===== ESSÊNCIA DO PSÍQUICO ===== Já os antigos psicólogos haviam [[lexico:c:chamado|chamado]] a [[lexico:a:atencao|atenção]] sobre uma especial [[lexico:a:afinidade|afinidade]] e a [[lexico:a:analogia|analogia]] que existe entre todos os fenômenos psíquicos, e na qual os fenômenos físicos [[lexico:n:nao|não]] têm [[lexico:p:parte|parte]]. [[lexico:t:todo|todo]] [[lexico:f:fenomeno|fenômeno]] [[lexico:p:psiquico|psíquico]] está caracterizado por aquilo que os escolásticos da Idade Média denominaram a in-existência (esta [[lexico:p:palavra|palavra]] não significa a não [[lexico:e:existencia|existência]] e sim a existência em) [[lexico:i:intencional|intencional]] (ou mental) ([[lexico:n:nota|nota]] 1) de um [[lexico:o:objeto|objeto]], e que nós chamaríamos, embora com expressões não de todo inequívocas, a [[lexico:r:referencia|referência]] a um conteúdo, a direção a um objeto (pelo que, aqui, não se deve entender uma [[lexico:r:realidade|realidade]]), ou a [[lexico:o:objetividade|objetividade]] [[lexico:i:imanente|imanente]]. Todo fenômeno psíquico contém em si algo como seu objeto, se [[lexico:b:bem|Bem]] que nem todos do mesmo [[lexico:m:modo|modo]]. •Na [[lexico:r:representacao|representação]] há algo representado; no [[lexico:j:juizo|juízo]] há algo admitido ou negado; no [[lexico:a:amor|amor]], algo amado; no ódio, algo odiado; no [[lexico:a:apetite|apetite]], algo apetecido, etc. (Nota 2). Esta inexistência intencional é própria exclusivamente dos fenômenos psíquicos. Fenômeno [[lexico:f:fisico|físico]] algum oferece qualquer [[lexico:c:coisa|coisa]] [[lexico:s:semelhante|semelhante]]. Com o que podemos definir os fenômenos psíquicos dizendo que são aqueles fenômenos que contêm em si, intencionalmente, um objeto. (Nota 1) Usam também a [[lexico:e:expressao|expressão]] "[[lexico:e:estar|estar]] objetivamente (objective) em algo", a qual, em se pretendendo servir-se dela [[lexico:a:agora|agora]], seria tomada ao contrário, como [[lexico:d:designacao|designação]] de uma existência [[lexico:r:real|real]] fora do [[lexico:e:espirito|espírito]]. Porém a expressão de "[[lexico:s:ser|ser]] [[lexico:o:objetivo|objetivo]] em [[lexico:s:sentido|sentido]] imanente", que às vezes se usa no mesmo sentido, e no oual o imanente impede manifestamente o [[lexico:e:equivoco|equívoco]] temível, pode-se substituí-la. (Nota 2) Já [[lexico:a:aristoteles|Aristóteles]] havia falado dessa [[lexico:i:inerencia|inerência]] psíquica. Em seus livros sobre a [[lexico:a:alma|alma]] diz que o sentido, enquanto sentido, está em [[lexico:q:quem|quem]] sente; o sentido apreende o sentido, sem a [[lexico:m:materia|matéria]]; o pensado está no [[lexico:i:intelecto|intelecto]] pensante. Em Fílon encontramos igualmente a doutrina da existência e inexistência mental. Mas confundindo esta com a existência, em seu sentido [[lexico:p:proprio|próprio]], chega à sua doutrina contraditória do [[lexico:l:logos|Logos]] e das [[lexico:i:ideias|ideias]] Aos neoplatônicos acontece algo semelhante. [[lexico:s:santo|santo]] [[lexico:a:agostinho|Agostinho]] menciona o mesmo iato, em sua doutrina do Verbum mentis e o exitus interior deste. Santo Anselmo o faz em seu famoso [[lexico:a:argumento-ontologico|argumento ontológico]], sendo muitos os que acentuaram que o [[lexico:f:fundamento|fundamento]] de seu [[lexico:p:paralogismo|paralogismo]] consistiu em considerar a existência mental como uma existência real (cf. Ueberweg, Historia da [[lexico:f:filosofia|Filosofia]], II). Santo [[lexico:t:tomas-de-aquino|Tomás de Aquino]] ensina que o pensado está intencionalmente em quem pensa; ó objeto do amor no amante; o apetecido em quem apetece; e utiliza estas afirmações para fins teológicos. Explica a inerência do Espírito Santo, de que [[lexico:f:fala|fala]] a Escritura, como uma inerência intencional mediante o amor. E procura encontrar também certa analogia com o [[lexico:m:misterio|mistério]] da [[lexico:t:trindade|trindade]] e da procedência do [[lexico:v:verbo|verbo]] e do Espírito od intra, na inexistência intencional que há no [[lexico:p:pensamento|pensamento]] e no amor. (Psychologie vom empirischen Standpunkt, livro II, cap. I, § 5.)