sensível]] que estudamos. É um [[lexico:f:fato|fato]] que os animais buscam certos objetos ou deles fogem, [[lexico:n:nao|não]] somente enquanto estes têm uma [[lexico:r:relacao|relação]] favorável ou desfavorável com tal [[lexico:s:sentido|sentido]] [[lexico:p:particular|particular]], mas ainda porque são úteis ou nocivos à [[lexico:n:natureza|natureza]] do [[lexico:i:individuo|indivíduo]] considerado em sua [[lexico:t:totalidade|totalidade]]. A ovelha, gosta de repetir [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]], foge do lobo, não em [[lexico:r:razao|razão]] de sua cor ou de sua [[lexico:f:forma|forma]], mas como nocivo à sua natureza; e, semelhantemente, o passarinho recolhe palhas, não por [[lexico:p:prazer|prazer]] dos sentidos, mas em vista do ninho a construir. Ora, é claro que tais objetos, isto é, a razão da [[lexico:u:utilidade|utilidade]] ou da nocividade, não caem sob nenhum dos sentidos próprios. Por [[lexico:o:outro|outro]] lado, ao menos no [[lexico:a:animal|animal]], não se pode dizer que sejam percebidos por uma [[lexico:i:inteligencia|inteligência]], que não existe. Resta, pois, que existe um poder [[lexico:s:sensivel|sensível]] especial, tendo por [[lexico:o:objeto|objeto]] estas [[lexico:r:relacoes|relações]] não sensíveis, "intentiones insensatae", a partir das quais as [[lexico:p:potencias-afetivas|potências afetivas]] e motoras poderão reagir. A [[lexico:t:teoria|teoria]] da estimativa, acabamos de reconhecer, parece [[lexico:t:ter|ter]] sido inventada para [[lexico:e:explicar|explicar]] certas reações originais dos animais. Mas, movimentos semelhantes não são encontrados também no [[lexico:h:homem|homem]], no nível de sua [[lexico:a:atividade|atividade]] sensível? Não há, portanto, razão alguma que proíba admitir, também no caso do homem, a [[lexico:e:existencia|existência]] deste sentido interno. Vê-se logo, todavia, que, em seu psiquismo mais elevado, esta [[lexico:p:potencia|potência]] terá uma [[lexico:c:condicao|condição]] especial, levando-se particularmente em conta a [[lexico:i:influencia|influência]] que sobre ela exercerá a inteligência, que é a [[lexico:f:faculdade|faculdade]] [[lexico:s:superior|superior]] de [[lexico:g:governo|governo]] Mas aqui se reservou para ela um [[lexico:n:nome|nome]] particular; na [[lexico:t:tradicao|tradição]] agostiniana, fala-se em um sentido aproximado à [[lexico:r:ratio|ratio]] inferior. Tomás de Aquino fica com o [[lexico:t:termo|termo]] cogitativa. De [[lexico:m:modo|modo]] preciso, a "cogitativa" distingue-se da estimativa por ter um [[lexico:c:campo|campo]] de exercício mais extenso e sobretudo por poder, em razão de sua proximidade com as [[lexico:f:faculdades|faculdades]] superiores, efetuar, na [[lexico:o:ordem|ordem]] concreta, aproximações que confinam com as sínteses propriamente intelectuais. Em [[lexico:v:virtude|virtude]] desta vizinhança com a [[lexico:v:vida|vida]] do [[lexico:e:espirito|espírito]], deve a "cogitativa" ter, no psiquismo [[lexico:h:humano|humano]], um papel extremamente importante. Entre o sentido, que considera o [[lexico:s:singular|singular]] [[lexico:c:concreto|concreto]], e a inteligência, que é a faculdade do [[lexico:u:universal|universal]] [[lexico:a:abstrato|abstrato]], desempenha papel de mediadora. Intervém assim na [[lexico:c:constituicao|constituição]] dos esquemas imaginativos que servirão de [[lexico:m:materia|matéria]] à [[lexico:i:inteleccao|intelecção]]. E é a ela que encontramos quando se trata de adaptar os [[lexico:i:imperativos|imperativos]] superiores da razão à [[lexico:a:acao|ação]] no [[lexico:m:mundo|mundo]] sensível. Se, por [[lexico:e:exemplo|exemplo]], quero escrever, é a "cogitativa" que põe em relação, em meu espírito, esta caneta, que tenho entre meus dedos, com o [[lexico:f:fim|fim]] a conseguir, isto é, com os [[lexico:c:caracteres|caracteres]] a traçar sobre a página branca diante de mim. Estudando esta faculdade, pensa-se evidentemente nos modernos estudos sobre o [[lexico:i:instinto|instinto]]. Não se duvida que a atividade do instinto esteja ligada a este [[lexico:c:circulo|círculo]] de fenômenos que são hoje em dia agrupados sob este título. Todavia devemos notar que, na [[lexico:a:analise|análise]] antiga, era antes o [[lexico:a:aspecto|aspecto]] cognitivo dos fenômenos desta ordem que era colocado em [[lexico:e:evidencia|evidência]]. Um [[lexico:e:estudo|estudo]] do instinto, feito nesta linha, deveria [[lexico:a:aparecer|aparecer]] portanto com um [[lexico:c:carater|caráter]] intelectual ou imaginativo [[lexico:b:bem|Bem]] marcado, não se excluindo de modo algum a [[lexico:p:possibilidade|possibilidade]] de [[lexico:r:reflexos|reflexos]] absolutamente independentes da atividade do [[lexico:c:conhecimento|conhecimento]].