===== ESSÊNCIA E INDIVÍDUO ===== Todavia, o privilégio metódico da [[lexico:i:intuicao|intuição]] de [[lexico:e:essencia|essência]] [[lexico:n:nao|não]] significa de [[lexico:f:forma|forma]] nenhuma para [[lexico:h:husserl|Husserl]] a eliminação da [[lexico:e:evidencia|evidência]] da [[lexico:c:coisa|coisa]] individual como tal. E isso em dois planos: primeiro porque a essência não pode [[lexico:s:ser|ser]] «adquirida» senão na base de uma [[lexico:p:percepcao|percepção]], de uma intuição que incida sobre o [[lexico:i:individuo|indivíduo]]. A essência «vermelho» exige a aparição do «[[lexico:m:momento|momento]]» vermelho de uma coisa; a essência «cinco» a de uma coleção, etc. A essência é «fundada», não plana acima das [[lexico:c:coisas|coisas]] «reais». Por [[lexico:o:outro|outro]] lado, como intuição de essência não é uma «[[lexico:e:experiencia|experiência]]», não pode substituir a experiência [[lexico:c:como-se|como se]] se tornasse o [[lexico:i:interesse|interesse]] [[lexico:u:unico|único]] de uma [[lexico:c:ciencia|ciência]] pura orientada sobre as «ontologias regionais». Pelo contrário, para Husserl, e isto em todas as etapas da sua [[lexico:r:reflexao|reflexão]], o interesse [[lexico:t:teorico|teórico]] reporta-se sempre à coisa existente na sua [[lexico:i:individualidade|individualidade]] e no [[lexico:m:modo|modo]] irredutível da sua aparição. E a esta coisa que se referem, em última [[lexico:a:analise|análise]], as Recherches Logiques de 1900, assim como a Logique de 1928, o privilégio da [[lexico:i:intencao|intenção]] perceptiva é que ela apresenta o [[lexico:p:proprio|próprio]] [[lexico:o:objeto|objeto]] (Re-cherche VI); «As verdades e as evidências primeiras em si devem ser as verdades e evidências individuais... Os indivíduos são dados pela experiência, pela experiência no [[lexico:s:sentido|sentido]] primeiro, no sentido mais forte que se define precisamente como [[lexico:r:referencia|referência]] directa ao individual» (Logique, p. 278). A coisa percebida, o indivíduo na sua irredutibilidade de ser, dados na experiência, são portanto o objeto originário da [[lexico:f:fenomenologia|fenomenologia]]. Mas compreender-se-á que o [[lexico:r:retorno|retorno]] ao [[lexico:v:vivido|vivido]] da evidência depois do [[lexico:d:desvio|desvio]] pela essência não é senão a explicitação do que está já implicado na essência da evidência, isto é, do preenchimento. A [[lexico:p:presenca|presença]] «corporal» ou «em [[lexico:p:pessoa|pessoa]]» da coisa releva das propriedades eidéticas da coisa com o seu sentido de coisa. A [[lexico:a:atividade|atividade]] inicial da experiência é originária por [[lexico:n:necessidade|necessidade]] de essência (Logique, p. 370). [Schérer]